a roseira é a mesmaa rosa é que se faz habitar por um gafanhoto .......côr-de-rosa.
que espera um companheiro, um cumplíce, um amante verde - que há-de vir da folhagem verde.
vai ver
Um espaço para expressar, conhecer e reflectir as mais altas, fundas e amplas experiências e possibilidades humanas, onde os limites se convertem em limiares. Sofrimento, mal e morte, iniciação, poesia e revolução, sexo, erotismo e amor, transe, êxtase e loucura, espiritualidade, mística e transcendência. Tudo o que altera, transmuta e liberta. Tudo o que desencobre um Esplendor nas cinzas opacas da vida falsa.
"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".
"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"
- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente
Saúde, Irmãos ! É a Hora !



Às horas mortas gastas e frias,
Aquecidas pelos membros palpitantes
Das vidas fogosas e vazias,
Vejo em teus braços de oiro cintilantes,
Rubis e brilhos e cores que irradias
Na brancura dos mármores contrastantes
Das velhas portas gastas e frias.
E acendo os incensos dos turíbulos
À tua passagem palpitante
Queimando a roupa fina dos vestíbulos
Entre passos acesos, coruscante,
Asas na dança das aras dos prostíbulos,
Sobre os lívidos mármores, triunfante.
Após o canto luzidio das escravas,
Nuvens que exilam balas
De sol, azul de chumbo e transparências
No pano prenhe que cicia do
Cordame altíssimo da chuva.
Pequenos barcos de fumo,
Assim genuínos, do chão
Vão recolher a tradição
Trovejante na poeira
Do arco tenso em grandiosa voz
Que abriu as cordas insuspeitas.
O sol retoca-nos depois o rosto
Molhado num chão de lama seca e
Arrasta os nossos olhos para o mar
Com doçura. Uma noite amadurece
e a brisa puxa do rasgado bolso
Uma cobra infinita,
Mãe de si própria, o país duplo da verdade.


Uma catedral não é uma morada. A Sagrada Família, em Barcelona, é o paradigma de todas as catedrais: perfeitas e inacabadas. O homem só consegue habitar o imperfeito porque acabado. Uma catedral é um lugar, um lugar onde se sente que o criador pode ainda voltar, ou de onde se afastou. Uma catedral é um lugar de onde Deus se ausentou. Ou, simplesmente, onde o criador pode voltar depois, não se sabe quando, nem de que maneira. As rochas aparecidas e consumidas, pela erosão no meio do mar, podem ser pilares, colunas e traves-mestras de uma catedral, acessíveis quase só pelo olhar. A catedral pode estar no que emerge, ou no que se esconde no fundo do mar. É morada de luz e pássaros, de navegadores que rumam para o sul, de peixes, corais e serpentes que dançam com a neve do mar. Uma catedral é uma passagem para a luz, para a claridade que apaga as sombras, as desfaz com os poemas que a Sophia sabia cantar.


“É O que eu me sonhei que eterno dura, / É esse que regressarei.”
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