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sábado, 26 de junho de 2010
"Fazer amor sem verter o sémen"
Ao fazer amor sem verter o sémen, o homem fortalecerá o corpo. Se o fizer duas vezes, aumentará a acuidade visual e auditiva. Se três, desaparecerão todas as suas doenças. Se quatro, terá paz de alma. Se cinco, revitalizará o coração e a circulação. Se seis, os quadris tornar-se-ão mais fortes. Se sete, as nádegas e coxas torna-se-ão mais potentes. Se oito, a pele poderá ficar mais suave. Se nove, alcançará a longevidade. Se dez, será como se fosse imortal.
Su Nu ao Imperador Amarelo
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domingo, 2 de maio de 2010
"o seu bem será o bem alheio"
A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras.
Hei-de vê-lo depois despido de egoísmos, atento somente aos motivos gerais; o seu bem será o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
- Agostinho da Silva, in Considerações
Hei-de vê-lo depois despido de egoísmos, atento somente aos motivos gerais; o seu bem será o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
- Agostinho da Silva, in Considerações
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
"Eis que a palavra cresce de dentro da palavra"
In Yvette K.Centeno, "Irreflexões", Edições Ática, Lisboa, 1974, pág. 136.
Noutro passo da mesma obra, a autora escreve - o que, creio, com isto igualmente se relaciona:
"Não se deve dizer o amor que se tem.
Não sei se dizer liberta ou precipita".
Noutro passo da mesma obra, a autora escreve - o que, creio, com isto igualmente se relaciona:
"Não se deve dizer o amor que se tem.
Não sei se dizer liberta ou precipita".
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Na «Brasileira» - Coimbra
Vivo - cristais de tempo - sobre
a mesa deste café que
sem tristeza e sem esperança
sou por vezes, fumando um cigarro
tomando a bica
e na pele imaginada
do corpo tocando
é a tua morte que
imagino e sei
morres - tão perfeito
como pássaros desenhando
círculos
(com o compasso)
e sobre os anos
deslizamos - tristes e suaves
metafisicamente sendo
(única capacidade não perdida)
e este desejo sem força
só compensado na paisagem
é a libertação que me ofereço:
poema dilatado pela vida!
Graça Patrão, Diálogos com o Ser, Edições Minervacoimbra, Coimbra, 2008, p.108
a mesa deste café que
sem tristeza e sem esperança
sou por vezes, fumando um cigarro
tomando a bica
e na pele imaginada
do corpo tocando
é a tua morte que
imagino e sei
morres - tão perfeito
como pássaros desenhando
círculos
(com o compasso)
e sobre os anos
deslizamos - tristes e suaves
metafisicamente sendo
(única capacidade não perdida)
e este desejo sem força
só compensado na paisagem
é a libertação que me ofereço:
poema dilatado pela vida!
Graça Patrão, Diálogos com o Ser, Edições Minervacoimbra, Coimbra, 2008, p.108
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sábado, 22 de agosto de 2009
A dualidade dos tolos
"Os tolos projectam erroneamente escravidão e libertação, que são atributos da mente, sobre a Realidade, tal como a sombra lançada sobre os olhos por uma nuvem [é projectada sobre] o próprio Sol. Pois esta imutável [Realidade] é Consciência não-dual e livre" - Shankara, Viveka-Cudamani, 571.
sábado, 25 de abril de 2009
Lisa Gerrard: Now We Are Free
Infelizmente a incorporação do vídeo foi desactivada. Mas sigam o link e vejam em alta definição. É simplesmente lindo!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Lusofonia, o desafio da Viagem, a verdadeira Revolução
Excerto do "Diálogo Inacabado", de Maria Beatriz Serpa Branco
Recordar um amigo é como contemplar uma paisagem que guardamos viva, para lá do ilusório tempo da memória.
Nessa paisagem, Vergílio Ferreira aparece como um companheiro de viagem: a viagem de Édipo que como todo o ser humano repetimos, quando aceitamos enfrentar o desafio da Esfinge, relativamente à nossa condição.
Tal como Édipo, escutávamos a questão posta pela Esfinge. Mas, diferentemente dele, não tínhamos a resposta, segregada por certo pelos deuses, para que se cumprisse um destino já traçado. Restava-nos tactear no escuro, onde o diálogo por vezes iluminava as sombras...
Uma das mais gratas e comoventes recordações que guardo de Vergílio Ferreira é a seriedade do seu desejo de encontrar um Real mais profundo, que pressentia para além da superficialidade em que geralmente gastamos e destruímos as nossas vidas. E igualmente comovente para mim era a sua angústia velada perante um «espelho» que lhe não mostrava o Real que procurava, e em que parecia não ser capaz de penetrar."
[...]
