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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Nosso coração é antigo
Nosso coração é antigo
de antes de haver idade
por isso existir lhe não dá abrigo
ébrio de espanto e saudade
de antes de haver idade
por isso existir lhe não dá abrigo
ébrio de espanto e saudade
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
«Vivre, c’est s’obstiner à achever un souvenir? Mourir, c’est devenir, mais nulle part, vivant? » (René Char)
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
"Ouvi um riso que não era um riso humano, e agora devora-me uma sede, uma ânsia/saudade [Sehnsucht] que nada aplacará"
“Ó meus irmãos! Ouvi um riso que não era um riso humano, e agora devora-me uma sede, uma ânsia/saudade [Sehnsucht] que nada aplacará.
A minha ânsia/saudade [Sehnsucht] daquele riso devora-me; oh!, como posso tolerar ainda a vida! E como tolerar agora a morte!”
- Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra.
A minha ânsia/saudade [Sehnsucht] daquele riso devora-me; oh!, como posso tolerar ainda a vida! E como tolerar agora a morte!”
- Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Pensamento insituado - Saudade
Saudade: Ausência, Ab-s-entia, desligamento da entificação, di-stância, afastamento do estar.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Orfeo ed Euridice
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Nick Cave e a inspiração da Saudade
"We all experience within us what the Portuguese call saudade, which translates as an inexplicable longing, an unnamed and enigmatic yearning of the soul, and it is this feeling that lives in the realms of imagination and inspiration and is the breeding ground for the sad song, for the Love Song. Saudade, or longing, is the desire to be transported from darkness into light. To be touched by the hand of that which is not of this world. The Love Song is the light of God, deep down, blasting up through our wounds"
- Nick Cave, The Secret Life of the Love Song. The Flesh Made Word. Two Lectures by Nick Cave (CD).
- Nick Cave, The Secret Life of the Love Song. The Flesh Made Word. Two Lectures by Nick Cave (CD).
domingo, 27 de dezembro de 2009
Sampaio Bruno (1857-1915)
Nós vivemos num mundo, onde se parte do Mal, da fealdade, do erro. O pecado original é de Deus, não do homem. Existência é dor, padecimento. Estado normal é doença.
A Saudade é o movimento em que tudo participa para uma reabsorção em Deus. A partir de uma diferenciação inicial, há sempre desejo de regresso. A vontade de viver destina-se ao regresso à consciência pura, à unidade primordial.
Adepto de um vegetarianismo que pudesse até poupar as plantas - alimentação química. Não matar para viver. As alterações psico-fisiológicas trariam um Super-Homem no futuro.
O Homem está no mundo para procurar a evolução de si e de todas as coisas. A alma embora não se possa conhecer plenamente, sempre se pode ir conhecendo mais um pouco.
Crítico de todas as ideias antropocêntricas, não vê a Humanidade como o fim último da criação.
in, Sampaio Bruno, A Ideia de Deus (1902).
cf., Paulo Borges, Filosofia em Portugal (apontamentos).
A Saudade é o movimento em que tudo participa para uma reabsorção em Deus. A partir de uma diferenciação inicial, há sempre desejo de regresso. A vontade de viver destina-se ao regresso à consciência pura, à unidade primordial.
Adepto de um vegetarianismo que pudesse até poupar as plantas - alimentação química. Não matar para viver. As alterações psico-fisiológicas trariam um Super-Homem no futuro.
O Homem está no mundo para procurar a evolução de si e de todas as coisas. A alma embora não se possa conhecer plenamente, sempre se pode ir conhecendo mais um pouco.
Crítico de todas as ideias antropocêntricas, não vê a Humanidade como o fim último da criação.
in, Sampaio Bruno, A Ideia de Deus (1902).
cf., Paulo Borges, Filosofia em Portugal (apontamentos).
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sábado, 26 de dezembro de 2009
"Da Saudade como Via de Libertação"
Na saudade e pela saudade, se parte e se atinge duma e uma natureza transmutada, como surnatureza. Mas usando e passando através da natureza: do mundo e do homem. A ambas unindo-as. Por isso Teixeira de Pascoaes diz que a saudade é espírito e matéria.
