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domingo, 12 de outubro de 2008
"Achas que a vida foi vida?"
"(...) Portugal continua numa tranquilidade etérea - enquanto a economia se começa pouco a pouco a desfazer e o caos se aproxima."
Vasco Pulido Valente, "Público"
"[citando o pintor Paulo Klee] Como posso eu, cristal, morrer?
A nossa sede de ternura é infinita.
[citando Pavese] Virá a morte e terá os teus olhos."
António Lobo Antunes, "Pública"
Vasco Pulido Valente, "Público"
"[citando o pintor Paulo Klee] Como posso eu, cristal, morrer?
A nossa sede de ternura é infinita.
[citando Pavese] Virá a morte e terá os teus olhos."
António Lobo Antunes, "Pública"
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Com-e-unicar
Porque adoro comer?
Porque a comida não fala comigo, é-me... e é assim que me dá vida.
Tudo o resto, o que não me é - ou o que disso se esqueceu, é nada: adormece-me... mata-me.
Tal como a comida, as palavras deveriam-nos ligar à vida, ligar-nos entre nós e ao mundo. Deveriam alimentar a nossa alma ao conectá-la com a sua Fonte, à união primordial, permitindo que cada um permaneça a ser o que é, renascendo sem cessar do Todo a que pertence.
O que entra, e que alimenta o corpo, deveria, da mesma maneira, ser reproduzido, saindo, alimentando-se a si e aos outros.
Poucas são as palavras saciantes, rara a comunicação que nos reconhece como sua, que nos completa como sendo também nossa, nós. Que nos é.
Faminta anda a alma humana de e por si mesma.
E falar palavras que -nos- vivam? Mas como? Se o Homem se esqueceu que vive. Que analisar a vida é decompô-la... e leva o seu tempo para que regenere: para que se re-genere o Ser-Universo.
Porque a comida não fala comigo, é-me... e é assim que me dá vida.
Tudo o resto, o que não me é - ou o que disso se esqueceu, é nada: adormece-me... mata-me.
Tal como a comida, as palavras deveriam-nos ligar à vida, ligar-nos entre nós e ao mundo. Deveriam alimentar a nossa alma ao conectá-la com a sua Fonte, à união primordial, permitindo que cada um permaneça a ser o que é, renascendo sem cessar do Todo a que pertence.
O que entra, e que alimenta o corpo, deveria, da mesma maneira, ser reproduzido, saindo, alimentando-se a si e aos outros.
Poucas são as palavras saciantes, rara a comunicação que nos reconhece como sua, que nos completa como sendo também nossa, nós. Que nos é.
Faminta anda a alma humana de e por si mesma.
E falar palavras que -nos- vivam? Mas como? Se o Homem se esqueceu que vive. Que analisar a vida é decompô-la... e leva o seu tempo para que regenere: para que se re-genere o Ser-Universo.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Cada Homem fala a Sua língua própria
Agora percebi porque eu, como muitos outros portugueses, aprecio tanto falar com pessoas que não falam a minha língua, ao menos assume-se isso de início e a comunicação faz-se com atenção a esse facto, que se mantém quanto aos falantes do idioma português entre si, pois cada ser humano fala a Sua língua pessoal, cada um usa as palavras de acordo com a sua Alma própria. Ninguém, no fundo, fala a mesma língua, cada Homem fala uma língua distinta, pois mesmo usando as mesmas palavras, o sentido que elas têm para si nunca é o mesmo que para outra pessoa.
A música, essa, fala uma língua universal, pois não remete ao pensamento, mas directamente ao sentimento. No Brasil, o povo, caracteristicamente, fala dum modo que supera a compreensão mental, a alma brasileira fala mesmo a cantar (na Bahia então...), praticamente não é necessário pensar no que se ouve, para entender as palavras daquela gente basta usar os sentidos, basta senti-las, pois elas nascem do coração, mantêm-se originais.
As palavras ligam-nos entre nós, mas o que nos liga às palavras somos nós mesmos. São a ponte que nos liga, mas quem percorre a ponte somos nós, quando nos desentendemos a falar, não é a ponte que deixa de lá estar, nós é que a deixámos de cruzar. Quando deixamos de ser as palavras que falamos a ponte desaparece, pois elas só existem em nós, ao serem o próprio corpo da nossa alma.
A música, essa, fala uma língua universal, pois não remete ao pensamento, mas directamente ao sentimento. No Brasil, o povo, caracteristicamente, fala dum modo que supera a compreensão mental, a alma brasileira fala mesmo a cantar (na Bahia então...), praticamente não é necessário pensar no que se ouve, para entender as palavras daquela gente basta usar os sentidos, basta senti-las, pois elas nascem do coração, mantêm-se originais.
As palavras ligam-nos entre nós, mas o que nos liga às palavras somos nós mesmos. São a ponte que nos liga, mas quem percorre a ponte somos nós, quando nos desentendemos a falar, não é a ponte que deixa de lá estar, nós é que a deixámos de cruzar. Quando deixamos de ser as palavras que falamos a ponte desaparece, pois elas só existem em nós, ao serem o próprio corpo da nossa alma.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Ler é dar de beber à alma
O Leitor Real é o que se torna naquilo que lê, é o que lê amando a escrita e o escritor que vê por detrás dela, ao encarná-lo, porque quem se alimenta de leite não é o que pensa nele, nem mesmo quem para ele olha, mas quem o bebe: quem sacia a alma lendo é quem se esquece de si e renasce de novo, relembrando a sua natureza infinita.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Nasci e vivo con-vencida pelo amor...
Convencer alguém do que digo? Nem a mim me consigo convencer!... Quando dou conta já me convenci antes de me convencer, isto é, apenas reconheço que me convenci... Porque crer com o pensamento apenas pode acontecer a partir da crença com o sentimento, assim, só se crê realmente quando se crê com o sentimento e o sentimento só sabe crer não sabendo como ou em que crê.
Por isso, toda a discussão que seja feita com o objectivo de se convencer alguém é uma brincadeira... pois ninguém se convence conscientemente, assim como ninguém se apaixona por se ter decidido apaixonar. O sentimento convence, o pensamento reconhece.
Quando o pensamento pretende tomar o lugar do sentimento, querendo convencê-lo, o crer* é substituído pelo pensar que se crê, em consequência, o viver é trocado pelo pensar que se vive.
|*crer de acordo com Agostinho vem de coração.|
Por isso, toda a discussão que seja feita com o objectivo de se convencer alguém é uma brincadeira... pois ninguém se convence conscientemente, assim como ninguém se apaixona por se ter decidido apaixonar. O sentimento convence, o pensamento reconhece.
Quando o pensamento pretende tomar o lugar do sentimento, querendo convencê-lo, o crer* é substituído pelo pensar que se crê, em consequência, o viver é trocado pelo pensar que se vive.
|*crer de acordo com Agostinho vem de coração.|
domingo, 18 de maio de 2008

passar a ponte
estabelecer pontos de comunicação, de interesse
estar aqui e dar um passo para ali ficar
Etiquetas:
comunicação,
fotografia,
pontes,
vivência
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