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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
sobre a solidão
"Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias da casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente"
João Manuel Serra, o senhor do adeus
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Emotion, Memory and the Brain

CORTICAL AND SUBCORTICAL PATHWAYS in the brain - generalized from our knowledge of the auditory system – may bring about a fearful response to a snake on a hiker’s path. Visual stimuli are first processed by the thalamus, which passes rough, almost archetypal, information directly to the amygdala (red). This quick transmission allows the brain to start to respond to the possible danger (green). Meanwhile the visual cortex also receives information from the thalamus and, with more perceptual sophistication and more time, determines that there is a snake on the path (blue). This information is relayed to the amygdala, causing heart rate and blood pressure to increase and muscles to contract. If, however, the cortex had determined that the object was not a snake, the message to the amygdala would quell the fear response.
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Emotion, Memory and the Brain
The neural routes underlying the formation
of memories about primitive emotional
experiences, such as fear, have been traced
by Joseph E. LeDoux
The neural routes underlying the formation
of memories about primitive emotional
experiences, such as fear, have been traced
by Joseph E. LeDoux
SCIENTIFIC AMERICAN June 1994
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Passar-se-á o mesmo, tomando por hipótese que a serpente, não é uma serpente mas sim, um indeterminado infinito? Nada mais nos restará senão agarrá-lo(a), com (c)alma e, quem sabe, beijá-lo(a) (?)
quarta-feira, 18 de março de 2009
O Sal das Lágrimas
O sal das lágrimas veio do mar há eras atrás, quando eu era um peixe. Trouxe o sal comigo, pois quando rastejei pela areia com pequenas patinhas quase inúteis, não consegui abandonar totalmente o grande azul e trouxe a água e o sal dentro de mim. Já sentia a pele a secar, quase a arder e as escamas a caírem, uma a uma, deixando em mim um rasto de sangue e já tinha tanta, tanta saudade, que ainda hoje me pergunto porque deixei aquela luz azul. Cá fora, antes que eu desse dez passos, milhares de minúsculas criaturas entraram por todos os meus orifícios e mataram-me ali, quase imediatamente. Desovei antes de morrer numa cova na areia e os meus filhos, assim que nasceram, levaram com eles as patas, já tecnologicamente avançadas, a água e o sal. Lembro-me disto agora porque estou longe do mar, morri muitas vezes, mas ainda aqui estou e sempre que choro, lembro-me dele, do mar, tudo por causa do sal que ainda existe nas lágrimas.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A Bailarina Cega II
A revisitação do mais puro amor num jardim de Inverno, junto às folhas emurchecidas dos livros e versosSe afasta o rosto é para não mostrar o teu que no seu está, como no fundo de um lago parado, ternamente desenhado; se mostra leveza é para repousar no seu enlevo o teu cansaço triste; se abre os braços é porque dança ainda a clarividência de um sentimento absoluto na asa da borboleta que nasceu no instante em que num só e único olhar te selou em luz e Amar; se para outro tempo se move e com ele se comove, a bailarina cega, é porque contigo se dirige e expande para todos os ramos dourados da eternidade. E se ouvem, no mesmo silêncio que a ti te faz semear e a ela recolher, em botão as flores de amor, é porque uma mesma voz vos reúne no semear e no gerar. Enquanto semeias no seu corpo as flores, margaridas simples, sem outra cor para além do calor, escutam:
Oh, que atónitos olhos nos contemplam
Nos sorriem, nos dizem: sossegai!
Românticos amantes, viajantes eternos,
Olham por nós na hora que se esvai! (Natércia Freire)
A bailarina cega não sabe, depois de teu secreto aproximar e do teu corpo em seus ramos roçagar, onde ébria de amor deixar seus pés poisar. E o seu sorriso abre em flor, aflora ao corpo, coberta de parras de uma uva pura e branca no seu viçar, é para de ti receber o vinho com que, mulher feita taça a tornas, e a ela como Diónisos te consagrares. Aberto o rosto pelo sorriso, nele corre o teu néctar e o teu fulgor e só nele, então, transcorre o sentimento canto e o encanto do pássaro que vem do teu chamar e edénico modo de a tocar. Repete quando sorri, te sorri, em asas de pássaro, este outro cantar:
Meu rosto, no teu de horizontes, meu corpo, no teu, a flutuar. (Natércia Freire)
E o mar há-de vir para nas vagas brancas de espuma e fúria vos enlaçar. Nas tuas mãos a coroa de flores no corpo abertas e floridas, no seu corpo um só grito para vos confundir às sagradas e antigas águas.
