O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 31 de agosto de 2010

O que penso

A noite longa;
O rumor da água
Diz o que penso.

- Gochiku

2 comentários:

platero disse...

muito bonito

abraço

Maria Sarmento disse...

Chamamos-lhe poesia natural, ou ensinamento do "real" chamem-lhe forma fixa, ou o que seja, será sempre, Paulo, "a noite longa;/O rumor da água/Diz o que penso./

O Zen da escrita, o Tao do que interrompe o pensamento e se distrai de si e diz ao rumor da água que diga à noite longa o rumor do que penso, aqui. Não porque a noite seja longa ou o pensamento curto ou cortado, ou o que seja do que, pensado, já foi.
Eis o pensar natural do "levantar do vento" filosofia do avesso do re.verso...

Abraço de gratidão, Paulo.
Gosto muito de Bashô, muito,tão bem...