O Vergílio gostava de repensar connosco algumas das modernas correntes do pensamento Ocidental. As minhas propostas de reflexão eram menos abstractas e mais vivenciais. Estavam sobretudo ligadas a uma Filosofia a que Aldous Huxley deu o nome, hoje consagrado de Filosofia Perene - uma sageza intemporal perpetuada quase sempre anonimamente por homens e mulheres em vários lugares da Terra e representada, por exemplo, por notáveis filósofos gregos (Pitágoras, Sócrates, Platão e outros), pela antiquíssima sageza conhecida como Theo-Sophia, por sages e místicos, ditos budistas, tauistas, hinduístas, judeus, cristãos, muçulmanos, etc, mas todos libertos de fronteiras, de dogmas e credos separando os homens.
Uma sageza - ensinamento nascido do autoconhecimento e da afeição - procurando libertar os seres humanos da ignorância de si mesmos que os acorrenta ao sofrimento.
Nos nossos dias, essa sageza adquire uma expressão particular com o filósofo-educador J. Krishnamurti, a cujo ensinamento Aldous Huxley se refere como «o que de mais impressionante já ouvi». E Henry Miller convida-nos também a «escutar» Krishnamurti, considerando-o como «um mestre da realidade».
Não só escritores e intelectuais de renome, mas também cientistas eminentes chamam a atenção para esta nova expressão, completamente independente e original, da Filosofia Perene, interessando-se vivamente pela investigação na consciência, realizada por Krishnamurti. Uma investigação que vai à raiz dos problemas humanos - a mente do homem. Uma mente com potencialidades imensas mas que está aprisionada numa rede de condicionamentos socioculturais que a tornam mecânica, insensibilizada, deformada - pelo hábito, o egoísmo, os preconceitos raciais, nacionalistas, etc. - o que causa enormes sofrimentos, miséria extrema, conflitos cada vez mais destruidores.
Daí a necessidade de uma revolução psicológica radical pelo autoconhecimento que, libertando a mente, a pode levar a funcionar numa dimensão totalmente diferente.
O físico Fritjof Capra, um dos cientistas interessados nesta pesquisa, diz: «Não posso deixar de reconhecer a influência decisiva que o ensinamento de Krishnamurti exerceu sobre mim». E outro desses cientistas, David Bohm, um dos grandes inovadores da Física moderna, salienta: «A obra de Krishnamurti está permeada por aquilo a que se pode chamar a essência da abordagem científica, quando esta é considerada na sua forma mais elevada e pura (...) A Proposta fundamental que ele apresenta é que todo o sofrimento e a enorme infelicidade que vemos existir por toda a parte têm a sua raiz num facto: a ignorância que temos de nós mesmos, da natureza dos nossos próprios processos de pensar».
A minha própria constatação desta realidade era a base da reflexão que gostava sempre de intriduzir no diálogo com o Vergílio, em face das sombras que frequentemente lhe habitavam o olhar. Sombras a que por vezes chamava de «dissonâncias» [...]
Devido à presença dessas sombras e para aprofundar a nossa reflexão no sentido de um percurso que poderia ser libertador, já alguns anos antes dos nossos últimos diálogos, lhe tinha dado para ler um livro de Krishnamurti - talvez A Primeira e Última Liberdade ou Libertar-se do Conhecido (no original, respectivamente, The First and Last Freedom e Freedom from the Known).
Era um proposta de uma surpreendente viagem interior, fora dos habituais padrões de pensamento em relação a nós mesmos. Uma viagem desafiando-nos à descoberta de uma nova dimensão da consciência, abandonando o fardo do passado, a «segurança» do conhecimento acumulado.
Mas o Vergílio, nesse tempo, estava ainda muito reticente à viagem. Ainda muito preso ao «conhecido», achou o livro tão fora dos trajectos de pensamento a que estava habituado e por isso tão «incómodo», que mo devolveu pouco depois, sem lhe ter dado verdadeira atenção. Sentia-se mais seguro preso às sombras, que lhe eram bem mais familiares...
Mas o desafio à viagem , pela qual, no fundo de si mesmo ansiava, estava apenas adiado... E abriu caminho por onde menos se poderá esperar...
Num dos nossos últimos encontros de Verão, fui encontrar o Vergílio e a Regina muito interessados em leituras sobre a Física moderna. Cientistas bem conhecidos como Jean Charon, Olivier Beauregard, além de Fritjof Capra, David Bohm e outros tinham considerado importante conceder entrevistas e escrever livros para o público interessado, informando sobre os novos horizontes da Física contemporânea.
Tratava-se de um assunto que também me era muito grato. Nesse Verão, eu tinha acabado de regressar de umas visitas que costumava fazer a uma das Escolas experimentais fundadas por Krishnamurti e também de conhecer o físico David Bohm (nessa altura Professor na Universidade de Londres).
