O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 3 de agosto de 2008

A-guando... até às Portas do Sol: o Fado Tropical da Terra

Quando o Ser deixa de se sentir
apenas interior e se sente exterior,
torna-se no que é, os Dois.
Quando o Homem deixa de se sentir
apenas finito e se sente infinito,
regressa ao que é, a Deus.
Quando a Terra deixa de estar
separada e volta a unir-se,
nasce para o que é, o Paraíso.
Quando Portugal deixa de ser
o que pensa para ser o que sente,
acorda para o que é, o Brasil.

Em sequência ao texto da Saudades... :)

A Voz do Sexo é a Voz do Céu, do Cio: a de Deus, de-o Dois. É pelo sexo que Deus brinda a humanidade com a Eterna Criança que vive no fundo de cada ser humano.
Desde sempre, o que o Homem finge desprezar é aquilo que ainda o mantém vivo: o regresso do homem ao interior da mulher pela penetração sexual... do filho ao ventre da mãe, da dor ao interior do prazer, do ódio ao interior do amor, da Terra ao seu interior... no Sol, da mortalidade ao interior da imortalidade.
O que faz rodar a Terra, a chave da Porta do Sol, do Paraíso: o sexo entre os opostos do mundo.
O Útero da mulher representa a matriz para a qual a Terra caminha, onde tudo é Um, onde os sexos se voltam a juntar*...
|*Hermafrodita, do grego, Hermes, Mercúrio + Afro-dite, Vénus.|

Fado Tropical da Terra
Portugal é o que o Novo Mundo está... sendo.
O sentimento português é o da união de tudo, é o de fusão com o todo: a origem Lusa é o infinito, o seu futuro o eterno.
O português só se sente através do intenso, do total, do extremo, tem sede do ilimitado, da liberdade plena! Não se contenta em estar contente, precisa de ser o que o contenta. Não deseja o que é possível, deseja ser o impossível. Não quer ver o que é o mundo, quer-se ver mundo. Não pretende amar o mundo, pretende ser o Amor do mundo. Não nasce para viver no mundo, nasce para vivê-lo. O sentimento português é o de ser a Eterna Criança do mundo, que não julga o mundo nem lhe exige nada, de ser tudo e nada, de ser o que é: Deus, o Se-r-Bastião do mundo.
Portugal é o símbolo do regresso do Pai e da Paz à Humanidade, é o Coração do Terra, pelo fogo do Espírito Santo, a redenção total da humanidade pela sua maternidade: o nascimento do Novo Homem, a Criança Portuguesa à solta, transparente, legítima, verdadeira por estar em todo o lado e não ser de nenhum.
A essência do Novo Mundo é este vazio imenso, que nos-me enfada, me contraria e contradiz, que me complementa e completa no que sou. A partir do qual canto a agonia deste Amor que me mata e faz viver, que me envelhece e renova, que me entristece e alegra... ao estar o Filho Luso no Novo Mundo e sendo a Mãe portuguesa ainda do Velho, estando a viver o Filho o que a Mãe é, estando a Mãe sentindo o Filho dentro dela e estando ele fora. Portugal só será quando não for, porque quando não for Mãe será o próprio Filho, estará novamente dentro de si, voltará a unir o ser com o estar, regressando ao nada que é tudo, em que lugar e tempo não existem, em que o Amor é Rei, em que homem e mulher estão juntos, em que os opostos voltam ao que são, em que o instante da Aurora não tem princípio nem fim, em que tudo É Um: A Ilha dos Amores.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Se não existisse dor física

E o Inferno e o Paraíso dependem de consciências, porque todo o mal ou bem vem a sentir-se, na medida em que se não se sentisse não era nem um nem outro... mas resta saber se podem existir Mal ou Bem Absolutos em algum momento das nossas vidas, o que não sabemos Absolutamente, mas sempre acerca de nós, considerando, por exemplo, a dor física extrema o pior mal da vida. É uma perspectiva materialista? Não, é realista, na medida em que seja que for que sonho que sonhemos o sonho é este sonho, é o que está a acontecer, nada mais. Ou haverão sensações piores? Se não existisse dor física, existiria dor de espécie alguma?

