O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Do patriotismo como hábito de preferir o habitual ao estranho




"Sob análise estética verificamos que o habitual é vivenciado como "bonito". esta é a base do patriotismo: a pátria é mais bonita que qualquer outra situação, precisamente porque a sua estrutura fundante passa despercebida. Toda a irrupção que destrua o hábito, toda a "novidade radical", é vivenciada como "feia", horrível. Esta é a base da xenofobia: o estranho é horrível e deve resistir-se a ele"

- Vilém Flusser, in "Da migração dos povos", inédito publicado em Cultura ENTRE Culturas, nº1.

Colóquio Internacional "Do Diabólico ao Simbólico: a filosofia de Vilém Flusser", Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 3 e 4 de Maio.

Um singular pensador checo, que escreveu algumas das suas obras maiores em português do Brasil. Consultem o programa e excertos no blog. A revista Cultura ENTRE Culturas publica um inédito seu e vai ser de novo apresentada no final do Colóquio, no dia 4, pelas 17.30.

vilem-flusser.blogspot.com

1 comentário:

Rui Miguel Félix disse...

Gosto particularmente do formato da fotografia, demais expressiva, bela por sinal.