O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sábado, 1 de agosto de 2009

Qual o valor que colocas primeiro na tua escala de valores?

35 comentários:

Anónimo disse...

amor

frag.

Anónimo disse...

Concordo em absoluto: o AMOR em todas as suas vertentes! JCN

Anónimo disse...

GOSTOSA DOR

(Camoneando)

Um fogo interior, vivo e ardente,
chamado amor, que abrasa mas não dói,
um fogo que queimando não destrói,
tem-me feito sofrer... gostosamente.

Camoneanamente me expressando,
apraz-me registar o contra-senso,
que em mim também se dá, segundo penso,
de sofrendo por ti... estar gostando.

Por isso, meu amor, não faças caso
de ser a minha dor tanto maior
quanto maior o amor em que me abraso.

Se sofrer por amor nunca á demais,
deixa-me então sofrer cada vez mais,
convertendo em prazer a minha dor!

JOÃO DE CASTRO NUNES

barrabás disse...

Vai comer um cão, não esqueças os ideais do partido da zoofilia.

Anónimo disse...

Não és um "barrabás", mas um "borrabás"! JCN

sem valor disse...

Convertendo em prazer a minha dor,
Arrasto-me no chão deste céu infernal
Que sobre mim faz descer poderes do Mal
Para sangrar o Bem supremo do Amor!

Mas o caminho é por dentro da solidão
Não vejo outra forma de ser Verdade
Pois se negar esta interior realidade
Me vendo, judas, ao fariseu vendilhão!

Não nasci de morrer acompanhada
A mais que um, perco o ritmo da passada
E desconcentro-me da própria salvação.

É meu destino estar a sós com o universo
Procurar no vento a voz de que padeço
Mesmo sendo, nos outros, desilusão.

baal disse...

em muitos tempos da nossa vida o caminho é a solidão, caminhamos sozinhos mas não nos esquecemos e um dia voltamos à alegria de ter nascido. por mais ténue que seja um momento de felicidade, vale por toda a existência.

Anónimo disse...

Afina a lira, ó "sem valor"!... JCN

Anónima disse...

baal (zinho),

Estou a gostar, sim senhor!
Mas afinal, qual é o valor? o da Solidão? o da Felicidade? O valor do sem escala e do sem valor?
O valor do Amor?
O da revolução anárquica?
O valor da Zona Leste?

Um sorriso franco para o Baal, apesar de às vezes o seu valor ser o "Mal" (sorrisos)

A correr à frente, disse...

Olha JCN, tomaras tu ter a lira tão afinada como a minha! Talvez, se treinares arduamente...

Valor: Liberdaaaaaaaade! Lá se vai o pato...

Desconfiada disse...

Anónima, quem serás tu?

Anónimo disse...

Vão todos para o caralho. baal

Afasta-te disse...

Até ia, mas tu estás à frente!

baal disse...

anónima( que penso saber quem é):
é tudo uma questão de educação e de sentimento (não de sensibilidade). educação subordinada a valores, no meu caso revolucionários (familiares, nós não nos revoltamos contra os nossos). sentimentos universais, certo que muitos apreendidos na arte (essencialmente literatura), mas transmutados para o mundo. as desilusões existem, mas também existe uma força para continuar a caminhar.

variáveis disse...

Podes também continuar a caminhar para trás...

baal disse...

matematicamente. mas um radical é sempre a raiz.

Anónimo disse...

Volto a dizer-te: "Afina a lira!" Arranha que se farta! Até parece um ruge-ruge! JCN

Cruzeta disse...

JCN quando fizeres um poema que se veja, com qualidade, voltarei a falar contigo. Raspa-te!

Anónimo disse...

A galinha Clotilde nem cacarejar não sabe.
Mas ciscar, e esparramar lixo é craque kkkkkk

Anónimo disse...

Ó CRUZETA, os meus poemas não são para "ver", mas para ler! JCN

parasensorial disse...

Pensei que fossem responder algo mais concreto como trabalho ou sangue ou honra, são exemplos. as únicas pessoas que responderam foram a Frag (amor), JCN (amor) e Baal (felicidade). Eu colocaria ou o trabalho ou o sangue ou a comunidade.

perplexa disse...

o ócio, tontinho! Nada melhor que o ócio...

parasensorial disse...

Perplexa: mas a minha escala de valores não é hedonista, apesar de eu o ser. Daí que a ética seja sobre o dever, não sobre o ser. Porém, há raros (?) momentos em que ambos coincidem. São momentos de lucidez.

Anónimo disse...

Será que é um padrão a tua "escala de valores"?!... "Tira o cavalinho da chuva"! JCN

parasensorial disse...

Penso que será um padrão, porque comum a várias pessoas, sim, JCN. Mas não o padrão, daí existirem várias escalas de valores.

baal disse...

parasensorial,
não falemos de sangue, o último que vi na luta foi o meu e não foi agradável, a honra anda arredia da condição humana, o trabalho só serve os ladrões e opressores.
más escolhas.

parasensorial disse...

Penso que ao respeitarmos o trabalho dos outros respeitamos o outro e a comunidade. O próprio tempo pode ser um valor - não roubar tempo desnecessariamente ao outro: mas isto em função da vida/morte. Talvez o maior valor seja o respeito?

parasensorial disse...

O trabalho deveria servir a comunidade.

baal disse...

no trabalho vendes o teu esforço de uma forma vã, nada crias, desperdiças o tempo, a comunidade é uma realidade que te controla e retira a liberdade, por detrás o capital e relações de submissão, eis chegados a spinoza 'porque é que os homens combatem pela sua servidão como se tratasse da sua salvação?.
respeita a comunidade, mas que esta seja o respeito pelo teu desejo de felicidade, caso contrário o teu respeito é escravidão.

parasensorial disse...

exacto, mas o meu desejo de felicidade pode não coincidir com o da comunidade, a minha forma de estar e de viver pode não coincidir com o da comunidade. o que fazes aí? um caso. a comunidade é o desejo comum. a comunhão de desejos. indivíduos com desejos semelhantes. porque não há nada superior para que a ela nos submetamos ou há? uma resposta: a história. perdoa-me a expressão um pouco ingénua mas: nascer é entrar num filme que já vai a meio.

parasensorial disse...

e o que é curioso é que qualquer coisa pode ser tomada como o valor máximo numa escala de valores, desde a honra, o respeito, a importância, até uma onda, uma pedra, uma nuvem, uma folha. cada um pode escolher aquilo que para si tem valor máximo. e isso pode ser algo mesmo ético, como o respeito, ou não, como uma pedra, mas a escolha dessa pedra como valor máximo é ética. há liberdade de escolha quanto àquilo que se toma como máximo. outra questão é: porque é que se toma ou deveria tomar isso como máximo?

parasensorial disse...

será que o "dever" sequer existe?

parasensorial disse...

ou nada é preferível e tudo é aceitável?

baal disse...

a questão do homem natural e do homem histórico, nada de te obriga a aceitar a sociedade como está instituida, ou mesmo a ideia de comunidade, não foste tu que realizaste este contrato, tens direito à desobediência, és uma parte, todos o somos mas partes por si, não em 'nome' de uma unidade molar, pré-existente, mesmo que essa unidade se designe comunidade. és por ti, somos por nós, alguma coisa que não é obrigatoriamente a comunidade. a história é um contínuo mal explicado, as questões são as mesmas, sem tempo histórico.

parasensorial disse...

como homem natural tenho direito a cometer actos que socialmente/penalmente são considerados crimes, por eu não os considerar crimes? se assim é, não deveria ser preso por isso.