O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Na Sé foram as nossas juras de amor
Debaixo da cruz entreguei-me
fazendo jus ao pecado
Abri as pernas e tu choravas
a dor que se adivinhava
despi meus seios
semeei meu leite na tua boca
feito a Virgem Maria.
Na Sé foi o fim do amor
desencontrado no acto
Enquanto te vinhas eu gritava: PARTO!

A viúva chorava a morte tardia do marido embuchado
O cego cantava numa ladainha riscada:
-Senhora dá-me teu leite que também tenho sede

E o orgasmo? O que é feito dele?
Miragem do passado. PARTO

- mas e o fim começou na sé? qual fim? qual sé?
- trocadilhos da mente que as vezes se escapam

10 comentários:

platero disse...

gosto muito da primeira "estrofe" até
PARTO

o resto não me parece tão espontâneo

paladar da loucura disse...

então retira o que não gostas e fica com o te dá prazer :-) este poema tem uns 10 anos. Partidas da mente...

Isabel Metello disse...

Paladar da Loucura, perdoe-me a franqueza, mas como Cristã e segundo a interpretação que fiz das suas palavras, não gostei, aliás, detestei- creio que o respeito pelo Sagrado alheio deve ser actualizado com rigor, mesmo na poesia...repare, isto não é pudor de falsa beata, até porque julgo que o acto entre um homem e uma mulher se assente no Amor pode e deve ser Transcendente...

paladar da loucura disse...

este poema faz parte de um longo texto, assim extraído pode ser que esteja descontextualizado. Não quero agredir, nem desrespeitar ninguém. De todo, não é essa a minha intençaõ. Há um lado catártico, onde o amor se aproxima do sagrado. esse onde nos esgotamos, perdendo-nos e reencontrando-nos. há aqui um enorme desencontro, contraponto de todo o encontro que acontece no universo do sagrado. abrir as pernas e fazer jus ao pecado, como a procura incessante do amor. espero que me compreenda, Isabel.
Um beijo
Ethel

Isabel Metello disse...

Ethel, se assim o é, então, interpretei mal, pois tb eu julgo que o Amor entre um homem e uma mulher é a ponte para a Transcendência, actualizada em momentos em que duas almas se tornam numa, o que é raro, mas acontece. A banalização objectivada ocidental de certos conceitos orientais que assentam no Amor como catalisador do alcance de um estado espiritual purificador, de facto, levou muita gente a instrumentalizar o não instrumentalizável. Acredito piamente que quando um casal se une por Amor tal é um Acto Divino e como tal, Digníssimo :) bjs, Ethel, mas não poderia deixar de ser franca

Ferro Velho disse...

Conversa da treta. Muito espiritual.

Isabel Metello disse...

Vá-se catar! Esta é mais pragmática! :)

Isabel Metello disse...

E ao catar-se, aproveite para higienizar a anima = alma, pois transborda negatividade...por vezes, tem piada como aquelas persnagens tipo Madame Mim ou Maga Patológica, mas outras parece vinda de um filme de terror com carpideiras sicilianas...

Ferro Velho disse...

Vou tratar-te por "você" quando mereceres.

Isabel Metello disse...

Obrigadita, ó Meeeeeeeeeeeeeeeeeestre das Garras Afiadas, fico tão emocionada que até floresceu em mim um abacate!