
Yahne Le Toumelin
Um espaço para expressar, conhecer e reflectir as mais altas, fundas e amplas experiências e possibilidades humanas, onde os limites se convertem em limiares. Sofrimento, mal e morte, iniciação, poesia e revolução, sexo, erotismo e amor, transe, êxtase e loucura, espiritualidade, mística e transcendência. Tudo o que altera, transmuta e liberta. Tudo o que desencobre um Esplendor nas cinzas opacas da vida falsa.
"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".
"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"
- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente
Saúde, Irmãos ! É a Hora !

Quando alguém a olhava depois dos estados musicais, de ter dançado e experimentado a embriagante melodia do mundo, M., pedia sempre os poetas mais incomunicáveis. A poesia mais nua e despida de sentido. A poesia que ela repetia para colocar entre os actos.

Trago-vos um extracto do filme Copying Beethoven com os actores Ed Harris e Diane Kruger nos papéis de Beethoven e Anna Holtz, uma jovem compositora, copista.
É só um pedaço entre vários, emocionantes, como a estreia da 9ª sinfonia e Beethoven a ditar a Anna o Hino de Acção de Graças. A fotografia é preciosíssima.
(diálogo entre Anna Holtz e Ludwig Beethoven, a propósito da grosse fuge)
A.H. - Não compreendo, onde termina o andamento?
L.B.- Não termina, flui. Temos de parar de pensar em fim e em princípio – isto é uma coisa viva – como nuvens tomando forma ou a sucessão das marés.
A.H. Mas como funciona, musicalmente?
L.B.- Não funciona, desenvolve-se. O primeiro andamento torna-se no segundo. À medida que cada ideia morre, nasce uma nova.
A Anna compõe obcecada pela estrutura, por escolher a forma correcta. Mas tem é de escutar a voz que fala dentro de si. Eu próprio só a ouvi depois de ficar surdo.
A.H.- Diz que tenho de encontrar o silêncio dentro de mim antes de poder ouvir a música?
L.B.- Isso mesmo. Isso, o silêncio é a chave. O silêncio que existe entre as notas. É quando estiver rodeada por esse silêncio que a sua alma poderá cantar.
Se estiver interessado em Cursos de Introdução à Meditação Budista e ao Budismo, bem como sobre outros temas, como Religiões Comparadas, Fernando Pessoa, Mestre Eckhart, Saudade, Quinto Império, contacte: 918113021.