Foi quase morta que, nas margens da sede, jardineiro cego, com um braço em arco, no abraço, à morte uma vez mais a roubaste. O Amor é o dilúvio do tempo. E são ondas onde em canto a enrolas. O Amor é um passo de dança para o mais dentro e o mais fundo do mar. É nas dobras das ondas que a bailarina esconde os sons do teu nome repetido nas vibrantes forças do seu corpo atravessando o vazio do ar.
As ondas são outras bailarinas brancas de braços no ar que ao mais fundo do fundo te vão como a ti, jardineiro cego, visitar. O mar é um jardim vibrante de flores fugazes de luz. É à tua sombra que a bailarina enfeitiçada de braços no ar se vai entregar. Só uma sombra a consegue agarrar…a uma bailarina de braços esticados que vem, do mais remoto tempo, caindo devagar. E tu, estendido em sombra em seu redor vens, com o convite nas mãos e com o canto do pássaro, convidar para em amor dançar. A bailarina veste-se de plumas e corre para te aceitar. Da árvore do paraíso se irão, depois da dança, recordar. Para lá, bailarina e jardineiro cegos, inocentes e dolentes, haverão de regressar. É de lá que vem a unidade que os reúne no dilúvio e no reconhecimento profundo que vem de um certo olhar fechado pelo sentir silente do amar que os arrasta como flores de memória para a espuma cantante do mar.
Depois virá o tempo: a bailarina tomará a palavra para contar e o jardineiro o seu corpo para a evocar num eterno passo de dança nas margens de uma permanente lembrança. O que o jardineiro sabe é que a memória é um jardim povoado por estátuas em estado de dança. Que a lembrança é uma bailarina perdida na duração. É por isso que mesmo distante, o jardineiro a vem, nas margens do mar e dos livros, buscar e salvar. Abraçar. Só o Amor colhe flores no Inverno. Só o Amor, esse jardineiro cego, semeia fores de memória junto às estátuas que em pedra e mármore querem com ele dançar…
sábado, 8 de março de 2008
Casa
Tudo lhe lembrava casa, mas nada o era...
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Que assim seja
Tudo o que conhecemos é mental, porque é conhecido exclusivamente através da mente. Assim, a mente é mediadora entre o eu e o mundo. Mas o que é o eu? Para mim, podendo estar errado, o eu é o equivalente àquilo a que os antigos ou outros chamam alma que, assim entendida, existe. Mas talvez esteja errado; porque talvez o eu seja o conjunto das experiências que vivo e guardo na memória, sendo esta uma parte da mente, se esta sequer as tem. Ou talvez possamos escolher, e o eu seja aquela parte de nós, se sequer as temos, que acolhemos como nossa, com a qual mais nos identificamos... passada, presente ou imaginada. Acima de tudo, mais do que sabermos o que são o eu ou a mente, penso que temos a explêndida oportunidade, porquanto estamos vivos, e a vida tem esplendorosos esgares de luminosidade, de os vivermos, experimentando-os. Que assim seja, meus amigos.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
A vida constitui-se nesse eterno perder
Tudo o que possuímos ou damos como adquirido desaparece para sempre da nossa visão num abrir e fechar de olhos. A vida constitui-se nesse eterno perder, no qual tentamos frustradamente a todo o custo agarrar o que é impossível de ser agarrado. Vivemos saudosos do que fomos e do que imaginámos ser... em suma, numa grande e universal tristeza, por tão implacável cisão. Talvez seja possível vencê-la, pensando-a, talvez qualquer acto mais não seja que um acto de desespero. Fica aqui a referência aos dois caminhos.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
A saudade no vasto oceano da mente
A saudade tem o seu quê de angústia. É amor, memória e desejo - isso já todos sabemos (se eu dissesse algo de novo é que seria de estranhar). Mas o que é a angústia? Não sei bem se é angústia, se a sensação de um vazio interior, a falta do sujeito amado. É tristeza, pela falta do sujeito amado, uma armadilha em que caímos ao querermos, continuamente, relembrar o objecto do nosso amor. Talvez não queiramos, mas sejamos espontaneamente impelidos a tal, tal como espontaneamente imaginamos o que quer que imaginemos. Sim, creio que a mente é como o vasto oceano e os pensamentos ondas que, a tempos, aparecem para perturbar a paz mais ou menos reinante. A saudade tem a particularidade de ser uma onda antagónica, na medida em que é, simultaneamente, prazer e sofrimento e, mesmo mas já não na antagonia, ilusão. Porque, por momentos, iludimo-nos ao pensarmos que estamos com o objecto amado, como quando saímos deste mundo para os imaginados, o que causa um prazer momentâneo, alegria, que tem como pano de fundo um desprazer, tristeza, que não é senão a consciência da falta do objecto amado. Isto não é nada de novo, mas apenas expressão do que estou a sentir - por causa do meu amor louco por um animal! Se nos ensinam...
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