Vários cientistas conhecidos participavam com Krishnamurti em seminários nessa Escola, altamente interessados na inovadora investigação na consciência que ele realizava. Além de físicos como David Bohm e Fritjof Capra, estavam presentes nesses seminários cientistas de renome como Rupert Sheldrake, Karl Pribam, Maurice Willkins, Jonas Salk (o criador da vacina contra a poliomielite) e outros.
Como eu regressara havia pouco tempo dessa Escola, o Vergílio mostrou muito interesse em saber algo sobre os seminários.
Os cientistas que procuravam Krishnamurti apreciavam muito o seu desafio à investigação e à descoberta.
Quer falasse para cientistas e intelectuais quer para o «homem comum», Krishnamurti abordava sempre com a mesma profunda simplicidade, a necessidade e também a dinâmica da transformação da mente - uma transformação que poderá trazer a urgente transformação da sociedade: porque a sociedade somos nós.
Dado que esse problema e a sua solução estão em nós, ele suscitava a autodescoberta, pondo-nos em face de nós mesmos, observando connosco a nossa realidade quotidiana: o sofrimento e o prazer, o conflito, o ciúme, o medo, a ambição, etc... E convidava-nos a olharmo-nos no espelho do nosso relacionamento (com as pessoas, com a Natureza, as coisas e as ideias) para que encontremos, por nós mesmos, uma compreensão do que realmente somos. Os cientistas estavam também particularmente interessados na pesquisa que ele fazia sobre a natureza do pensamento e seus limites - o que introduz o problema de descobrir se haverá algo para além dos limitados perímetros do pensamento e da linguagem. E aqui era particularmente relevante a investigação sobre a acção da inteligência e do insight (a percepção imediata e holística) na mutação da mente humana.
A intensidade desta pesquisa propiciava um percebimento do sentido da vida e da morte, da profundidade do silêncio, da meditação, da beleza, do Amor.
O Vergílio mostrou-se verdadeiramente tocado pela profundidade desta abordagem e também pelo interesse que os cientistas tinham por ela. Apercebia-se da grande convergência desta investigação com as suas leituras sobre a Física moderna.
Os cientistas que participavam nestes seminários com Krishnamurti caracterizavam-se, tal como ele, por uma visão holística. Assim, para eles, a compreensão do funcionamento da mente do homem é considerada indispensável para o estudo e a compreensão do Universo, dado que a mente é o «instrumento» fundamental para esse estudo e essa compreensão.
O físico Fritjof Capra diz-nos: «O físico, penetrando em estratos cada vez mais fundos da matéria, toma consciência da unidade essencial de todos os fenómenos e acontecimentos (...) aprende que ele próprio e a sua consciência são uma parte integrante desta Unidade».
Outros físicos, como Olivier Beauregard e Jean Charon mostram também que a Física mais avançada está em nítida convergência com as propostas da antiga Sageza, ao considerar o Universo, nas palavras de um deles, «uma totalidade orgânica, formando uma espécie de corpo cósmico que não é senão o nosso corpo, cuja realidade mais profunda, essencial, é de natureza espiritual». E talvez essa Realidade essencial, além de tudo, seja «o Intemporal», «o Imenso», a que alguns chamam Deus...
Apronfundámos assim a nossa reflexão sobre a Filosofia Perene que aponta para a Unidade de toda a Vida, considerando cada ser humano uma parte inseparável dessa Totalidade. Daí a percepção do carácter ilusório de um «eu» separado do resto do Universo. E, desta ilusão, desta ignorância da nossa verdadeira natureza, nasce a sensação e a angústia do isolamento, o egoísmo, o conflito, o medo, o sofrimento do homem.
Urgente se mostra portanto uma libertação da consciência, pela compreensão do que realmente somos e da nossa relação com o mundo.
Da necessidade dessa libertação se ia apercebendo o Vergílio. A sua sensibilidade acolhia agora menos hesitantemente o desafio proposto pela Filosofia Perene. Compreendia que não se tratava de um sistema de pensamento ou de crença, mas de um verdadeiro aprofundamento da consciência. Via também que a nossa pesquisa, com os dados científicos de que tínhamos conhecimento, poderia ser libertadora, dando-lhe pistas em relação às suas dúvidas e inquietações. E acima de tudo respondia à sua sede de transcendência, desbloqueando finalmente uma vivência nova, uma inocência reencontrada muito depois da infância... Aproximava-o da desejada passagem para lá do «espelho», que lhe mostrava apenas o lado de fora desta realidade - um conhecimento dos olhos que precisa de fundir-se com a sageza do coração...
