terça-feira, 16 de junho de 2009
O sonho e a erecção
De dia, desde que há erecção, é o sinal de um sonho"
- Pascal Quignard, Le nom sur le bout de la langue, p.76.
Chicken a la Carte
Do fumar e da morte?!...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
versinhos de quando era proibido não sonhar
Versinhos sobre a Reforma Agrária
R. A.
Duas palavras apenas
Pra escrever Reforma Agrária
É das palavras pequenas
Aquela que mais abarca:
Charnecas de urze olivais
Campos de milho ervilhaca
É das palavras que mais
De ser pequena me encanta
Suor e pó sobre o rosto
Espigas de trigo na cara
Chapéus queimados de Agosto
Esperança força de seara
Frescura de barro – cântaro
De sombra e de prata fria
Mundo melhor alavanca
Bolota glande alegria
Ai Alentejo ai motor
Reforma Agrária poesia
Casa de velho senhor
Virada pra outro dia
"Este Verão, queres ser sereia ou baleia?"
Tudo vale, em tempos de crise...
Trans-Pátria - Um Portugal que padece do problema de se ver como problema
Com efeito, e embora se constate que isso tende e provavelmente tenderá a diminuir nas gerações mais jovens, é um facto que um dos temas mais destacados da cultura portuguesa é o da própria identidade nacional. Portugal como Problema, título de uma antologia de Pedro Calafate, designa aquilo em que a nação se tem convertido para os portugueses em geral: um problema, decerto sem solução, porque carente de real fundamento.
Do mesmo modo que não parece razoável considerar que todos ou a maior parte dos nossos males e bens se relacionem com Portugal, também não se afigura razoável esperar que Portugal venha a ser a solução ou parte da solução de todos os nossos problemas. Isto pela simples razão de que, antes de sermos portugueses, somos homens, seres vivos conscientes e sensíveis, cuja existência e presença no mundo antecede e excede os limites da história, da língua e da cultura que recebemos pela educação e pela imersão no mundo social que nos acolhe. Considerar a nação, enquanto organismo cultural, social e político, o factor determinante da existência e da solução dos nossos problemas existenciais, éticos e intelectuais, individuais e colectivos, é condenar-nos a reproduzir o que tem sido a nossa constante relação de amor-ódio com ela e a sua inevitável frustração contínua: esperando da nação o que ela não pode dar e alienando na identificação com ela o fundo mais íntimo e responsável do nosso ser, julgamo-la de acordo com expectativas irreais e tornamos dependente das suas vicissitudes a nossa felicidade ou infelicidade. Em particular, por essa compenetração entre indivíduo e nacionalidade, o nosso egocentrismo assume dimensão nacional e precipitamo-nos no constante e pendular complexo de inferioridade-superioridade que nos faz sentir ora os piores, ora os melhores do mundo, no círculo vicioso do autocentramento umbilical que caracteriza a hipertrofia do sentimento de identidade, neste caso individual-nacional. Daqui resultam as nossas anedóticas e contrapolares tendências, grosseiramente irrealistas, para nos vermos no centro do mundo ou na sua periferia, como a sua cabeça ou a sua cauda, como os eleitos ou os danados da sua história. Daqui resulta o gosto mórbido de nos maldizermos e depreciarmos constantemente, frustrado reverso do apego onírico e onanista a uma delirante auto-imagem de sucesso e glória planetários – fruto do apogeu dos Descobrimentos - , a qual, sempre desiludida pela natural indiferença da história e da realidade, se compraz na expectativa de sermos pelo menos campeões mundiais ou europeus em futebol ou no facto de termos o melhor jogador do mundo, a maior ponte, o maior ou segundo maior centro comercial, a maior feijoada (ao longo de toda a Ponte Vasco da Gama), etc…
Disto resulta o facto grave de muitos portugueses continuarem a fazer da nação e do seu sentido a principal questão da sua existência, para além do nível relativo em que legitimamente se coloca, relativizando a ela as grandes questões eternas e actuais com que se defronta universalmente a humanidade, como as do sentido da existência, da vida e da morte, a natureza e possibilidades da mente, a relação ética do homem com a natureza, o ambiente e os seres vivos, humanos e não-humanos. Isto configura, quase um século e meio após as Conferências do Casino, um Portugal ainda adormecido, alheio e marginal, pelos piores motivos, às encruzilhadas e dilemas da civilização contemporânea. Um Portugal que padece do problema de se ver como problema e que, assim, não pode ter solução.
"A imensidão é o movimento do homem imóvel" (Gaston Bachelard)

Poderíamos dizer que a imensidão é uma categoria filosófica do devaneio. Sem dúvida, o devaneio alimenta-se de espectáculos variados; mas por uma espécie de inclinação inerente, ele contempla a grandeza. E a contemplação da grandeza determina uma atitude tão especial, um estado de alma tão particular que o devaneio coloca o sonhador fora do mundo próximo, diante de um mundo que traz o signo do infinito.
Pela simples lembrança, longe das imensidões do mar e da planície, podemos, na meditação, renovar em nós mesmos as ressonâncias dessa contemplação da grandeza. Mas trata-se realmente de uma lembrança? A imaginação, por si só, não poderá aumentar ilimitadamente as imagens da imensidão? A imaginação já não será activa desde a primeira contemplação? De facto, o devaneio é um estado inteiramente constituído desde o instante inicial. Não o vemos começar; e no entanto ele começa sempre da mesma maneira. Ele foge do objecto próximo e imediatamente está longe, além, no espaço do além (1).
