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quarta-feira, 18 de março de 2009
O Sal das Lágrimas
O sal das lágrimas veio do mar há eras atrás, quando eu era um peixe. Trouxe o sal comigo, pois quando rastejei pela areia com pequenas patinhas quase inúteis, não consegui abandonar totalmente o grande azul e trouxe a água e o sal dentro de mim. Já sentia a pele a secar, quase a arder e as escamas a caírem, uma a uma, deixando em mim um rasto de sangue e já tinha tanta, tanta saudade, que ainda hoje me pergunto porque deixei aquela luz azul. Cá fora, antes que eu desse dez passos, milhares de minúsculas criaturas entraram por todos os meus orifícios e mataram-me ali, quase imediatamente. Desovei antes de morrer numa cova na areia e os meus filhos, assim que nasceram, levaram com eles as patas, já tecnologicamente avançadas, a água e o sal. Lembro-me disto agora porque estou longe do mar, morri muitas vezes, mas ainda aqui estou e sempre que choro, lembro-me dele, do mar, tudo por causa do sal que ainda existe nas lágrimas.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Mensagem
Um lago da Terra emerso.
Azul que se aumenta em todo...
Azul que se aumenta em todo...
Em água-chão d'imenso...
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Ridículo é (o) nada, o sentimento vazio, para quem Ama a Vida: Vive (renovado)
Defender a Pátria é uma invenção, porque é defender uma ideia de Pátria, mas que Pátria é a nossa, seres (?*) vivos da Terra?
Abraçar o Amor -total- é imitar a nossa criação, recriando-nos vivos, é contribuir para o nascimento da Vera, porque plena, Luz da Nova Terra, a Nossa muito desejada Lusitânia.
A minha Pátria é (o) A-mar.
|*estares...|
"Só então Portugal, por já não ser, será."
Agostinho da Silva
Abraçar o Amor -total- é imitar a nossa criação, recriando-nos vivos, é contribuir para o nascimento da Vera, porque plena, Luz da Nova Terra, a Nossa muito desejada Lusitânia.
A minha Pátria é (o) A-mar.
|*estares...|
"Só então Portugal, por já não ser, será."
Agostinho da Silva
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Ave Mãe-Mar
"Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.
Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
Mágoa externa da Terra, choro silencioso do Mundo.
Mãe suave e antiga das emoções sem gesto,
Irmã mais velha, virgem e triste, das ideias sem nexo,
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,
A direcção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, ó mãe, a nossa perdida da vida...
... não sei ser humano, conviver
DE DENTRO da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo ser prático, ser quotidiano, nítido...
(...)
Por isso sê para mim materna, ó noite tranquila...
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência de luz,
Tu que não és uma coisa, um lugar, uma essência, uma vida,...
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, ó noite, sobre a minha fronte...
Tu, cuja vinda é tão suave que parece um afastamento,
Cujo fluxo e refluxo de treva, quando a lua bafeja,
Tem onda de carinho morto, frio de mares de sonho,
Brisas de paisagens supostas para a nossa angústia excessiva...
Tu, palidamente, tu, flébil, tu, liquidamente,
Aroma de morte entre flores, hálito de febre sobre margens,
Tu, rainha, tu castelã, dona pálida, vem...
(...)
Ah, sê materna!
Ah, sê melíflua e taciturna
Ó noite aonda me esqueço de mim
Lembrando...
(...)
Quando eu abandonar o meu ser como uma cadeira donde me levanto
Deixar atrás o mundo como a um quarto donde saio,
Abandonar toda esta forma, de sentidos e pensamento...
Como uma capa que me prenda,
Quando de vez minha alma chegar à superfície da minha pele
E dispersar o meu ser pelo universo exterior,
Seja com alegria que eu reconheça...
um sol... na antemanhã do meu novo ser."
Álvaro de Campos
Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
Mágoa externa da Terra, choro silencioso do Mundo.
Mãe suave e antiga das emoções sem gesto,
Irmã mais velha, virgem e triste, das ideias sem nexo,
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,
A direcção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, ó mãe, a nossa perdida da vida...
... não sei ser humano, conviver
DE DENTRO da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo ser prático, ser quotidiano, nítido...
(...)
Por isso sê para mim materna, ó noite tranquila...
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência de luz,
Tu que não és uma coisa, um lugar, uma essência, uma vida,...
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, ó noite, sobre a minha fronte...
Tu, cuja vinda é tão suave que parece um afastamento,
Cujo fluxo e refluxo de treva, quando a lua bafeja,
Tem onda de carinho morto, frio de mares de sonho,
Brisas de paisagens supostas para a nossa angústia excessiva...
Tu, palidamente, tu, flébil, tu, liquidamente,
Aroma de morte entre flores, hálito de febre sobre margens,
Tu, rainha, tu castelã, dona pálida, vem...
(...)
Ah, sê materna!
Ah, sê melíflua e taciturna
Ó noite aonda me esqueço de mim
Lembrando...
(...)