E assim, naquela tarde, a última em que nos encontrámos, vimos no nosso amigo, num sorriso breve, quase feliz, uma aceitação de um outro norte, um abandonar das velhas conclusões que não traziam afinal qualquer resposta aos seus fundos problemas.
E não pude deixar de lhe dizer, saudando essa clareira na sua floresta de sombras, mas lamentando também o retardar da tranquilidade possível:
- Oh Vergílio, tudo afinal tão próximo da compreensão procurada... Se tivesse aceitado mais cedo o desafio da viagem, teria podido evitar tanta amargura, tanta inquietação...
E ele respondeu, com um sorriso entre humilde e afectuoso:
- Então eu não me posso enganar?...
Todos ficámos em silêncio.
O aroma dos pinheiros permeava a casa. Lá fora o Sol esmorecia...
Senti como que um halo de quietude a envolver-nos a todos.
Naquele reconhecimento do «engano» havia já uma viragem, uma promessa de aprofundamento do diálogo, numa abertura a novas «descobertas».
Mas o diálogo iria para sempre ficar inacabado... E não haveria mais necessidade de interrogações e de respostas...
Uma leve brisa, entrando pela janela entreaberta, trazia o som dos longes, afinal tão perto... Tão perto como a vida, tão perto como a morte, tão perto como o Amor.
E o pensamento, naturalmente aquietado, abria espaço a uma profundidade que desconhecíamos...
Nesse estado meditativo, desperto, nesse silêncio do pensamento e das palavras, todos nos sentíamos mais próximos...
Quando nos levantámos para nos despedir, podíamos sentir no amigo uma paz nova sublinhando o olhar...
Já com sérios problemas de saúde, a ideia da morte parecia não o atormentar. A ponto de, como diz a nossa amiga Regina, «ele se ter deixado morrer com um sorriso de verdadeira beatitude»...
Depois... só o Silêncio - que em nós fica habitando, além da onda regressada ao Mar...
in, In Memoriam de Vergílio Ferreira, Maria Joaquina Nobre Júlio (org.), Lisboa, Bertrand, 2003.
Recordar um amigo é como contemplar uma paisagem que guardamos viva, para lá do ilusório tempo da memória.
Nessa paisagem, Vergílio Ferreira aparece como um companheiro de viagem: a viagem de Édipo que como todo o ser humano repetimos, quando aceitamos enfrentar o desafio da Esfinge, relativamente à nossa condição.
Tal como Édipo, escutávamos a questão posta pela Esfinge. Mas, diferentemente dele, não tínhamos a resposta, segregada por certo pelos deuses, para que se cumprisse um destino já traçado. Restava-nos tactear no escuro, onde o diálogo por vezes iluminava as sombras...
Uma das mais gratas e comoventes recordações que guardo de Vergílio Ferreira é a seriedade do seu desejo de encontrar um Real mais profundo, que pressentia para além da superficialidade em que geralmente gastamos e destruímos as nossas vidas. E igualmente comovente para mim era a sua angústia velada perante um «espelho» que lhe não mostrava o Real que procurava, e em que parecia não ser capaz de penetrar."
[...]
O Vergílio gostava de repensar connosco algumas das modernas correntes do pensamento Ocidental. As minhas propostas de reflexão eram menos abstractas e mais vivenciais. Estavam sobretudo ligadas a uma Filosofia a que Aldous Huxley deu o nome, hoje consagrado de Filosofia Perene - uma sageza intemporal perpetuada quase sempre anonimamente por homens e mulheres em vários lugares da Terra e representada, por exemplo, por notáveis filósofos gregos (Pitágoras, Sócrates, Platão e outros), pela antiquíssima sageza conhecida como Theo-Sophia, por sages e místicos, ditos budistas, tauistas, hinduístas, judeus, cristãos, muçulmanos, etc, mas todos libertos de fronteiras, de dogmas e credos separando os homens.
Uma sageza - ensinamento nascido do autoconhecimento e da afeição - procurando libertar os seres humanos da ignorância de si mesmos que os acorrenta ao sofrimento.
Nos nossos dias, essa sageza adquire uma expressão particular com o filósofo-educador J. Krishnamurti, a cujo ensinamento Aldous Huxley se refere como «o que de mais impressionante já ouvi». E Henry Miller convida-nos também a «escutar» Krishnamurti, considerando-o como «um mestre da realidade».
Não só escritores e intelectuais de renome, mas também cientistas eminentes chamam a atenção para esta nova expressão, completamente independente e original, da Filosofia Perene, interessando-se vivamente pela investigação na consciência, realizada por Krishnamurti. Uma investigação que vai à raiz dos problemas humanos - a mente do homem. Uma mente com potencialidades imensas mas que está aprisionada numa rede de condicionamentos socioculturais que a tornam mecânica, insensibilizada, deformada - pelo hábito, o egoísmo, os preconceitos raciais, nacionalistas, etc. - o que causa enormes sofrimentos, miséria extrema, conflitos cada vez mais destruidores.