É nessa surnatureza e com ela que o homem saudoso vive e conhece. Com ela, ele penetra nesse seio gerador e secreto da natureza, como Natura Naturans, o incriado e incondicionado. Por isso ele aí também tem acesso à sua própria imortalidade. Vê e goza a existência e o mundo para lá dos limites do efémero, do ir e vir irreversível no devir; vendo e vivendo tudo na eternidade.
Porque a eternidade é o gérmen do tempo. O tempo na sua realidade imaculada, primeira, forte, pura, de potência, guardada e guardando-se no seio da divindade, como Todo e Nada. O ponto de concentração, fortíssimo, energia ainda não gasta, aberta, espalhadamente na criação, como tempo. O tempo será a eternidade maculada, já depois de ter sofrido a Queda.
E a saudade será sempre a força de regresso ao paraíso, como o refazer inverso da Queda, levando o homem e a natureza, nas suas condições de criados, no tempo e no espaço, ou na sua dualidade, à sua vera realidade, ou estado primeiro, como antes da Queda - na sua unidade. Como subida na corrente do devir à sua fonte primeira, a eternidade.
Dalila L. Pereira da Costa, Saudade Unidade Perdida Unidade Reencontrada, in Dalila L. Pereira da Costa e Pinharanda Gomes, Introdução à Saudade, Porto, Lello e Irmão, 1976, pp.126-127
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Agostinho da Cruz (1540-1619)
Vivia na corte. Decide renunciar a tudo e entra para a Ordem Monástica do Convento dos Capuchos, em Sintra. Viveu ermitariamente no Convento da Serra da Arrábida, os últimos 15 anos de vida(1604-1619).
Renúncia ao mundo. Busca dos lugares ermos, dos lugares saudosos. Isolando-se do convívio humano acede-se com mais facilidade aos desígnios divinos. Saudade vertical.
Harmonizada a dualidade entre os contrários pela quietação, o pensamento é anulado: a morte em vida, a união com Deus, conforme a mística cristã.
Para Agostinho da Cruz, só morrendo para o mundo dos homens é possível a libertação:
"Assi com cousas mudas conversando
Com mais quietação dellas aprendo
Que outras que ha, ensinar querem fallando".
(Agostinho da Cruz, Segredos e Elegias, Ed. Hiena).
Renúncia ao mundo. Busca dos lugares ermos, dos lugares saudosos. Isolando-se do convívio humano acede-se com mais facilidade aos desígnios divinos. Saudade vertical.
Harmonizada a dualidade entre os contrários pela quietação, o pensamento é anulado: a morte em vida, a união com Deus, conforme a mística cristã.
Para Agostinho da Cruz, só morrendo para o mundo dos homens é possível a libertação:
"Assi com cousas mudas conversando
Com mais quietação dellas aprendo
Que outras que ha, ensinar querem fallando".
(Agostinho da Cruz, Segredos e Elegias, Ed. Hiena).
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Saudade e Luís Vaz de Camões (1524?-1580)
Conforme o amor que tiverdes, assim o entendimento dos meus versos
Em Camões existe uma ambiguidade: Amor a uma mulher que é simultaneamente divina. A mulher é tratada como semidiva. A mulher como mediadora para uma experiência do divino. A mulher como aquilo que do plano divino desce ao plano humano.
Encontra-se também em Camões, um amor mais fino que não quer encontrar o objecto do desejo: o desejado sem consumação é sempre mais perfeito - o amor saudoso.
A Mulher, o Amor e a Saudade são os objectos da poesia camoneana.
Em Camões existe uma ambiguidade: Amor a uma mulher que é simultaneamente divina. A mulher é tratada como semidiva. A mulher como mediadora para uma experiência do divino. A mulher como aquilo que do plano divino desce ao plano humano.
Encontra-se também em Camões, um amor mais fino que não quer encontrar o objecto do desejo: o desejado sem consumação é sempre mais perfeito - o amor saudoso.
A Mulher, o Amor e a Saudade são os objectos da poesia camoneana.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
EnTre os pioneiros de uma Filosofia da Saudade
"Os Portugueses são mais saudosos que outros povos, o que permite um sentimento único de Amor e Ausência - os pais da Saudade."