Quando esse além é natural, quando não se aloja nas casas do passado, ele é imenso. E o devaneio é, poderíamos dizer, contemplação primordial.
Se pudéssemos analisar as impressões de imensidão, as imagens da imensidão ou o que a imensidade traz a uma imagem, entraríamos imediatamente numa região da mais pura fenomenologia – uma fenomenologia sem fenómenos ou, para falar menos paradoxalmente, uma fenomenologia que não precisa esperar que os fenómenos da imaginação se constituam e se estabilizem em imagens completas para conhecer o fluxo de produção das imagens. Noutras palavras, como o imenso não é um objecto, uma fenomenologia do imenso remeter-nos-ia sem rodeios à nossa consciência imaginante. Nesse caminho do devaneio de imensidão construiríamos em nós o ser puro da imaginação pura. Ficaria então claro que as obras de arte são os subprodutos desse existencialismo de ser imaginante. Nesse caminho do devaneio de imensidão, o verdadeiro produto é a consciência dessa ampliação. Sentimo-nos promovidos à dignidade do ser que admira.
Por conseguinte nessa meditação não somos “lançados no mundo”, já que de certa forma abrimos o mundo numa superação do mundo visto tal como ele é, tal como ele era antes que sonhássemos. Mesmo se estivermos conscientes do nosso ser mirrado – pela própria acção de uma dialéctica brutal - , tomamos consciência da grandeza. Somos então entregues a uma actividade natural do nosso ser imensificante.
A imensidão está em nós. Está ligada a uma espécie de expansão de ser que a vida refreia, que a prudência detém, mas que retorna na solidão. Quando estamos imóveis, estamos algures; sonhamos num mundo imenso. A imensidão é o movimento do homem imóvel. A imensidão é uma das características dinâmicas do devaneio tranquilo.
Gaston Bachelard
A Poética do Espaço
trad. António de Paula Danesi
Livraria Martins Fontes
S. Paulo, 1989
(1) “A distância arrasta-me no seu exílio móvel”, Supervielle,L´escalier
Fonte(imagem): http://www.pianolessons.net/img/lessons/bluespiano.jpg
A doença do tempo: "Nunca nos detemos no tempo presente" (Pascal)
Foto: Trey Ratcliff, Templo de Angkor Wat, CambodjaNunca nos detemos no tempo presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence, e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste. É que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.
Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.
Blaise Pascal
Pensamentos Escolhidos
Tradução de Esther de Lemos
Editorial Verbo,Lisboa,1972
pág.45
domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
o paradoxo das ilusões
Denominaremos este ponto de "o observador".
A partir do observador, olhemos o passado; veremos que todas as coisas possíveis e impossíveis já aconteceram.
Agora olhemos para o futuro; veremos que todas as coisas possíveis e impossíveis irão acontecer.
Finalmente, olhemos para o presente, veremos sempre o mesmo: que neste instante, todas as coisas possíveis e impossíveis estão acontecendo.
Então o "observador" é uma abstração mental; uma ilusão paradoxal diante do infinito aparentemente imutável.
Na realidade, aquele ponto aleatório de referência (você e eu), constitui um instante mágico que se pontua o infinito; nada mais do que isto porque o "finito está para o infinito sempre a uma distância infinita".»
(J. Krishnamurti)
peter singer eutanásia
peter singer,escritos sobre uma vida ética, p.318.
esta é uma das posições mais polémicas de singer, porque questiona o valor intrínseco da vida, levantando quanto a mim a questão do especismo, da razão ou não de separar a espécie humana das outras espécies, será que no futuro previsível o homem não pode alcançar a erradicação das mais terríveis doenças,e com isso tornar perigosa a eutanásia nestes casos. pois, sei que é uma questão complicada e aliás pouco científica. mas é uma preocupação.
"Renascerás um dia sob a forma daquele que ofendes hoje e sofrerás as mesmas ofensas"
De uma ecologia não fundamentalista...
imagem olhares.com
(entre silêncios, vinhedos, brumas e o "futuro ao longe"... caminhamos) - caminho português de santiago - galiza
Para comemorar o Dia Mundial do Ambiente, celebrado no dia 05 de Junho, foi emitido em vários suportes (cinemas, circuito de dvd, tv e internet) o belíssimo documentário HOME, O Mundo É A Nossa Casa. HOME, é um filme-documentário da autoria do realizador francês Yann Arthus-Bertrand. É constituído por paisagens aéreas do mundo inteiro e pretende sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária.Se alguém quiser ver eis aqui o link (com narração em português): http://www.youtube.com/watch?v=tCVqx2b-c7U
"Os seres humanos estão constantemente a sonhar ", Don Miguel Ruiz

Otto Rapp, "Shaman Portrait"
"Viver é fácil, se o fizermos de olhos fechados,
compreendendo de forma errada tudo o que vemos..."