Daí a necessidade de uma revolução psicológica radical pelo autoconhecimento que, libertando a mente, a pode levar a funcionar numa dimensão totalmente diferente.
O físico Fritjof Capra, um dos cientistas interessados nesta pesquisa, diz: «Não posso deixar de reconhecer a influência decisiva que o ensinamento de Krishnamurti exerceu sobre mim». E outro desses cientistas, David Bohm, um dos grandes inovadores da Física moderna, salienta: «A obra de Krishnamurti está permeada por aquilo a que se pode chamar a essência da abordagem científica, quando esta é considerada na sua forma mais elevada e pura (...) A Proposta fundamental que ele apresenta é que todo o sofrimento e a enorme infelicidade que vemos existir por toda a parte têm a sua raiz num facto: a ignorância que temos de nós mesmos, da natureza dos nossos próprios processos de pensar».
A minha própria constatação desta realidade era a base da reflexão que gostava sempre de intriduzir no diálogo com o Vergílio, em face das sombras que frequentemente lhe habitavam o olhar. Sombras a que por vezes chamava de «dissonâncias» [...]
Devido à presença dessas sombras e para aprofundar a nossa reflexão no sentido de um percurso que poderia ser libertador, já alguns anos antes dos nossos últimos diálogos, lhe tinha dado para ler um livro de Krishnamurti - talvez A Primeira e Última Liberdade ou Libertar-se do Conhecido (no original, respectivamente, The First and Last Freedom e Freedom from the Known).
Era um proposta de uma surpreendente viagem interior, fora dos habituais padrões de pensamento em relação a nós mesmos. Uma viagem desafiando-nos à descoberta de uma nova dimensão da consciência, abandonando o fardo do passado, a «segurança» do conhecimento acumulado.
Mas o Vergílio, nesse tempo, estava ainda muito reticente à viagem. Ainda muito preso ao «conhecido», achou o livro tão fora dos trajectos de pensamento a que estava habituado e por isso tão «incómodo», que mo devolveu pouco depois, sem lhe ter dado verdadeira atenção. Sentia-se mais seguro preso às sombras, que lhe eram bem mais familiares...
Mas o desafio à viagem , pela qual, no fundo de si mesmo ansiava, estava apenas adiado... E abriu caminho por onde menos se poderá esperar...
Num dos nossos últimos encontros de Verão, fui encontrar o Vergílio e a Regina muito interessados em leituras sobre a Física moderna. Cientistas bem conhecidos como Jean Charon, Olivier Beauregard, além de Fritjof Capra, David Bohm e outros tinham considerado importante conceder entrevistas e escrever livros para o público interessado, informando sobre os novos horizontes da Física contemporânea.
Tratava-se de um assunto que também me era muito grato. Nesse Verão, eu tinha acabado de regressar de umas visitas que costumava fazer a uma das Escolas experimentais fundadas por Krishnamurti e também de conhecer o físico David Bohm (nessa altura Professor na Universidade de Londres).
Vários cientistas conhecidos participavam com Krishnamurti em seminários nessa Escola, altamente interessados na inovadora investigação na consciência que ele realizava. Além de físicos como David Bohm e Fritjof Capra, estavam presentes nesses seminários cientistas de renome como Rupert Sheldrake, Karl Pribam, Maurice Willkins, Jonas Salk (o criador da vacina contra a poliomielite) e outros.
Como eu regressara havia pouco tempo dessa Escola, o Vergílio mostrou muito interesse em saber algo sobre os seminários.
Os cientistas que procuravam Krishnamurti apreciavam muito o seu desafio à investigação e à descoberta.
Quer falasse para cientistas e intelectuais quer para o «homem comum», Krishnamurti abordava sempre com a mesma profunda simplicidade, a necessidade e também a dinâmica da transformação da mente - uma transformação que poderá trazer a urgente transformação da sociedade: porque a sociedade somos nós.
Dado que esse problema e a sua solução estão em nós, ele suscitava a autodescoberta, pondo-nos em face de nós mesmos, observando connosco a nossa realidade quotidiana: o sofrimento e o prazer, o conflito, o ciúme, o medo, a ambição, etc... E convidava-nos a olharmo-nos no espelho do nosso relacionamento (com as pessoas, com a Natureza, as coisas e as ideias) para que encontremos, por nós mesmos, uma compreensão do que realmente somos. Os cientistas estavam também particularmente interessados na pesquisa que ele fazia sobre a natureza do pensamento e seus limites - o que introduz o problema de descobrir se haverá algo para além dos limitados perímetros do pensamento e da linguagem. E aqui era particularmente relevante a investigação sobre a acção da inteligência e do insight (a percepção imediata e holística) na mutação da mente humana.