D. Francisco Manuel de Melo
"A saudade provém do coração, não provém do entendimento. É um bem que se padece e um mal que se deseja. Amarga e doce, triste e alegre. Na saudade fundem-se os contrários."
D. Duarte
D. Francisco Manuel de Melo
"A saudade provém do coração, não provém do entendimento. É um bem que se padece e um mal que se deseja. Amarga e doce, triste e alegre. Na saudade fundem-se os contrários."
D. Duarte
domingo, 15 de novembro de 2009
Da ausência
Falta-nos alguém... aquela pessoa que nós somos realmente...
Por isso, o homem passa a vida a procurar-se...
- Onde vais tu?
- Vou atrás de mim!...
E o desgraçado corre e não descansa! De noite continua a correr... É um lobisomem...
- Repousa, pobre doido!
- Não posso! Morro de saudades por mim!
O que nos aflige e consome é esta ausência em que vivemos de nós próprios, esta distância incomensurável que nos separa do nosso espectro!
É esta saudade que nos mata!
Há quem se embriague para a esquecer. César foi César por causa dela.
E Jesus foi o Messias...
Teixeira de Pascoaes, O Bailado, Lisboa, Assírio e Alvim, 1987, p.44
domingo, 25 de outubro de 2009
Que significa a visão e enigma de Zaratustra?
Liberto do anão que lhe pesava sobre os ombros, o qual, proclama, não conhece e não pode suportar o seu “pensamento abissal (abgründlichen Gedanken)”, Zaratustra detém-se junto de um portal (Torweg, que também significa literalmente “portão louco”), em cujo frontão está inscrito o nome “instante”, onde “se reúnem dois caminhos” frontalmente opostos, que ninguém ainda seguiu “até ao fim”: um estende-se para trás, o outro para diante e ambos duram uma eternidade. Formula então perguntas que simultaneamente se respondem: “Se alguém, todavia, seguisse por um destes caminhos, sem parar e até ao fim, julgas […] que […] se oporiam sempre?”. Contemplando o caminho eterno que se estende para trás, não deverá tudo o que é capaz de correr já o haver percorrido pelo menos uma vez? E não deverá tudo o que pode suceder já haver assim sucedido? Se tudo já foi, não devem também aquele portal, a aranha que rasteja ao luar, o luar, Zaratustra e o anão já haver existido? E não estará tudo tão intimamente interligado que aquele instante não arraste atrás de si todas as coisas futuras, incluindo a si mesmo? Não deverá tudo o que pode correr ter de percorrer uma vez mais o longo caminho que se estende para diante? Não será assim necessário que Zaratustra, o anão e todos percorram esse “longo e temível” caminho futuro e do passado regressem àquele instante?
Ao dizer isto, Zaratustra falava “em voz cada vez mais baixa”, com medo dos seus “próprios pensamentos e da sua oculta intenção”, quando ouve uivar um cão. Tudo se desvanece e encontra-se só perante um jovem pastor que se contorce, com o rosto desfigurado pela repugnância e pelo terror, pois uma forte cobra negra se lhe introduziu na boca, mordendo-lhe a garganta. Começa a puxar pela serpente, sem sucesso, até que uma voz grita pela sua boca: “Morde! Morde! / Arranca-lhe a cabeça! Morde!”. Ao gritar, “espanto, ódio, nojo, piedade”, tudo o que em si “trazia de melhor e de pior”, de si jorrava “num único grito”. Aqui Zaratustra interrompe a narrativa para pedir a todos, “exploradores” e “aventureiros” ou não, que lhe decifrem o enigma daquela visão” que é simultaneamente “previsão”: “Que vi então em imagem? E qual é o que deve chegar um dia?”; “Quem é o homem em cuja garganta se introduzirá assim o que há de mais negro e de mais pesado no mundo?”
Retomando a narrativa, o pastor morde firmemente a cabeça da serpente e cospe-a para longe, levantando-se “com um salto”. Já não é então pastor nem homem: “transformado, transfigurado (iluminado?), ria”, ria como nenhum homem o fez na terra. E o capítulo termina com a confissão:
“Ó meus irmãos! Ouvi um riso que não era um riso humano, e agora devora-me uma sede, uma saudade (Sehnsucht) que nada aplacará.