John Lennon
DOMESTICAÇÃO E O SONHO DO PLANETA
O que você está a ver e ouvir neste momento não passa de um sonho. Você está a sonhar neste preciso momento. Está a sonhar com o cérebro acordado. Sonhar é a principal função da mente, e ela sonha vinte e quatro horas por dia. Sonhamos quando o cérebro está acordado e também sonhamos quando o cérebro está adormecido. A diferença é que, quando o cérebro está acordado, existe uma moldura material que nos faz perceber as coisas de forma linear. Quando dormimos, não temos uma tal moldura, e o sonho tende para mudar constantemente.
Os seres humanos estão constantemente a sonhar. Antes de nascermos, os que viveram antes de nós criaram um enorme sonho exterior a que chamamos sonho da sociedade ou sonho do planeta. O sonho do planeta é o sonho coletivo de biliões de sonhos pessoais menores, que, juntos, formam o sonho da família, o sonho da comu-nidade, o sonho de uma cidade, o sonho de um país, e, finalmente, o sonho de toda a humanidade. O sonho do planeta inclui todas as regras da sociedade, as suas crenças, as suas leis, as suas religiões, as suas diferentes culturas e formas de ser, os seus governos, escolas, acontecimentos sociais e feriados.
Nós nascemos com a capacidade de aprender como sonhar, e os seres humanos que nasceram antes de nós ensinam-nos a sonhar da forma que a sociedade sonha. O sonho exterior possui tantas regras que, quando um novo ser humano nasce, captamos a atenção da criança, introduzindo tais regras na sua mente. O sonho exterior usa a mamã e o papá, a escola e a religião para ensinar-nos a sonhar.
A atenção é a capacidade que nós temos de discernir e focalizar-nos apenas naquilo que queremos apreender. Podemos apreender milhões de coisas ao mesmo tempo mas, fazendo uso da atenção, podemos manter qualquer uma delas no primeiro plano da nossa mente. Os adultos à nossa volta captam a nossa atenção e, pelo processo de repetição, colocam essas informações na nossa mente. Esta foi a forma através da qual aprendemos tudo o que sabemos.
Utilizando a atenção, aprendemos toda uma realidade, todo um sonho. Aprendemos como comportar-nos em sociedade, em que acreditar e não acreditar, o que é aceite e o que não é aceitável, o que é bonito e o que é feio, o que é certo e o que é errado. Tudo isso já lá estava - todo este conhecimento, todas estas regras e conceitos sobre como comportarmo-nos no mundo.
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Foi assim que aprendemos quando crianças. As crianças acreditam em tudo o que os adultos lhes dizem. Concordamos com eles, e a nossa crença é tão forte que o sistema de crença controla todo o nosso sonho de vida. Nós não escolhemos essas crenças, e poderíamos ter-nos revoltado contra elas, mas não tivemos a força suficiente para levar a cabo tal rebelião. O resultado é rendermo-nos às crenças com nosso acordo.
Chamo esse processo domesticação de seres humanos. E, por via desta domesticação, aprendemos como viver e como sonhar. Na domesticação humana, a informação do sonho exterior é fornecida ao sonho interior, criando o nosso sistema de crenças.
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A domesticação é tão forte que, chegados a um determinado ponto na nossa vida, já não precisamos que ninguém nos domestique. Estamos tão bem treinados que passamos a ser o nosso próprio domesticador.
Don Miguel Ruiz, “Los Quatro Acuerdos – Un libro de Sabiduría Tolteca”,
Ed. Urano, Barcelona, 1998, págs. 10-14
sexta-feira, 12 de junho de 2009
E a propósito da Literatura... dos Livros...
Lágrima de Loba (a propósito dos animais)
quinta-feira, 11 de junho de 2009
a bater ao ferrolho. Mas será de facto a morte?» De novo o terror se apoderou dele; a tremer inclinou-se a procurar os fósforos e empurrou a mesinha-de-cabeceira com o cotovelo. O diabo da mesa só estorvava. Furioso empurrou-a com mais força e pregou com ela no chão.
Desesperado, resfolegando a custo, deixou-se cair de costas à espera da morte que dir-se-ia andar por ali.
Leão Tolstoi, in A morte de Ivan Ilich, p.46
Comunicado do Partido Pelos Animais sobre as Eleições Europeias de 2009
A abstenção massiva em toda a Europa, junto com os votos em branco, mostra o crescente descrédito e indiferença da maioria da população em relação aos velhos modos de fazer política, configurando um preocupante divórcio entre os Estados, os partidos e os cidadãos. Com efeito, a afluência às urnas, ao longo de 30 anos e em 7 Eleições Europeias, desceu sempre, passando de 61.99% em 1979 para 43.2% em 2009. Perante este quadro, deve colocar-se a questão da legitimidade real das aparentes “maiorias” triunfantes, que na verdade correspondem a uma reduzida minoria do número total de cidadãos eleitores. Esta verdade é escamoteada no discurso oficial dos partidos e dos comentadores políticos, apesar de ser uma evidência incontornável que põe em causa o sentido da própria democracia, o princípio de representação e o sistema eleitoral vigente.