A intensidade desta pesquisa propiciava um percebimento do sentido da vida e da morte, da profundidade do silêncio, da meditação, da beleza, do Amor.
O Vergílio mostrou-se verdadeiramente tocado pela profundidade desta abordagem e também pelo interesse que os cientistas tinham por ela. Apercebia-se da grande convergência desta investigação com as suas leituras sobre a Física moderna.
Os cientistas que participavam nestes seminários com Krishnamurti caracterizavam-se, tal como ele, por uma visão holística. Assim, para eles, a compreensão do funcionamento da mente do homem é considerada indispensável para o estudo e a compreensão do Universo, dado que a mente é o «instrumento» fundamental para esse estudo e essa compreensão.
O físico Fritjof Capra diz-nos: «O físico, penetrando em estratos cada vez mais fundos da matéria, toma consciência da unidade essencial de todos os fenómenos e acontecimentos (...) aprende que ele próprio e a sua consciência são uma parte integrante desta Unidade».
Outros físicos, como Olivier Beauregard e Jean Charon mostram também que a Física mais avançada está em nítida convergência com as propostas da antiga Sageza, ao considerar o Universo, nas palavras de um deles, «uma totalidade orgânica, formando uma espécie de corpo cósmico que não é senão o nosso corpo, cuja realidade mais profunda, essencial, é de natureza espiritual». E talvez essa Realidade essencial, além de tudo, seja «o Intemporal», «o Imenso», a que alguns chamam Deus...
Apronfundámos assim a nossa reflexão sobre a Filosofia Perene que aponta para a Unidade de toda a Vida, considerando cada ser humano uma parte inseparável dessa Totalidade. Daí a percepção do carácter ilusório de um «eu» separado do resto do Universo. E, desta ilusão, desta ignorância da nossa verdadeira natureza, nasce a sensação e a angústia do isolamento, o egoísmo, o conflito, o medo, o sofrimento do homem.
Urgente se mostra portanto uma libertação da consciência, pela compreensão do que realmente somos e da nossa relação com o mundo.
Da necessidade dessa libertação se ia apercebendo o Vergílio. A sua sensibilidade acolhia agora menos hesitantemente o desafio proposto pela Filosofia Perene. Compreendia que não se tratava de um sistema de pensamento ou de crença, mas de um verdadeiro aprofundamento da consciência. Via também que a nossa pesquisa, com os dados científicos de que tínhamos conhecimento, poderia ser libertadora, dando-lhe pistas em relação às suas dúvidas e inquietações. E acima de tudo respondia à sua sede de transcendência, desbloqueando finalmente uma vivência nova, uma inocência reencontrada muito depois da infância... Aproximava-o da desejada passagem para lá do «espelho», que lhe mostrava apenas o lado de fora desta realidade - um conhecimento dos olhos que precisa de fundir-se com a sageza do coração...
E assim, naquela tarde, a última em que nos encontrámos, vimos no nosso amigo, num sorriso breve, quase feliz, uma aceitação de um outro norte, um abandonar das velhas conclusões que não traziam afinal qualquer resposta aos seus fundos problemas.
E não pude deixar de lhe dizer, saudando essa clareira na sua floresta de sombras, mas lamentando também o retardar da tranquilidade possível:
- Oh Vergílio, tudo afinal tão próximo da compreensão procurada... Se tivesse aceitado mais cedo o desafio da viagem, teria podido evitar tanta amargura, tanta inquietação...
E ele respondeu, com um sorriso entre humilde e afectuoso:
- Então eu não me posso enganar?...
Todos ficámos em silêncio.
O aroma dos pinheiros permeava a casa. Lá fora o Sol esmorecia...
Senti como que um halo de quietude a envolver-nos a todos.
Naquele reconhecimento do «engano» havia já uma viragem, uma promessa de aprofundamento do diálogo, numa abertura a novas «descobertas».
Mas o diálogo iria para sempre ficar inacabado... E não haveria mais necessidade de interrogações e de respostas...
Uma leve brisa, entrando pela janela entreaberta, trazia o som dos longes, afinal tão perto... Tão perto como a vida, tão perto como a morte, tão perto como o Amor.
E o pensamento, naturalmente aquietado, abria espaço a uma profundidade que desconhecíamos...
Nesse estado meditativo, desperto, nesse silêncio do pensamento e das palavras, todos nos sentíamos mais próximos...
Quando nos levantámos para nos despedir, podíamos sentir no amigo uma paz nova sublinhando o olhar...
Já com sérios problemas de saúde, a ideia da morte parecia não o atormentar. A ponto de, como diz a nossa amiga Regina, «ele se ter deixado morrer com um sorriso de verdadeira beatitude»...
