O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

poema e...

Escuta o barco que vai na estrada.
olha como brilha o redondo cio da lua.
demora em mim como um ser quieto.
escreve como quem fode a dor.
escreve a hora que é hora de sonhar.

fala com formas. Se te olho como um número inalcançável ou sonda que abala a terra, é porque existe um verbo que por nenhuma boca passou.sonho-te como um acreditado em OVNIS. como um inocente que se oferece para ser condenado. e vejo-te no princípio agora e sempre, amém. Tocas em mim feito nó cego.
algo inseparável. dois filhos unidos pela cabeça. duas rotas encontradas na curva do joelho. dois sóis feitos com a melhor fazenda do universo.

amor, por que me tocas com incendiária melodia. água benta a ressuscitar o meu nome,
e me desejas como um fruto que a terra ainda não deu?
fala-me do berço de todas as lembranças. do embalo suave da manhã, da casca da noz que nos transporta para lá do que é imortal.

vejo-te, e que isso nunca me cegue.
escuto-te. e que isso nunca me faça perder-te de vista.

És a minha visita logo pela manhã. o santuário onde só eu posso entrar. a luz febril na minha carne.
toco-te em animal(sidão). em flocos de sangue a trespassar as suas margens.
depois com os intestinos, com o coração a pedir mais e mais.

a minha raça aumenta. o meu destino torna-se em bagaço mudo. e expludo em selvática melancolia a desejar-te na oblíqua dor.
no vertical amor de vencer todos os tornados, e rompo o teu corpo com um disparo de neve. e torno-me ateu só de olhar a tua nudez

amor, conta-me as estradas,
manda o silêncio para a noite que o pariu, enterra o ciúme na terra e a terra no ciúme.
diz-lhes que estás a matar e a ser morta.
se tapo todos os silêncios do teu corpo,
é porque o meu clarão é uma música que invade, é algo que o Guinesse Book não registou
nem nunca ouviu falar. porque o meu
tesão tem algo de construtivismo.

e assim, amor, sei que vês estrelas polares no céu da minha boca. e sei que sou um filho da puta que te ama mais do que qualquer outro filho da puta

2 comentários:

platero disse...

bonito

quer dizer - gostei

abraço

O cozinheiro solitário disse...

Olá a todos os que vão ler este comentário neste blogue ou noutro muito bom como este. Pois é, estou encantado com todos estes posts bem feitos, quase que desenhados. Pois, eu gostava de fazer igual, mas não consigo. O meu dilema agora é cozinhar… A vida é dura e obrigou-me a morar sozinho, e a cozinha não é de todo o meu local favorito. Mas estou a tentar conhecê-la, mas as aventuras têm sido imensas. Fiz um blog humilde para colocá-las em forma de crónica pouco extensas. Gostava muito que todos vocês o visitassem e se possível o seguissem. É que tentar cozinhar e depois não ser ajudado, é algo muita mau.
Cumprimentos a todos!

http://tenhosalfaltamecolher.blogspot.com/