O Paraíso

Foi feita, neste blogue, uma pergunta: o que é a mente? Era suposto que começássemos, a partir daí, mas não necessariamente sempre, a investigar o que é a mente. Eu não sei o que é a mente. Vinha no caminho para casa a pensar acerca da mente, e vinha com algo que esqueci, que tem a ver com ser intuitivo, para cada um, o que é a mente, e que afinal não esqueci, que são todas aquelas operações de pensamento que fazemos, tudo o que consciencializamos, reparamos, fazemos, tudo isso é mente ou oriundo da mente. Sim, há ou parecem haver corpos, e não sabemos se as mentes estão nos corpos, se estes nas mentes - o que parece mais estranho -, bem como muitas outras perguntas: viverei para sempre? Viverei depois da morte? Perguntas muito mais pertinentes do que "o que é a mente?", muito mais pujantes. Perguntar por o que é a mente parece ser perguntar por uma evidência, na medida em que esta é altamente intuitiva para quem tem ou é uma mente, nem que em parte. Mas qual a natureza da mente? Eis uma pergunta altamente interessante, por perguntarmos se há a possibilidade de existirmos antes ou depois da vida em consciência; e isso porque temos a supor que os corpos datam de entre os nascimentos e mortes das pessoas, aparentemente incluídos. Se há algo imortal, é a mente, porque consideramos, normalmente, que somos corpo e mente, nada mais. Mas há interesse numa eternidade? Há, se desejada, uma eternidade boa - quem quer arder no Inferno? O Inferno é a possibilidade de uma eternidade má, seja ela como for. Muito mais, o Inferno é tido, se virmos bem as coisas, como o Mal Absoluto. Tudo o que for mau, se acontecer na eternidade, acontece no Inferno. O Paraíso, por sua vez, é um lugar Absolutamente Bom.

Experiências de iluminação

Penso que, mais importante do que todas as balelas ou não balelas que tenho escrito sobre a mente, é libertá-la.

Libertá-la é, a meu ver, deixá-la suspensa numa espécie de espaço indefinido, numa ilimitação libertadora em que a sentimos respirar.

Deixá-la sonhar livremente, no espaço vazio ou não vazio, flutuando como uma leve brisa sob o carinhoso calor de um fim de tarde de Verão.

Em que se resume isto? Em viver experiências de iluminação, idílicas.

O tão almejado Paraíso

A memória é de facto uma coisa espectacular. E também a imaginação. Tudo propriedades daquilo a que chamamos mente e que, porventura, mais não é do que certas capacidades, potenciais ou actuais. Não só a memória e a imaginação são espectaculares, mas também a percepção, na medida em que é através desta que construo, vivendo-os, os Paraísos que sinto - e aí entram também os sentimentos, estéticos ou outros -, que depois recordo ou revivo já imaginando, acrescentando-lhes o sentido que a vivência presente sempre acrescenta às vivências passadas. Neste sentido, a mente é também um meio, se não o meio, de alcançarmos o tão almejado Paraíso, desejado (mais uma capacidade mental...) por todos os seres humanos ou outros dotados de consciência.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A religião da contemplação

Dever-se-ia criar a religião da contemplação. Sem rituais estranhos nem alienação em relação aos sentidos, sem festas religiosas, sem feriados ou datas marcadas, mas com o único ritual de fruir a experiência estética (aisthesis, sentidos) da vida. Sem mestres, gurus, mas apenas aprendizes. Sem crenças discursivas relativamente ao que é ou não é. Pura fruição experiencial do momento.

Penso que esta religião existirá e que será a última de todas as religiões, quando estivermos numa fase mais avançada da nossa existência (se lá chegarmos... e nem para tal nem para este objectivo nos basta a Ciência). Gostaria mais que muito que assim fosse - a vivência do Paraíso na Terra.

Que venha o bem-vindo futuro! Ámen!

Disse bem?

Tudo se desenvolve a partir de um princípio, de uma génese. Parece-me que a natureza das coisas é desenvolverem-se, transformarem-se, ao invés de pararem, estagnando. Desde o princípio, tudo está em eterna transformação, desenvolvimento. Acredito que existirá para sempre qualquer coisa e que, por alguma estranha razão, veio a existir alguma coisa. Será que antes não existia coisa alguma? Terá existido esse momento? Se sim, como se passou do nada para tudo isto? Se sempre houve alguma coisa, estará desde sempre a criar? O que há? Será que o que há é uma roda da vida e da morte, algo cíclico, eterno retorno, uma espécie de sonho? Resposta: ninguém sabe. Com maior ou menor aproximação à verdade, penso que cada um de nós tem uma resposta dentro de si, ainda que esta seja um simples "não me importo, quero viver a vida". Ainda assim, essa resposta com laivos de niilismo ou espírito punk, encerra em si a questão: o que é viver a vida? Entende-se, à superfície, que se trata de alguma afirmação hedonista. Eu entendo o viver a vida como a procura do Paraíso e creio que o ser humano é o ser que se caracteriza por procurar viver o Paraíso. O Paraíso é, a meu ver, um estado de espírito em que nos colocamos ou somos colocados, uma espécie de local mental onde vamos parar, devido a estímulos internos, como memórias ou imaginações, ou externos, como a experiência estética do belo ou do sublime. Creio que esta ideia - a de que o ser humano busca essencialmente e caracteriza-se por buscar o Paraíso - é de extrema importância, porque quantas mais pessoas a assimilarem mais se esforçarão por encontrar, para si e para os outros, simplesmente porque estes fazem parte de si, porquanto afectam a sua consciência, uma paz de todo em todo desejável, como valor inalienável. Disse bem? Paz.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008