Tudo isto mostra a urgente necessidade de outro modo de se fazer política, movido por valores éticos inquestionáveis e não pela obediência aos grandes grupos económicos e ideológicos mundiais ou pelo mero desejo de poder e promoção pessoal. No mundo de hoje, após a emancipação dos escravos e das mulheres, o progresso mental, ético e civilizacional exige o respeito pela natureza e por todas as formas de vida consciente e sensível. Disso depende a sobrevivência, a evolução e o bem do próprio homem. O Partido Pelos Animais, que recolhe assinaturas para a sua constituição oficial, representa em Portugal essa nova forma de estar na política, lutando por uma sociedade humana mais justa, em harmonia com a natureza e os seres vivos. Sabemos que muitos milhares de portugueses nos acompanham na rejeição dos sofrimentos atrozes a que os animais estão sujeitos pelo actual sistema de produção e consumo e pelos costumes sociais, sem terem qualquer protecção jurídica, pois são considerados como objectos. O Partido Pelos Animais surge para defender os que estão indefesos perante a violência gratuita a que estão sujeitos, para promover a protecção animal em todos os domínios e para introduzir na política o novo paradigma mental, ético e civilizacional que o futuro exige.
10 de Junho de 2009
A Comissão Coordenadora
www.partidopelosanimais.com
quarta-feira, 10 de junho de 2009
"A Batalha das Formigas", Aleister Crowley (1875 – 1947)

Max Ernst, "O olho do silêncio", 1944
A BATALHA DAS FORMIGAS
Aquilo não é o que é.
A única palavra é Silêncio.
O único Significado dessa Palavra é não.
Pensamentos são falsos.
Paternidade é unidade disfarçada de dualidade.
Paz implica guerra.
Poder implica guerra.
Harmonia implica guerra.
Vitória implica guerra.
Glória implica guerra.
Fundação implica guerra.
Ai! pelo Reino onde todos estes estão em guerra.
Aleister Crowley, “ Livro das Mentiras”, cap. 5, pág. 14
Fonte: http://www.hippies.com.br/books/Liber_333-O_livro_das_mentiras.pdf
THE BATTLE OF THE ANTS
That is not which is.
The only Word is Silence.
The only Meaning of that Word is not.
Thoughts are false.
Fatherhood is unity disguised as duality.
Peace implies war.
Power implies war.
Harmony implies war.
Victory implies war.
Glory implies war.
Foundation implies war.
Alas! for the Kingdom wherein all these are at war.
Aleister Crowley, “The Book of Lies”
Fonte: http://www.hermetic.com/crowley
"... não existe nada que seja mais terrível do que o infinito"
- Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência, tradução de Alfredo Margarido, Lisboa, Guimarães Editores, 1977, p.143.
Estas Almas Incertas
A estas almas incertas.
Tortura-as a honra que vos fazem,
Pesam-lhes, dão-lhe vergonha os seus louvores.
Porque não vivo
Preso à sua trela,
Saúdam-me com um olhar agridoce.
Onde passa uma inveja sem esperança.
Ah! Porque não me amaldiçoam!
Porque não me viram francamente as costas!
Aqueles olhos suplicantes e extraviados
Hão-de enganar-se sempre a meu respeito.
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
Frederico García Lorca / El Silencio
Oye, hijo mío, el silencio.
Es un silencio ondulado,
un silencio,
donde resbalan valles y ecos
y que inclina las frentes
hacia el suelo.
Federico García Lorca, 1922
terça-feira, 9 de junho de 2009
agradável
gilles deleuze/felix guatarri
O grande desafio de Portugal: o bem comum do planeta e de todas as formas de vida
- Como caracteriza o povo português?
Talvez a maior característica do povo português seja ser incaracterizável, o que não é necessariamente negativo, pois é isso que nos tem permitido a flexibilidade de conviver e dialogar com todos os povos e culturas. Somos um povo oceânico, com um grande poder de metamorfose.
- De onde vem a identidade que faz dos portugueses um povo desorganizado, mas lutador?
Não creio que existam “identidades” individuais e colectivas, no sentido de entidades com características permanentes, independentes das interacções e do devir histórico. Gosto todavia de recordar a definição dos lusitanos pelo romano Gaius Julius Caesar, como o “estranho povo” “que não se governa, nem se deixa governar”. Haveria assim, numa linha dos nossos antepassados, um fundo libertário e an-árquico, pelo menos na perspectiva de um representante da Pax romana. Isto não impedia que os lusitanos se unissem, quando ameaçados na sua independência, em torno de um chefe carismático, como Viriato. Creio que foi esse mesmo amor à independência, aliado a factores culturais, que originou Portugal e que o manteve contra as tentativas de integração em Castela. Foi isso que nos recortou fronteiras e que, depois, nos fez romper essas mesmas fronteiras, tornando-nos viajantes e habitantes de todo o mundo.
Hoje, todavia, parece que essa insubmissão e arrojo escasseiam, o que parece acontecer sempre que não somos confrontados com situações de grande opressão, risco ou desafio. Deixamo-nos governar por minorias, como acontece em toda a Europa, pois a maioria abstém-se nas eleições. O impulso lutador não surge a nível de um projecto colectivo, que manifestamente não existe, não havendo também um líder carismático que se imponha pelo seu exemplo e visão. A capacidade de luta confina-se a indivíduos e grupos que pugnam apenas por interesses particulares, na cultura, na política e na economia.
- Os povos latinos são mais descontraídos que os nórdicos. Terá a ver com o clima, meio ambiente, o que oferece a natureza...? Ou serão outras razões?