A minha saudade (Sehnsucht) daquele riso devora-me; oh!, como posso tolerar ainda a vida! E como tolerar agora a morte!”
- Fragmento da comunicação "O Eterno Retorno em Friedrich Nietzsche e Raul Proença", a apresentar no dia 29 de Outubro, no Colóquio "Proença, Cortesão, Sérgio e o grupo "Seara Nova"", que decorre de 28-30 de Outubro no Anf. III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Ao dizer isto, Zaratustra falava “em voz cada vez mais baixa”, com medo dos seus “próprios pensamentos e da sua oculta intenção”, quando ouve uivar um cão. Tudo se desvanece e encontra-se só perante um jovem pastor que se contorce, com o rosto desfigurado pela repugnância e pelo terror, pois uma forte cobra negra se lhe introduziu na boca, mordendo-lhe a garganta. Começa a puxar pela serpente, sem sucesso, até que uma voz grita pela sua boca: “Morde! Morde! / Arranca-lhe a cabeça! Morde!”. Ao gritar, “espanto, ódio, nojo, piedade”, tudo o que em si “trazia de melhor e de pior”, de si jorrava “num único grito”. Aqui Zaratustra interrompe a narrativa para pedir a todos, “exploradores” e “aventureiros” ou não, que lhe decifrem o enigma daquela visão” que é simultaneamente “previsão”: “Que vi então em imagem? E qual é o que deve chegar um dia?”; “Quem é o homem em cuja garganta se introduzirá assim o que há de mais negro e de mais pesado no mundo?”
Retomando a narrativa, o pastor morde firmemente a cabeça da serpente e cospe-a para longe, levantando-se “com um salto”. Já não é então pastor nem homem: “transformado, transfigurado (iluminado?), ria”, ria como nenhum homem o fez na terra. E o capítulo termina com a confissão:
“Ó meus irmãos! Ouvi um riso que não era um riso humano, e agora devora-me uma sede, uma saudade (Sehnsucht) que nada aplacará.
A minha saudade (Sehnsucht) daquele riso devora-me; oh!, como posso tolerar ainda a vida! E como tolerar agora a morte!”
- Fragmento da comunicação "O Eterno Retorno em Friedrich Nietzsche e Raul Proença", a apresentar no dia 29 de Outubro, no Colóquio "Proença, Cortesão, Sérgio e o grupo "Seara Nova"", que decorre de 28-30 de Outubro no Anf. III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
domingo, 23 de agosto de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
Da Saudade e da "Índia de miragem"
“Saudade… […] movimento pendular do coração lusíada entre a pátria e todas as Índias que se atingem e aquela Índia de miragem, que não é nenhuma destas e sempre se procura e deseja, quando estas se nos deparam; incessante movimento do coração do homem entre as terras e os céus visíveis e um Céu e uma Terra que apenas se pressentem na misteriosa polarização de toda a nossa alma”
– Leonardo Coimbra, “Sobre a Saudade”, in Dispersos. III - Filosofia e Metafísica, compilação, fixação do texto e notas de Pinharanda Gomes e Paulo Samuel, nota preliminar de Francisco da Gama Caeiro, Lisboa, Editorial Verbo, 1988, pp.137-138.
– Leonardo Coimbra, “Sobre a Saudade”, in Dispersos. III - Filosofia e Metafísica, compilação, fixação do texto e notas de Pinharanda Gomes e Paulo Samuel, nota preliminar de Francisco da Gama Caeiro, Lisboa, Editorial Verbo, 1988, pp.137-138.
sábado, 30 de maio de 2009
Cioran: Música, êxtase e saudade
"S.J.: - Em resumo, a música confronta-nos com este paradoxo: a eternidade entrevista no tempo.
C.:É com efeito o absoluto captado no tempo, mas incapaz de aí permanecer, um contacto simultaneamente supremo e fugitivo. Para que permanecesse, seria necessária uma emoção musical ininterrupta. A fragilidade do êxtase místico é idêntica. Nos dois casos o mesmo sentimento de incompletude, acompanhado por uma mágoa dilacerante, por uma nostalgia sem limites.