Depois... só o Silêncio - que em nós fica habitando, além da onda regressada ao Mar...
in, In Memoriam de Vergílio Ferreira, Maria Joaquina Nobre Júlio (org.), Lisboa, Bertrand, 2003.
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domingo, 23 de março de 2008
Nam-Myoho-Renge-Kyo
«Kossen rufu significa criar uma sociedade de paz. Esse termo foi criado através da base filosófica de Nitiren Daishonin. Para se atingir essa etapa (Kossen Rufu) é necessário que cada ser humano faça sua própria revolução humana (outro termo que significa revolucionar o seu lado interior) para conseguir a felicidade absoluta, com base no Daimoku(Nam-Myoho-Renge-Kyo) e nos estudos sobre o budismo de Nitiren Daishonin e com ações que visem uma sociedade melhor.O termo rufu, de Kossen-rufu, significa “fluir como um rio poderoso” ou “espalhar-se como um enorme tecido”. Isso significa difundir-se ou fluir por toda a humanidade. Kossen-rufu não é o ponto final de um processo, mas sim o próprio processo, o fluxo. Não existe um destino especial, uma conclusão do Kossen-rufu. Podemos falar de forma metafórica sobre o que é o Kossen-rufu, mas na verdade não existe uma forma definitiva.»
(wikipédia)
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Experiências de iluminação
Penso que, mais importante do que todas as balelas ou não balelas que tenho escrito sobre a mente, é libertá-la.
Libertá-la é, a meu ver, deixá-la suspensa numa espécie de espaço indefinido, numa ilimitação libertadora em que a sentimos respirar.
Deixá-la sonhar livremente, no espaço vazio ou não vazio, flutuando como uma leve brisa sob o carinhoso calor de um fim de tarde de Verão.
Em que se resume isto? Em viver experiências de iluminação, idílicas.
Libertá-la é, a meu ver, deixá-la suspensa numa espécie de espaço indefinido, numa ilimitação libertadora em que a sentimos respirar.
Deixá-la sonhar livremente, no espaço vazio ou não vazio, flutuando como uma leve brisa sob o carinhoso calor de um fim de tarde de Verão.
Em que se resume isto? Em viver experiências de iluminação, idílicas.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008
A propósito da liberdade e da libertação
"Libertação, constante caminhada
Ser livre - eis o desejo que mora no coração de cada homem.
Ser ele mesmo, sem máscaras nem opressões, fazendo aquilo por que o coração anseia.
Mas há mil e uma coisas que vão limitando o homem:
diminuindo a sua capacidade de ser,
impossibilitando-o de agir melhor,
destruindo, em grande parte,
a sua capacidade de amar.
Há uma sociedade que o condiciona dentro de certos princípios, dentro de certos pontos de vista - tão falhos quão limitados - e o pobre homem, escravo das exigências sociais, vai-se enquadrando nos esquemas propostos, sem os passar pelo crivo do bom senso ou da crítica, e sem a força necessária para os rejeitar, quando for preciso.
Há uma sociedade de consumo que vê no homem apenas um 'bom consumidor', elemento indispensável para facturar alto, suscitando nele sempre maior desejo de posssuir, como factor de realização pessoal e de progresso colectivo.
Existe a moda, tão vazia como passageira, capaz de criar verdadeiros escravos e gerar profundas insatisfações.
Sem nos apercebermos, somos arrastados pela corrente das superficialidades que o mundo oferece para preencher o vazio deixado no coração do homem (...)
Vamos amontoando coisas, aderindo a uma mentalidade utilitarista e exploradora, capaz de fazer do homem um robot, que se deixa governar ao bel-prazer do seu dominador.
As amarras psicológicas e os tabus, que nos prendem e nos tornam constantemente escravos de nós mesmos, multiplicam-se constantemente.
A libertação, que tanto procuramos, parece mais um sonho longínquo, que se dilui no horizonte, totalmente fora do alcance das nossas mãos.
As circunstâncias da vida fazem-nos ser o que não gostaríamos. Vivemos uma vida fictícia, cheia de ilusões e de esperanças perdidas, numa contínua procura dessa quase impossível felicidade.
Libertar-se de tudo o que nos faz menos pessoas.
Libertar-se das absurdas imposições de uma sociedade de ostentação.
Libertar-se do 'homem velho', sujeito a toda a espécie de fraquezas e de vícios.
Libertar-se, dia a dia, do egoísmo, e ter um coração inteiramente disponível para amar.
Eis a tarefa mais difícil de todo o homem.
Processo lento e penoso, diante do qual o desânimo assume, por vezes, proporções gigantescas. A caminhada da libertação não pode parar!