O clima e o meio ambiente são factores importantes, que já Aristóteles reconhecia como diferenciadores dos povos. Todavia há também factores culturais e étnicos. Agostinho da Silva, na linha de Max Weber, salientou a influência da mentalidade protestante no culto do trabalho que haveria de fazer surgir o capitalismo no norte da Europa. Eu iria mais longe, considerando que o voluntarismo bélico das invasões indo-europeias impregnou mais o Norte da Europa, enquanto o Sul permaneceu mais mesclado com as culturas indígenas e semitas, mais contemplativas e ligadas aos ritmos da terra.
Dito isto, é evidente que o espírito mais activo e organizado dos nórdicos é uma mais-valia quando posto ao serviço de boas causas, como a cidadania, a ecologia e a protecção dos animais, em que superam largamente os povos latinos.
- A era dos Descobrimentos marcou a nossa cultura? Foi por tudo o que passámos que somos aquilo que somos hoje? Que 'marca' terá deixado essa época?
Aquilo que vamos sendo é sempre, no presente, fruto do que fizemos no passado e do que desejamos ser no futuro. Os Descobrimentos marcaram-nos profundamente, deixando sobretudo a saudade de um apogeu e de uma grandeza que, a meu ver, não são apenas do poder e da riqueza material de que fugazmente usufruímos no mundo, mas sobretudo, embora inconscientemente, de havermos vivido e convivido à escala do planeta. É por isso que o pequeno Portugal e a limitada Europa não nos podem satisfazer plenamente. O problema é que, em vez de assumirmos o sentido mais fundo do nosso desejo de grandeza, andamos em busca de vãs compensações do nosso sentimento de carência, como sermos campeões do mundo de futebol, termos a maior ponte, o maior centro comercial, etc. Querer ser grande é o sintoma de quem se sente menor por não reconhecer o que há, desde já, de grande e insuperável em si.
- De que forma a cultura e maneira de ser dos portugueses condiciona o que são e o que serão no futuro?
Pelo que já disse, somos um povo que, embora actualmente estagnado, em termos colectivos, é todavia imprevisível. Creio que tudo depende de assumirmos um grande desafio colectivo, que nos leve a superar-nos e a darmos o melhor de nós mesmos para o realizar. Olhando para o mundo de hoje, só vejo como desafio digno de o ser o vivermos não apenas para nós, nem somente para os nossos próximos pela história, língua e cultura, mas para o bem comum de todo o planeta e de todas as formas de vida. Uma pequena nação como Portugal pode tornar-se grande pela promoção de um grande ideal universal, benéfico para todos, como a defesa da natureza, do meio ambiente, dos direitos humanos e dos direitos de todos os seres vivos, com todas as consequências culturais, sociais, políticas e económicas disso. Esse é o melhor desafio que Portugal e o mundo lusófono podem assumir, na linha do que sobre eles pensaram Camões, Vieira, Pessoa e Agostinho da Silva. Costumo chamar a isto o patriotismo trans-patriótico e universalista. Colocar o melhor da nossa cultura e das nossas energias e potencialidades ao serviço da felicidade e bem-estar de todos os seres. Só assim poderemos ser um dos embriões dessa nova civilização a que todos no fundo aspiramos, miticamente designada como Quinto Império. Sem isso, pouco nos resta senão sermos uma reserva turística do mundo, no limbo da grande encruzilhada que hoje se desenha entre as forças do obscurantismo mundial e esse novo paradigma emergente nas consciências mais despertas.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Diálogos do Jardim I
Dúvida
domingo, 7 de junho de 2009
"Sola", Diana Navarro
À alma-jardim de Saudades, boca em flor de luz,
e a Isabel Santiago, a seu olhar-lábio de cristal azul-infância:
ao que sabem...
sentir ...
"Sola"
El amor, tiene una verca
El amor tiene una verca
Que me lleva asta el dolor
Sola, sola con mi pena
Sola triste y sola
Sola con mi pena
Con mi pena sola
Sola con mi pena
Sola triste y sola
Sola en mi amargura
Sola triste y sola
Sola sola sola
Pena, y melancolia
Que vive en mi habitación
Sola unica amiga mia
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Sola, sola con mi pena
Sola triste y sola
Sola con mi pena
Con mi pena sola
Sola, sola con mi pena
Sola triste y sola
Sola en mi amargura
Sola triste y sola
Sola sola sola
sábado, 6 de junho de 2009
"A via do homem na virgem"
e uma quarta que não compreendo:
a via da águia no céu,
a via da serpente na rocha,
a via da nave no mar,
a via do homem na virgem"
- Provérbios, 30, 18-19.
Posso abusar da vossa boa vontade para ver videos do youtube???
Posso? Posso?
Fico à espera dos comentários...
Eu desconhecia esta versão das alterações climáticas
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Jorge de Sena: Morra o bispo e morra o papa
maila sua clerezia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram frades, morram freiras.
maila sua virgaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra o rei e morra o conde.
maila toda fidalgula.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram meirinho e carrasco.
maila má judicaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra quem compra e quem vende,
maila toda a usuraria.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram pais e morram filhos.
maila toda filharia.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morram marido e mulher.
maila casamentaria.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morra amigo, morra amante.
mailo amor que se perdia.
Ai rosas de sangue e leite,
que só a terra bebia!
