O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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terça-feira, 13 de julho de 2010

-outras formas de poesia-




“toma lá este
lencinho com
um raminho
de flores
eu bemsei
a quem o bou dar
a quen tem outros
amores”

em,
Lenço do Amor
Bordadeira: Alice Caldas – Aliança Artesanal

domingo, 23 de março de 2008

Nam-Myoho-Renge-Kyo

«Kossen rufu significa criar uma sociedade de paz. Esse termo foi criado através da base filosófica de Nitiren Daishonin. Para se atingir essa etapa (Kossen Rufu) é necessário que cada ser humano faça sua própria revolução humana (outro termo que significa revolucionar o seu lado interior) para conseguir a felicidade absoluta, com base no Daimoku(Nam-Myoho-Renge-Kyo) e nos estudos sobre o budismo de Nitiren Daishonin e com ações que visem uma sociedade melhor.O termo rufu, de Kossen-rufu, significa “fluir como um rio poderoso” ou “espalhar-se como um enorme tecido”. Isso significa difundir-se ou fluir por toda a humanidade. Kossen-rufu não é o ponto final de um processo, mas sim o próprio processo, o fluxo. Não existe um destino especial, uma conclusão do Kossen-rufu. Podemos falar de forma metafórica sobre o que é o Kossen-rufu, mas na verdade não existe uma forma definitiva.»

(wikipédia)

sábado, 15 de março de 2008


A causa da derrota não se encontra no obstáculo ou no rigor das circunstâncias; está no retrocesso na determinação e na desistência da própria pessoa.

Se falasse em dificuldades, tudo realmente era difícil.

Se falasse em impossibilidades, tudo realmente era impossível.

Quando o ser humano regride em sua decisão os problemas que se erguem em sua frente acabam parecendo maiores e confundem-no como uma realidade imutável.

A derrota encontra-se exatamente nisso.

(Daisaku Ikeda)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tudo isto é lindo

Não procuro o incriado, o tal nada diferente de coisa nenhuma, por oposição ao criado. Na verdade, agora que penso, fascina-me mais o nada que é coisa nenhuma, o inexistente, do que o incriado. Sim, o incriado envolve-me nos mais loucos delírios e iluminações mas, como estou agora, e só como agora estou posso estar, fascina-me absolutamente mais nada que é coisa nenhuma, o inexistente, o que poderia ter existido mas que não chegou a existir. Nas visões que temos, vermos o que não pôde ser visto, porque não chegou a acontecer. Neste sentido, a vida é não só feita de um eterno perder, desde amados a ilusões, mas de um enorme nada, de um não vir a ser. E isso, mais do que entristecer-me, comove-me, porque tem uma beleza e potência tais escondidas, ou mesmo visíveis, que só os poetas podem descrever. Tenho plena consciência de que sou não só fruto do que fui mas, também, e quem sabe se com igual ou maior pujança, do que não fui. Tudo isto é lindo, sentimentos (tristezas, alegrias), inexprimibilidades (perdoem-me a palavra horrenda). Mas quem sou eu para afirmar tanto? Um em seis biliões, uma cosmovisão. Paz.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Morte às ambições

Regressei da minha querida paz alentejana para o bulício, que detesto, da cidade. Por questões profissionais, bem vistas as coisas, ainda não tinha arranjado trabalho no Alentejo. A cidade é o lugar onde todos querem enriquecer e um lugar que nasce não da procura do encontro de culturas e mundividências, mas da vontade de sobrevivência. Por isso, é um lugar repleto, infestado, de ganância e ambição carreirista, que a mim passam ao lado, até ao dia em que seja infectado por tão portentoso vírus. Não me sinto triste, porque a cidade não dá azo a grandes tristezas mas, simplesmente, fodido - deixem-me fugir da hora de ponta, esse limiar representativo de tudo o que é mau, sensorial e inteligivelmente, e viver o sonho de uma imensa cidade pacificada pela deserção. Morte às ambições!