Quanto mais livres formos,
mais senhores de nós mesmos haveremos de ser.
Quanto mais libertos de tudo o que o mundo nos apresenta como solução de felicidade, mais receptivos seremos (...)
Esta é a Grande Caminhada: a nossa Libertação.
Se ainda não te puseste a caminho, parte!
É tempo de te libertares!"
in Carlos Afonso Schmitt, Buscando a Libertação, Edições Paulistas, pp. 17-19.
Ser livre - eis o desejo que mora no coração de cada homem.
Ser ele mesmo, sem máscaras nem opressões, fazendo aquilo por que o coração anseia.
Mas há mil e uma coisas que vão limitando o homem:
diminuindo a sua capacidade de ser,
impossibilitando-o de agir melhor,
destruindo, em grande parte,
a sua capacidade de amar.
Há uma sociedade que o condiciona dentro de certos princípios, dentro de certos pontos de vista - tão falhos quão limitados - e o pobre homem, escravo das exigências sociais, vai-se enquadrando nos esquemas propostos, sem os passar pelo crivo do bom senso ou da crítica, e sem a força necessária para os rejeitar, quando for preciso.
Há uma sociedade de consumo que vê no homem apenas um 'bom consumidor', elemento indispensável para facturar alto, suscitando nele sempre maior desejo de posssuir, como factor de realização pessoal e de progresso colectivo.
Existe a moda, tão vazia como passageira, capaz de criar verdadeiros escravos e gerar profundas insatisfações.
Sem nos apercebermos, somos arrastados pela corrente das superficialidades que o mundo oferece para preencher o vazio deixado no coração do homem (...)
Vamos amontoando coisas, aderindo a uma mentalidade utilitarista e exploradora, capaz de fazer do homem um robot, que se deixa governar ao bel-prazer do seu dominador.
As amarras psicológicas e os tabus, que nos prendem e nos tornam constantemente escravos de nós mesmos, multiplicam-se constantemente.
A libertação, que tanto procuramos, parece mais um sonho longínquo, que se dilui no horizonte, totalmente fora do alcance das nossas mãos.
As circunstâncias da vida fazem-nos ser o que não gostaríamos. Vivemos uma vida fictícia, cheia de ilusões e de esperanças perdidas, numa contínua procura dessa quase impossível felicidade.
Libertar-se de tudo o que nos faz menos pessoas.
Libertar-se das absurdas imposições de uma sociedade de ostentação.
Libertar-se do 'homem velho', sujeito a toda a espécie de fraquezas e de vícios.
Libertar-se, dia a dia, do egoísmo, e ter um coração inteiramente disponível para amar.
Eis a tarefa mais difícil de todo o homem.
Processo lento e penoso, diante do qual o desânimo assume, por vezes, proporções gigantescas. A caminhada da libertação não pode parar!
Quanto mais livres formos,
mais senhores de nós mesmos haveremos de ser.
Quanto mais libertos de tudo o que o mundo nos apresenta como solução de felicidade, mais receptivos seremos (...)
Esta é a Grande Caminhada: a nossa Libertação.
Se ainda não te puseste a caminho, parte!
É tempo de te libertares!"
in Carlos Afonso Schmitt, Buscando a Libertação, Edições Paulistas, pp. 17-19.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Um idílio
Considero-me uma mente não iluminada e, falsa e escondidamente, uma mente iluminada. A verdade é que não sou uma mente iluminada. Também, o que é uma mente iluminada? Se o soubesse, seria uma mente iluminada. Tão rapidamente me ilumino como me obscureço e, nestes últimos tempos - oh, esquecida infância! -, mais obscurecido tenho estado do que iluminado. Não conheço, ultima e maioritariamente, iluminação que não a dos sentidos... mas que belas iluminações me têm dado, ao longo da minha parca e pouco importante vida! Tenho-me recordado, não sem me iluminar (a visão, não eu), de uma das mais belas iluminações que tive em toda a minha vida; foi quando estava na Jamaica, terra do Sol, da fertilidade, da madeira e do povo sofredor e corajoso, cujo relaxado lema é "no problem, it's just the situation": como turista papalvo que sou, fui para um resort em Negril, às costas do meu papá... bem, o que interessa é que saímos do dito e fomos andar a cavalo (a minha primeira vez: o mais lindo nas coisas é descobri-las) para umas enormes montanhas hiper-verdejantes no meio do nada, sob o calor abrasador do excelso Sol, ao fundo o mar - estão a ver? Um idílio. Guardo, porquanto existir, esta bela memória, que aqui partilho com o leitor, esperando nele despertar se não a memória, a imaginação que, porventura, poderá iluminar o seu coração, porque não acredito que tudo seja sofrimento mas, também, amor. Pachola, não? Abraços.
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