Morra tudo, minha gente.
vivam povo e rebeldia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Jorge de Sena
in Visão Perpétua
5/1964
o homem, esse animal maravilhoso
'todos os progressos na cultura, mediante os quais o homem faz a sua formação escolar, têm o propósito de usar esses conhecimentos(kenntnisse) e aptidões adquiridos para o uso do mundo, mas, neste mundo, o objecto mais importante a que ele os pode aplicar é o homem, pois ele é o seu próprio fim último'
immanuel kant
"Não se têm dois corações..."
"Não se têm dois corações, um pelo homem, outro pelo animal... Tem-se coração ou não se tem" - Lamartine
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Vamos ajudar a criar um Partido Pelos Animais, recolhendo 7500 assinaturas - O bem da humanidade depende do respeito por todas as formas de vida

Car@s Amig@s
Por imperativo ético e de consciência, decidi integrar a Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais, que visa defender a natureza, o meio ambiente e todas as formas de vida, que aspiram igualmente ao bem-estar e à ausência de sofrimento. Destacamos os animais, pois não se podem defender dos sofrimentos atrozes e desnecessários que lhes são infligidos pelos humanos, sendo considerados meros objectos pelo Código Penal português. Consideramos que esta causa é em prol do desenvolvimento ético e mental do próprio homem e para seu benefício, pois mudar o seu comportamento em relação à natureza e aos animais não humanos só pode traduzir-se numa relação mais harmoniosa e feliz de cada pessoa consigo e com os demais seres humanos. Disso depende hoje a sobrevivência da própria espécie humana. O aumento da protecção aos animais tem também imensos benefícios sociais e económicos, permitindo criar milhares de novos empregos, como acontece em vários países europeus.
O nosso manifesto e outras informações podem ser lidos em www.partidopelosanimais.com
Envio a primeira entrevista que, em nome do PPA, acabo de conceder à Agência Lusa.
Para que o PPA possa existir, necessitamos de 7500 assinaturas, em listas que podem ser impressas em www.partidopelosanimais.com e enviadas para a morada indicada. Venho pedir-vos que, caso estejam minimamente de acordo com esta causa, assinem e dêem a assinar a outras pessoas. Assinar as listas não implica aderir ao PPA, mas apenas permitir que ele seja legalmente possível.
Quem quiser assumir uma função mais activa na recolha de assinaturas, agradeço que me comunique, a fim de o pôr em contacto com a Comissão que coordena esta actividade.
Sou o primeiro a reconhecer o descrédito em que caiu a actividade político-partidária, mas é por esse mesmo motivo que sinto a urgência de se fazer algo diferente neste domínio.
Vamos contribuir para o surgimento, também na intervenção política, de um novo paradigma mental, ético e civilizacional, que hoje se impõe para o bem do Planeta!
Saudações cordiais
Paulo Borges
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1 - O Partido pelos Animais vai ser um partido monotemático (dedicado apenas aos direitos dos animais)?
De modo algum, conforme se pode constatar pela leitura do nosso Manifesto. Nós somos a favor da defesa da natureza, do meio ambiente e de todas as formas de vida, o que inclui obviamente o próprio homem, cuja felicidade depende da sua relação harmoniosa com os outros seres e com o universo. Se destacamos a defesa dos direitos dos animais, é por duas grandes razões: 1 - por um lado porque são considerados em Portugal meros objectos, em termos jurídicos, com tudo o que isso implica, o que é escandaloso, além de não terem a possibilidade de se defender dos sofrimentos e exploração desnecessários de que são vítimas por parte dos humanos; 2 - por outro, porque da defesa dos animais e da natureza depende hoje a sobrevivência e a qualidade de vida da própria humanidade, sendo também esta a causa que, pela sua natureza altruísta, mais implica uma mudança mental e ética do próprio homem, que trará grandes benefícios sociais, políticos e até económicos, permitindo criar imensos novos empregos destinados à protecção dos animais, como já acontece em muitos países europeus.
2 - Já teve início a recolha de assinaturas para formalizar o PPA junto do Tribunal Constitucional? Quando pensam concluí-la? (se já houver percepção de uma data)
A recolha de assinaturas já começou e os interessados podem imprimir as folhas directamente no nosso site: www.partidopelosanimais.com
Esperamos concluí-la tão breve quanto possível.
3 - Chegaram a pensar numa adesão ao Bloco de Esquerda ou ao Partido Ecologista ‘Os Verdes’, que defenderam recentemente na AR os direitos dos animais?
Porque decidiram criar um partido autónomo?
Nunca chegámos a equacionar essa hipótese por nos parecer evidente que a defesa dos animais, bem como da natureza, do meio ambiente e de todas as formas de vida, é transversal a todas as orientações político-partidárias, não podendo ficar limitada a nenhuma delas. Por outro lado, a dimensão desta causa é suficientemente ampla para justificar a existência de um novo partido, a ela inteiramente consagrado. Reconhecemos todavia como positivo e desejável o trabalho que outros partidos façam neste mesmo sentido. Surgimos movidos por uma causa ética e altruísta e não pelo apetite do poder.
4 - Que expectativas têm a nível eleitoral?
O nosso objectivo é obtermos representação no Parlamento, tão ampla quanto possível, e gerarmos um movimento de opinião que obrigue as demais forças políticas a uma actuação mais efectiva neste domínio.
