O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

para Saudades - que tem estado com febre - DESENHAR UM CAVALO

há que desenhar um cavalo
:
bucéfalo
babieca

pegaso
buraq
rocinante

pintar-lhe asas de pássaro
flamingo pelicano

desenhar um cavalo
que conheça
o rumo de Zenith

desenhar
e montá-lo

2 comentários:

Maria Sarmento disse...

Comovida, com(o)vida, agradece.

Montar esse cavalo na febre dos cabelos/ Chamar-lhe o insondável bosque/ luz dilacerada/ Sol a pique montado/ Sem rumo cavalgado/Chamar-lhe Sem Nome/ E ainda assim soltá-lo/ para que voe ou suspendido salto/ Entre um rumor de brisas se desenhe a nuvem/ Que aos pés do cimo dos céus/ Guarde/ Em si mesmo o trote e o galope/ De tão aventurado riso/ Ou flauta ardente.

(Saiu assim, mais rápido do que a luz, este fulgor que me trazes. Em agradecimento.)

Grata, grata, por esse belíssimo desenho. Não o estrago, aperto-o na mão, que não é meu. Que nem é minha.

Beijinho. Agora estou fanhosa, mais do que febrosa... não ranhosa, que isso não é estado de poeta!

platero disse...

fiquei com os olhitos húmidos

obrigado por tanto

Um dia
sem que ninguém dê por isso
as palavras se encontrarão
para desenhar caminhos

beijinho ex-febril