O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 31 de maio de 2010




“A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.

O sal do mar percorre a tua língua,
não são de mais em ti as coisas mais.

Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra.

A mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar,
os olhos densos de cada dia um só.

Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo? “

Pedro Tamen, A Luz que Vem das Pedras

1 comentário:

Isabel disse...

Receba silêncio como agradecimento. Emociona este poema. Espalha sementes de bom gosto por onde passa. É uma semadora como as de Van Gogh...deixa ser espalhado pelas páginas e isso é de uma dignidade que aquece o coração dos que vivem nus na Terra.