5 - As diferenças entre o sistema eleitoral de Portugal e o da Holanda (onde o Party for the Animals tem dois deputados no parlamento) vão ser um obstáculo à eleição de deputados do PPA. Estão conscientes disso? Como pensam contornar o problema?
Sabemos isso, mas confiamos na vocação do povo português para ser solidário e abraçar causas nobres. Fomos os primeiros a abolir a pena de morte e despertámos a comunidade internacional para o drama de Timor. Cabe-nos hoje ampliar o nosso universalismo para além dos limites da nossa espécie e sermos solidários com todas as formas de vida. Sabemos que seremos a voz de muitos e muitos portugueses que amam a natureza e os animais, aos quais se dedicam desinteressadamente, e que não se revêem numa política que esquece completamente os direitos dos seres vivos não humanos.
Por outro lado, um dos pontos do nosso programa visará a alteração da actual lei eleitoral, que sanciona erros e injustiças flagrantes, como permitir que numa determinada região seja eleito um candidato que nada tem a ver com ela ou que os votos em branco não tenham qualquer expressão, quando manifestam uma legítima opção do eleitorado que se deveria traduzir por cadeiras vazias na Assembleia da República.
6 - A que eleições pensam candidatar-se? As legislativas ou autárquicas deste ano estão no vosso horizonte?
Tudo depende da rapidez com que recolhermos as assinaturas, mas todas as formas de eleição estão no nosso horizonte.
7 - Já têm o incentivo da activista dos direitos dos animais Maneka Anand Gandhi, presidente da People for Animals Índia e que foi ministra em quatro governos.
Qual a importância e o simbolismo deste apoio?
Os maiores! Trata-se “apenas” de uma das maiores representantes desta causa a nível mundial, membro da família do próprio Gandhi, que já aceitou vir a Portugal quando o Partido tiver formalizado a sua constituição. Ela incarna hoje o mesmo espírito de “ahimsa”, “não-violência”, do Mahatma Gandhi.
8 - Onde se vai situar o PPA no espectro partidário tradicional (esquerda, centro, direita)?
Não nos parece que faça qualquer sentido aplicar essas etiquetas tradicionais, hoje bastante equívocas, a um Partido que pela sua natureza transcende essas classificações. Defendemos o bem-estar e a felicidade de todas as formas de vida, pois todas elas estão intimamente ligadas. Isso não é de esquerda, do centro ou da direita e vai para além do antropocentrismo e egoísmo predominantes nas tradicionais forças políticas.
O PPA é a manifestação em Portugal, na esfera da acção política concreta, de uma nova forma de consciência e de sensibilidade, que surge em todo o mundo, e que visa pôr em prática um novo paradigma mental, ético e civilizacional. Sob risco de uma degradação cada vez maior da vida sobre o planeta, incluindo a vida humana, o futuro exige a prática dos valores que defendemos.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Fiama Hasse Pais Brandão: Foz do Tejo, um país
de quem o olha e embebeu a sua alma
de olhares ribeirinhos no passado
ou à flor do pensamento no futuro.
É um país que fala dentro da fronte,
olhando as naus, navios, barcos pesqueiros
e o trilho das famintas aves pintoras
de riscos negros, que perseguem o odor
das redes cheias, as outrossim poéticas
familiares gaivotas. É uma costa inteira
de imagens de gaivotas dentro dos olhos.
São bocas a pensar razões da vida,
gargantas já caladas pela nascença e morte,
quando entre si se vêem ou juntas olham
o mar dos seus próprios dias. São cabeças
velhas de labutar, entre dentes cerrados,
as palavras mudas de um ofício no mar,
antigas de silêncio, como se no esófago
guardassem há muito a sabedoria de ir
enfrentar o mar, transpor o mar, estar.
Tal como um rio o mar só quer falar
pela dor e alegria de alma com que o chama,
há séculos na orla, um povo mudo,
com as palavras presas, guturais sem fôlego,
dentro de si, tão firmes no palato, articuladas
na língua interior. E o mar é quieto ou bravo,
e a alma tensa de uma paixão secreta,
escondida atrás da boca, e sempre aberta,
tal como as pálpebras diante desta água.
Só a alma sabe falar com o mar,
depois de chamar a si o Rio, no imo
de cada um, recordações, de todos
os que cumprem na linha da costa o seu destino.
O de crianças, berços nascidos à beira-mar,
aleitadas por água marinha bebida por rebanhos,
alimentadas por frutos regados pela bruma.
Mesmo quando petroleiros, se olharmos o mar,
passam sem som na glote, para nós mesmos dizemos
que o tempo já findou das caravelas outrora
e dentro do nosso sangue passa o tempo de agora.
Também as varinas, fenícias áfonas no poema
que as canta, sabem as formas, pelo olhar,
de serem mulheres com peixes à cabeça.
E os pregões que eu calo, revendo-as, eram outra
língua do mar, os nomes com que nos chamam
para o seu modo de levar entre as casas o mar.
Mas as dores não as ecoa o mar, nem mesmo
as de poetas, só as pancadas das palavras
no encéfalo parecem ser voz do mar.
É uma nação única de memórias do mar,
que não responde senão em nós. Glórias, misérias,
que guardámos por detrás do olhar lírico
e da língua, a silabar dentro da boca.
