O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Leitora do Silêncio


(Pintura de Franz Becker-Tempelburg (Alemanha, 1876 — ?
óleo sobre tela, 61 x 61 cm)

(Gentilmente dedicado a todos os "Serpentinos" - incluindo a Fausta -

(c) Om o desejo de uma Páscoa Feliz.)



Ilumina as palavras até que desapareçam

Só então as lerás na combustão dos lírios.

Ler é ampliar o Silêncio, torná-lo eterno.

Expandido e implodido na alquímica flor

do verbo e do sentido.


Cega a luz comburente dos astros

Desapareces do outro lado do jardim.

No avesso anverso dos versos

Deixas de ver. Já não és o que és.

Apareces mais tarde, diligente,

A fechar a luz à noite queimada.


12 comentários:

platero disse...

gostei

grato pelo poema
e pela SUA roupa
-que devia ser de Primavera
e é
de Inverno

nenhumnome disse...

Platero;)

Grata.É uma Primavera alemã,um bocadinho mais compostinha, mas não deixa de ser Primavera.

Pois... por morrer uma andorinha...

Uma boa Páscoa, mesmo com um clima chuvoso, como agora está aqui.

P.S. Tenho um casaco vestido, mas não tenho um vestido-casaco :)))))

Beijinho.

platero disse...

bem como eu

que ando de calças
e o meu nome é

SAIAS, imagina

bjo

nenhumnome disse...

Sei. Os deuses devem andar loucos!:) Já experimentaste trocar? Eu dizia: - Como tem passado Sr. Calças? e tu respondias, com alguma vaidade: - Já reparaste no detalhe da minha saia nova?

Depois dos cumprimentos, podia-se falar um bocadinho de poesia, de hortelã e de bichinhos verdes muito brilhantes.

Beijinho, Platero.

P.S. Reitero do desejo de uma feliz Páscoa e feliz Primavera,

Saia uma mais Primavera, se faz favor! :)))

rmf disse...

Páscoa Feliz!

Abraços

nenhumnome disse...

Abraço. Sigo com as Aves em direcção ao Mar. Levo-vos comigo, Amigos. Trago chuva e vento nos cabelos, de regresso.Levo Saudades.

Beijo

Isabel Metello disse...

Gostei muito, nenhumnome. Uma Páscoa muito Feliz, plena de Asas e de Mar :)

nenhumnome disse...

Muito grata, Isabel.

Desejo para si, em dobrado, uma Páscoa pacífica e serena.

Irei ver as gaivotas e a espuma chegar aos jardins da alma.

Pausadamente, como quem respira profundamente, como quem se lembra.

Saúde.

MeTheOros disse...

Afinal, talvez diligente, talvez apenas tolerante para com certa implosão própria, apareço mais cedo, do que mais tarde. [Atraso-me sempre nas imprecipitações]... A abrir a luz trémula dos dias, que se queiram ressurrectos, perdão, insurrectos.

Abram-se, pois, os túmulos da boca, que se cala a desoras sempre, e dê-se uma mão à outra (como se se fosse maneta de sentir), para o apocalíptico re[en]contro de sentido[s]- quiçá a pior, isto é, a melhor e mais gloriosa forma de [in]sensatez.

:: Quanto a páscoas, cada um tem a que (se) queira: que o seja em si, ou tão-só no coitado do carneiro inocente ou no folar dos ovos de colombo, é que algo pode porventura mudar, ou então… nada muda... ::

(O sepulcro deve ser frio, nenhu.M.nome. Para que haja manhã eterna e ser um outro o espanto, que não o de Madalena - santa talvez, mas algo ... apardalada: do tão cedo, do choro tanto, da delongada vigília, e de outras jardinagens a tresandar a lírios do vale ...)

Bem, e agora, vou ler[-me]: em alvoroço de meus muitos silêncios que não são Silêncio.

Beijo. Só um.
(Como Judas. Que não sabia o que sabia saber. Ai...)

Glimpse disse...

Obrigada pelo poema e pela pintura.
Beijos a todos, uma Primavera Feliz. Mesmo chuvosa, mesmo tímida por agora, é sempre uma Primavera.

nenhumnome disse...

Exmo. Senhor do “Kispo” branco :)

MeTheOros,

Cheguei, vinda do sepulcro frio, meio apardalada com o que leio, entre silêncios que mal me vêem e luzes que mal me acordam. Será que já ressurectou O Insurrecto?

Calem-se as vozes nos túmulos da boca e dê-se a mão maneta à estropiada outra no sentir-se apocalipticamente sagrado recont[r]o [in]sensato de leituras de “evangelhos” outros. Magdala emudece de espanto, sim, na palavra ouvida dos lábios de Jesus: boca na boca, ouvido no ouvido, no fogo que não queima, mas está sempre aceso.

Não creio que esteja frio no sepulcro, MeTheOros, mas, antes, como diz, lá seja “manhã eterna”. Fogo eterno. Fogo e Rosa.

A Páscoa, cada um viva a sua, intensamente, como deve ser vivida.

Grata pelo beijo, Judas, Creio que sabia o que sabia saber.

(Quanto à parábola dos lírios… é como sabeis… nus… e sem porquê… "Olhai os lírios do campo: não trabalham nem fiam. E eu vos digo que nem Salomão com toda sua glória se vestiu como um deles"…)

Grata, nobre MeTheOros.

(Permita-me apenas uma nota de desapontamento que é um perguntar sem querer saber: o “tresandar” dos lírios era alguma manifestação de desagrado por esses seres ou por Maria Madalena, que apesar de Santa… era dada à jardinagem?)

Beijo fidelíssimo.

nenhumnome disse...

Glimpse,

Grata pelo desejo de Feliz Primavera.
Também por ter gostado do poema e da pintura.

Sempre um prazer.