O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sábado, 8 de janeiro de 2011

"A man who does not think for himself does not think at all" (Oscar Wilde)

7 comentários:

Maria Sarmento disse...

Pior talvez seja ao homem agir de acordo com o pensamento de outro que não pensa por si próprio… que não pensava…( and soo on…) Aí já seria uma questão de degenerescência …Este país está cheio deles!

Agora, eu acho que a frase precisa de contexto, mesmo para o pensamento menos avisado. É uma daquelas frases com que todos facilmente concordam. Perigosa, por isso mesmo. Não será o mesmo para “toda a bicharada”? Por aqui até chimpanzés interagem (desculpa, Fausta! estar-me sempre a meter contigo!) não vamos por isso ofendê-los, só porque não pensam como nós… Isso é que seria uma pescadinha de rabo na boca … Em nome da Liberdade!

Ninguém pensa por si próprio, que não saiba o que isso de “ser homem” é de conceito limitado.
Mas concordo. Acho bem. O que é dito é sentencioso, ocupa volume de som, mas é vazio de conteúdo. Morrer só de Beleza e imaginação! Estou como alguém diz… “menos wilde”… mais wil(d)e…

Agora o que é pensar e o que seja pensar, o que quer que seja que nos pense, isso talvez importa que pensemos o que seja. Ficamos com outro dilema para resolver: quem pensa por si é homem, quem não pensa, não é? (Homem, Pessoa, Ser?) E quem quererá ser isso? Pensa-se mais, agora, em “alguém que nos é” ( é pensamento mais moderno …) do que em ser alguém, mesmo que seja ninguém de outro, em termos disso que seja o que seja.

Enjoo de costumes, de ser “dândi” nos costumes! “Novíssima” decadência do pensamento a que assistimos! Prefiro perfumes de palavras, morro por elas! Sou viciada(o) nelas! Continuamos a sentenciar! Pensemos que pensamos “wilde”… Pensemo-nos a nós.

Talvez seja mais “útil” que pensemos em termos de “Liberdade” e “Compaixão” e em como sair da prisão do pensamento e da “ilusão” dele.

MeTheOros disse...

Para quem pedia contexto à frase, minha Amiga, arranjou Vossa Mercê, muito con-texto.

Quanto ao mais (que é o menos): em inglês, dizer "not to think for oneself" é ainda mais ambíguo do que em português.
Pode significar "pensar por si mesmo".
Pode significar "pensar para si mesmo".

Bem feito! Nem eu sou tão pouco "dandy" como me pintam, nem Oscar Wilde tão degenerado quanto o condenaram.

Eu gosto é de desafiar, desafinar e ... desfiar palavras, que tanto se pensem quanto me calem. "Calavras", portanto!

Quanto aos "chimpan'Zés", prefiro admirar o que neles ... é admirável! Interajam eles, ou não.

Agora, vou tratar de passear o chimpanzé que há em mim. E não pensar de todo. By myself.

Maria Sarmento disse...

Descontextualizando...

Desculpe lá, Metheoros, a minha pouca capacidade de síntese, ando a treinar.

Quanto à ambiguidade da palavra em língua inglesa, vem a resultar em algo semelhante ao que disse antes. Pensar “por si” deve de ser muito diferente de “pensar para si”, daí ser bem feito o desafio ao pensamento.

Onde reside a sede do pensamento? E onde se formam esses mesmos pensamentos? Onde se situa o “self”? Deve de ser ali à esquina do passeio dos “chimpanzés” ao lado dos dandys (isto está bonito, está! :)

Não, não era degenerado. Só o pensa, quem o pensa, seja “por si”, seja “para si”.
Quanto a MeTheOros, não falava “para ele”, nem “por ele”, quanto a isso “de ser dandy”.
Nem me ocorreu isso ao pensamento. Como poderia?

Boa continuação de reflexão, seja em Português ou em Inglês.
Deixe-me perguntar-lhe: É o mesmo “Self” ou tem um para cada língua?

MeTheOros disse...

De repente, não mais que de repente, deu-me assim uma vontade de pensar "por mim mesmo" (eu que gosto é de não-pensar) e não fazê-lo pela cabeça - seja lá onde for a sede do pensadura - deste MeTheOros (quem é?), a quem aliás nem conheço.

Entrementes, e entre mentes, vou mas é tentar achar a tal "esquina do passeio dos chimpanzés ao lado dos dandies". Deve ser uma esquina e tanto. O cruzamento deve resultar em chimpandandies e em dandizés.

Grato pela sugestão.
A Maria deve teve "pensado por si" na coisa. Tal como diz, e muito bem: "Só o pensa, quem o pensa".
Espero que (lhe) com-pense. :))

Maria Sarmento disse...

“De repente, não mais que de repente/ (…) faz-se da vida uma aventura errante”( acho que reza assim), embora não venha a propósito, essa outra de Vinícius, memórias de palavras, apenas… ditas com fervor e “fervura”, deve ser o que os pensamentos devem estar a fazer na panela das palavras:)(desculpe o vocabulário do universo da culinária), mas antes fervam as palavras do que os pensamentos, talvez:))

Gostei dessa do cruzamento e dos termos inventados, o efeito é cómico. Se era o efeito pretendido, sucesso total. Acrescento, sem a sua graça, evidentemente: os “dandizés” não têm lenço e os “chimpandandies “esqueceram-se do anel.:))É a vida da cidade grande, sempre em agitação!...

Ache-a, a essa equina, MeTheOros, e depois diga-me o que pensa um homem que ninguém sabe quem seja, sobre seja o que for,“para si” ou “por si”.

Grata também pelo sorriso :)

platero disse...

já agora, ainda de bem que vim aqui, por falar em "penso" vou tomar o meu das 6. a chamada merenda.
escrevi m e r e n d a

porque de fato (c?)sem penso não há vida - como dizia o colega de amigo MeTheOrus.
embora, ao contrário do que o filósofo afirmava, pensar não é suficiente para existir.
talvez melhor:
existo, logo "pensos"
não, também, os rápidos evidentemente. Nem os higiénicos.

e como já meti suficientemente os pés pelas mãos, é mesmo altura de ir pensar. For myself, como pensaria o outro.

bom SOL vos alumie/aqueça
aos dois

Maria Sarmento disse...

Não meteste nada "os pés pelas mãos", Platero. Estiveste bem. Apenas usei a provocação, sem graça nenhuma. Reconheço. Merecem-me ambos a mais nobre consideração e Amizade.

Também aprecio a obra de Oscar Wilde e a citação aqui deixada por MeTheOros, merecia outros comentários da minha parte...

Que me desculpem os dois, a "brincadeira de mau gosto"!
Apesar de achar que tenho a atenuante de também não me ter sabido explicar bem. "Mea culpa".

Fui "mazinha".
Desculpem-me o "mau génio".
P.S. Acreditem que a palavra de verficação era "culpi", apenas se enganaram no "i"....