S.J.: Esta nostalgia é precisamente o fundamento da vossa visão do mundo. Como a definiríeis?
C.: “Este sentimento liga-se em parte às minhas origens romenas. Ele impregna ali toda a poesia popular. É uma dilaceração indefinível que se diz em romeno dor, próxima da Sehnsucht dos Alemães, mas sobretudo da Saudade dos Portugueses”
- Cioran, Entretien avec Sylvie Jaudeau, Entretiens, Paris, Gallimard, 1999, p.230.
C.:É com efeito o absoluto captado no tempo, mas incapaz de aí permanecer, um contacto simultaneamente supremo e fugitivo. Para que permanecesse, seria necessária uma emoção musical ininterrupta. A fragilidade do êxtase místico é idêntica. Nos dois casos o mesmo sentimento de incompletude, acompanhado por uma mágoa dilacerante, por uma nostalgia sem limites.
S.J.: Esta nostalgia é precisamente o fundamento da vossa visão do mundo. Como a definiríeis?
C.: “Este sentimento liga-se em parte às minhas origens romenas. Ele impregna ali toda a poesia popular. É uma dilaceração indefinível que se diz em romeno dor, próxima da Sehnsucht dos Alemães, mas sobretudo da Saudade dos Portugueses”
- Cioran, Entretien avec Sylvie Jaudeau, Entretiens, Paris, Gallimard, 1999, p.230.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Saudade
Eis-me de volta: olá a todos. Agradeço desde já a Paulo Borges por me dar a (segunda) oportunidade para escrever neste espaço. Pensei, para este primeiro post, alterar uma letra dos Xutos & Pontapés, de "só sei que amar é querer-me a mim" para "só sei que amar é querer-te a ti". Feito. Agora, interrogo-me catarticamente sobre o que será a saudade, tão falada neste espaço. Pergunto, então: o que é a saudade? E será um sentimento exclusivamente português? Estamos já a avançar que é um sentimento e a resposta à segunda pergunta é: não, a saudade não é um sentimento exclusivamente português. Penso que sente saudade todo aquele que ama, no presente, e que se encontra apartado do "objecto" amado. Posso estar errado, mas julgo que é quase como o ciúme, sentimento possessivo, distinta da melancolia, sentimento difuso que nos aproxima da apatia. E como distingui-la da nostalgia? Não é a nostalgia o rememorar de momentos passados? E, quando nostálgicos, dizemos - ah... saudade! Li, algures, que a saudade é uma mistura de memória e desejo, o que é bastante óbvio - memória do "objecto" amado, desejo de o ter de novo. Penso, sobretudo, que sente saudade quem ama e que essa saudade é a vontade de ter presente o "objecto" ausente que tanto ama. Talvez fosse interessante distinguir entre estes três sentimentos: saudade, nostalgia e melancolia.
domingo, 22 de março de 2009
O Estrangeiro
"O estrangeiro é o que vem de outro lado e não é daqui. Para aqueles que são daqui, é pois o estranho, o inabitual e o incompreensível; mas o seu mundo, esse, é também completamente incompreensível para o estrangeiro que vem habitar aqui; é como uma terra estranha onde ele se encontra longe do seu país. Suporta então o destino do imigrado; é isolado, não é protegido, não é compreendido e não compreende, tudo isto numa situação plena de perigo. Angústia e saudade da pátria fazem parte da sua sorte"
- Hans Jonas, La Religion Gnostique, Paris, Flammarion, 1978, p.73.
- Hans Jonas, La Religion Gnostique, Paris, Flammarion, 1978, p.73.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Deus e Adeus: "o mesmo grito da Saudade"
"Que distância entre Deus e Adeus? Representam o mesmo grito da Saudade, que é a dor da solidão, a ânsia de eterna convivência, tão entranhada no efémero do nosso ser! A palavra Deus, como a palavra Adeus, não exprime qualquer ideia, mas um desejo ou força, irrompida, através de nós, do íntimo das coisas"
- Teixeira de Pascoaes, Napoleão, Porto, Livraria Tavares Martins, 1940, p.322.
- Teixeira de Pascoaes, Napoleão, Porto, Livraria Tavares Martins, 1940, p.322.
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