O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

-amigos-




Não é ainda a pele,

Apenas um rumor de lã nas camisolas,
um recado a lembrar tardes no feno,
linho lavado,
o sol mordendo um rio pela manhã,
assim é a distância entre a minha mão e o pessegueiro.

Na estrada,

as flores demoram-se até às laranjas,
mas o aroma do pomar faz sede e os olhos cegam,
na promessa de gomos novos e doces,
os mais doces.

Talvez por isso se continue a viagem,
sem olhar para trás.

Maria Do Rosário Pedreira

7 comentários:

intervalo disse...

Antes de seguir viagem,sinto o aroma deste pomar,levo comigo desejo de retornar.Gosto vir aqui.Beijos

platero disse...

ANAEDERA

Boa escolha de poema
Boa foto de Bonsai

tenho pena
de não ter pomar
igual ao do
poema

Anaedera disse...

Acho que tens,
Temos todos.

Patricia disse...

Muito bonito. Ficou cá dentro, suspenso :)

Fausta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rmf disse...

Olhando agora com mais atenção para a imagem, é uma romanzeira ou um dióspireiro?

Seja como for, o poema é doce, tal como toda a fruta que nasce nesse pomar.

Abraços

Anaedera disse...

Rui,
é uma macieira!