Quando eu abandonar o meu ser como uma cadeira donde me levanto
Deixar atrás o mundo como a um quarto donde saio,
Abandonar toda esta forma, de sentidos e pensamento...
Como uma capa que me prenda,
Quando de vez minha alma chegar à superfície da minha pele
E dispersar o meu ser pelo universo exterior,
Seja com alegria que eu reconheça...
um sol... na antemanhã do meu novo ser."
Álvaro de Campos
domingo, 17 de agosto de 2008
O Nosso regresso cantado por Sophia...
"Quando eu morrer
voltarei para buscar os instantes
que não vivi junto do mar.
Como ondas do mar dançam em mim os pés do teu regresso.
Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa.
No mar passa de onda em onda repetido
O meu nome fantástico e secreto
Que só os anjos do vento reconhecem
Quando os encontro e perco de repente
O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em quem dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso, solitário e antigo,
Parece bater palmas.
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Reino de medusas e água lisa
Reino de silêncio luz e pedra
Habitação das formas espantosas
Coluna de sal e círculo de luz
Medida da Balança misteriosa
Vem do mar azul o marinheiro
Vem tranquilo ritmado inteiro
Perfeito como um deus,
Alheio às ruas.
O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo, a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem com as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto"
Sophia de Mello Breyner Andresen
voltarei para buscar os instantes
que não vivi junto do mar.
Como ondas do mar dançam em mim os pés do teu regresso.
Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa.
No mar passa de onda em onda repetido
O meu nome fantástico e secreto
Que só os anjos do vento reconhecem
Quando os encontro e perco de repente
O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em quem dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso, solitário e antigo,
Parece bater palmas.
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Reino de medusas e água lisa
Reino de silêncio luz e pedra
Habitação das formas espantosas
Coluna de sal e círculo de luz
Medida da Balança misteriosa
Vem do mar azul o marinheiro
Vem tranquilo ritmado inteiro
Perfeito como um deus,
Alheio às ruas.
O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo, a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem com as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto"
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, 16 de agosto de 2008
O Homem Real será filho do Mar da Terra
O corpo dos animais como o Homem nasce da Mãe-Terra através da ligação estabelecida pelo mar, assim, será através da união do mar da Terra com o mar formado pela também união de homem e mulher que ocorrerá o nascimento do ser humano real, quando o corpo dos pais representar plenamente o corpo-Terra.
Iemanjá, Rainha do Mar
Iemanjá, Rainha do Mar
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Terra Salgada
Da superfície da pele nasce água e sal... lágrimas e su-o-r, ao ser o interior dos olhos ao mesmo tempo exterior, por reflectirem este fielmente. A pele do ser humano é então a própria superfície da Mãe-terra, de onde surge a água do mar, cada ser é uma sua reprodução, no entanto, ainda não nascida, por manter o seu exterior interior à Mãe-terra, somente aliando os dois, se verá a Vida, ao unir-se animal e vegetal num só Reino... o do Mar do Amor, o qual dará à Luz a Terra do Sal*, assim que o exterior do Homem for o exterior da Terra, por o seu interior ser o dela também: quando o que fazem os olhos do Homem o fizer todo o seu corpo, quando para lá das janelas, os olhos, se abrirem as Portas do Corpo, o Coração - da Terra.
"Entre a nossa alma e o nosso corpo há muitas janelas; se estão abertas, deixam passar as emoções, se estão fechadas filtram apenas, só o amor as pode escancarar a todas ao mesmo tempo e de repente, como uma rajada de vento. Quando estão abertas, o corpo ilumina a alma e a alma ilumina o corpo, como num sistema de espelhos."
Susanna Tamaro, "Vai aonde te leva o coração"
|*O sal é o sol da terra.|
Senhora do amor, da fertilidade, do ouro, do "Sol Glorioso", dos rios e das fontes; mulher-menina
"Entre a nossa alma e o nosso corpo há muitas janelas; se estão abertas, deixam passar as emoções, se estão fechadas filtram apenas, só o amor as pode escancarar a todas ao mesmo tempo e de repente, como uma rajada de vento. Quando estão abertas, o corpo ilumina a alma e a alma ilumina o corpo, como num sistema de espelhos."
Susanna Tamaro, "Vai aonde te leva o coração"
|*O sal é o sol da terra.|
Senhora do amor, da fertilidade, do ouro, do "Sol Glorioso", dos rios e das fontes; mulher-menina
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O amor, a união de ondas
O homem e a mulher representam ondas de sentido inverso, espelhadas, que quando se unem formam o mar que são, no útero...
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Sobre lágrimas...
As lágrimas que choramos são salgadas
para chorarmos ao pé do Mar
e lhe devolvermos o que lhe pertence.
O Mar sem sal, não é Mar.
Por isso, nós choramos para haver Mar.
E quando as ondas vêm e vão repetidamente,
elas levam as nossas lágrimas salgadas
e aliviam os nossos olhos.
E, como os olhos são o espelho da nossa alma,
as ondas aliviam a nossa alma também.
(não consegui ir de férias sem postar uma última vez... ;))
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