O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

de manhã nas PISCINAS


esplendor sobre a relva
:
toalhas coloridas de meninos
flores amarelas de dente-de-leão
nascidas nem se sabe de onde

borboletas brancas
esvoaçando à procura de pólen

dente-de-leão devia ser tomada
por rainha
de resistência à roçadora de erva
:
entre dois cortes
esta Sisifo das flores
floresce

-nanogirassóis
amarelos e despenteados
pela pressa de afirmar-se

vindo do banho
um menino pega uma
sem a arrancar
e cheira-a

pergunto-lhe: cheira bem?

- sim - responde
:
cheira à cor do SOL

5 comentários:

Anaedera disse...

dente-de-leão,
Esse milagre medicinal em forma de planta,
poemas de Platero,
sempre bons de ler.

platero disse...

beijinho matinal

grato pela leitura

Rui Miguel Félix disse...

Está aqui implícita essa Origem, creio. No fundo misteriosa, em suma transparente e clara, percorrida que é pela leveza das ideias, é infante quando se enforma nas mãos de um menino e logo juvenil quando o seu olhar a alcança. Aos olhos desse menino a resposta desvelada é já de si adulta, e de poucas ou nenhumas explicações precisa. O menino, dá-nos essa solução, juntando num simples acto os cinco sentidos com os quais se constrói a intuição.

O poeta é o espectador atento que brilhantemente nos reconta a história do espectáculo, com poucas palavras, ademais, só uma, tal como o poema único com o qual as flores se revestem.

Gostei particularmente desta pequena grande história amigo.

Continuação! :)

Lívia Azzi disse...

Borboletas, flores e luzes... Muito contribuem para percepção dos sentidos...

Cadê o link para seguir? Gostei do seu espaço!

platero disse...

LIVIA AZZI

estou diariamente no BLOG

"h-ortografias"

tente. Gostarei de a ver por cá.
beijinho