O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

cumprir


Alguns têm na vida um grande sonho e falham a esse sonho.

Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.


Bernardo Soares, Livro do Desassossego.



Foto de Carlos Rema.

sábado, 8 de março de 2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Que assim seja

Tudo o que conhecemos é mental, porque é conhecido exclusivamente através da mente. Assim, a mente é mediadora entre o eu e o mundo. Mas o que é o eu? Para mim, podendo estar errado, o eu é o equivalente àquilo a que os antigos ou outros chamam alma que, assim entendida, existe. Mas talvez esteja errado; porque talvez o eu seja o conjunto das experiências que vivo e guardo na memória, sendo esta uma parte da mente, se esta sequer as tem. Ou talvez possamos escolher, e o eu seja aquela parte de nós, se sequer as temos, que acolhemos como nossa, com a qual mais nos identificamos... passada, presente ou imaginada. Acima de tudo, mais do que sabermos o que são o eu ou a mente, penso que temos a explêndida oportunidade, porquanto estamos vivos, e a vida tem esplendorosos esgares de luminosidade, de os vivermos, experimentando-os. Que assim seja, meus amigos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A vida constitui-se nesse eterno perder

Tudo o que possuímos ou damos como adquirido desaparece para sempre da nossa visão num abrir e fechar de olhos. A vida constitui-se nesse eterno perder, no qual tentamos frustradamente a todo o custo agarrar o que é impossível de ser agarrado. Vivemos saudosos do que fomos e do que imaginámos ser... em suma, numa grande e universal tristeza, por tão implacável cisão. Talvez seja possível vencê-la, pensando-a, talvez qualquer acto mais não seja que um acto de desespero. Fica aqui a referência aos dois caminhos.