O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

para Ethel,




Que farei no Outono quando ardem
as aves e as folhas, e se chove
sobre o corpo descoberto que arde
a água do Outono,

Que faremos do corpo e da vontade,
e de o submeter ao fogo do Outono
quando o corpo se queima, e quando
o sono sob o rumor da chuva que se desfaz,

Tudo desaparece sob o fogo,
tudo se queima, tudo prende a sua
secura ao fogo, e cada corpo vai-se,

Prendendo ao fogo raso,
pois só pode arder imerso,
quando tudo arde.

de Gastão Cruz

3 comentários:

paladar da loucura disse...

Anaedra,
Só hoje vi. Bonita ficou a manhã depois de ter lido este poema. Muito obrigada.
Beijo
Ethel

Fausta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anaedera disse...

Não tens de quê
e espero que todas as tuas manhãs
sejam
Bonitas!