O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Paraíso Perdido

Canto IV 356-375

Quer onde o Sol, em todo o giro diurno,
De luz e de calor os campos enche, -
Quer onde a sombra de contiguas ramas
Lindos passeios ao mei’dia tolda.
Este sitio feliz todo era encantos;
De perspectivas mil se matizava:
Aqui, formando deleitosas ruas,
Sempre florentes arvores destilam
Preciosas gommas, balsamos cheirosos;
Brilham de outras alli pendentes fructos
De casca de oiro, de sabor insigne,
Realizando-se alli, alli somente,
Quanto as Hesperias fabulas divulgam.
Eis se interpõe um valle, uma planície
Onde alva mansa grei pasce a verdura;
Ou crespo oiteiro de suberbas palmas;
Ou regadia várzea em que amplas moitas
Das todas a ufania ostentam,
Entre as quaes sem espinhos se ergue a Rosa.                
  
Milton. 1884. Paraíso Perdido. David Corrazzi – Editor. Lisboa. pp 123-124

 à Poetiza dos Jardins 
e ao seu canto de Saudade

2 comentários:

saudadesdofuturo disse...

A minha gratidão é uma nova rosa plantada em um jardim imaginário e saudoso desse mesmo jardim, de onde a luz do meio dia eterno brilha, tão só para dar sombra aos que, sentados no jardim,contemplam as folhas que, vagarosas, em Outono cantam, fitando o Oceano eterno, entre silêncios.
No banco sombrio que ainda lá está nos guarda a todos de tormentosas mágoas, esse brilho solar. Nos acende uma Rosa no peito, a flor da Amizade.

Grata e "um abraço destes braços" e um sorriso.

rmf disse...

Um abraço também.