Nunca chamámos o mar nem ele nos chama
mas está-nos no palato como estigma.

Dezembro de 1997
Fiama Hasse Pais Brandão
Cena Vivas
Relógio d´Água
plágio-línguas
não posso mais dizer:
morro à míngua de excessos
nada impede que diga:
morro ao excesso
de mínguas
4 de Junho - Rossio - 18.30 - Tiananmen: 20 anos depois
O Governo Chinês tem-se recusado a levar a cabo um inquérito aberto, independente e imparcial aos acontecimentos dos dias 3-4 de Junho, apesar dos apelos dos governos estrangeiros. Mas é necessário que a justiça acabe por prevalecer e que as vítimas não sejam esquecidas. Nesse sentido a Amnistia Internacional - Secção Portuguesa promove várias acções públicas no próximo dia 4 de Junho, 5ª feira, à qual várias estruturas já demonstraram interesse em se associar:
Acção em Lisboa:
Pretende-se alertar o público em geral e a Embaixada da China em Portugal para a necessidade de fazer justiça às vítimas do 4 de Junho de 1989 e para que acabem as perseguições a todos aqueles que têm tentado lembrá-las, dentro da China. Também se pretende fazer uma homenagem às Mães de Tiananmen, cujos filhos foram mortos durante aqueles acontecimentos e que durante anos e anos tiveram de esconder a sua dor.
A acção a levar a cabo pelo CoGrupo da China, com início às 18h 30mn do dia 4 de Junho, no Rossio, consiste em tentar reproduzir a ocupação da Praça de Tiananmen pelas tropas e consequente brutal repressão:
Voluntários envergando camisolas brancas com dizeres em chinês e em português exigindo “Nunca Esqueçam”, o “Contem a Verdade”, “Faça-se Justiça”, e com uma faixa branca atada na cabeça surgem em uma Praça de Lisboa (talvez o Rossio) e logo se seguem outros voluntários que simulam soldados, com camisolas pretas com uma estrela vermelha, segurando uma espingarda AK 47 (fabricada em polipropileno alveolar e com a imagem da espingarda colada dos 2 lados) e um cartaz com um tanque de guerra desenhado que simulam descargas de balas. Os estudantes caem no chão e a seguir, perto mas não junto a eles., voluntárias depositaram no chão, 6 rosas brancas e 4 vermelhas. Estas flores são o símbolo das Mães de Tiananmen. As rosas brancas representam a pureza do coração dos mortos em Tiananmen e as vermelhas a sua paixão. O número 6 por ser relativo ao mês 6 - Junho e 4 ao dia do mês.
danças que arriscam
Quinta FábulaOs homens-rã presos pelo cordão do ar.
Quase, saltar e fugir do espaço, sentar-se no ar, voar de lado
Risco, conflito aéreo, cair no vazio, dizer adeus ao mundo inteiro.
.
.
.
.
Experimente a sensação de ver as suas pernas ganharem molas nos joelhos e andarem com outra ligeireza, a ligeireza das rãs.
O seu corpo é puxado de lado para lado.
As suas mãos abandonam o peso habitual e sobem sozinhas, elevando os braços para o voo.
71. Lois Greenfield “David Parsons, Daniel Ezralow, Ashley Roland”, 1986
72. José Manuel “Masurca Fogo”, Pina Bausch, 1998
73. Netherlands Dans Theatre “Symfonie in D/ Symphony in D”, coreography by Jirí Kylián; dancers: Nils Christie, Gérard Lemaitre and Michael Sanders, 1976
74. Jean-Claude Carbonne ”Noces”, Ballet Preljocaj; danseurs: Natacha Grimaud, Yan Giraldou, Alexandre Galopin, Gaëlle Chappaz
75. Guy Delaheye “La Chambre”, L’Esquisse.
terça-feira, 2 de junho de 2009
belavista III
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Dia Mundial da Criança
Do tempo, e da rosa

tudo parece ser somente tempo...sempre passado...memória....chave do nosso ser!
é no/com/pelo tempo que me reinvento pessoa, poeira, pó de estrela, grão de areia de deserto e de praia, brisa fresca que o mundo atravessa, pétala de rosa suave e perfumada que te atravessa em odor de mim...
e pergunto-me: sou tempo?
por certo, quimera e (des)ilusão, (des)construção, (des)obstrução.
sempre contemplação, por vezes reacção, potencialmente proacção.
sou o tempo do meu intento...ou talvez não?
conflito de coração e razão.
harmonia na dualidade.
aspiro...vacuidade.
ser tudo e nada em consciência universal.
meditação.silêncio.
espera.
memória.
rasgo de (in)finito que se redesenha em existência reencarnada.
respiração solta.
inspiração fluida.
intuição.
o tempo é uma rosa.
flor perfeita que adoro.
sensualidade entreaberta.
odor presente.
desejo premente.
espinho e lágrima.
(des)encanto.
ternura.
perdão.
domingo, 31 de maio de 2009
És Música e a Música Ouves Triste?
Doçura atrai doçura e alegria:
porque amas o que a teu prazer resiste,
ou tens prazer só na melancolia?
se a concórdia dos sons bem afinados,
por casados, ofende o teu ouvido,
são-te branda censura, em ti calcados,
porque de ti deviam ter nascido.
Vê que uma corda a outra casa bem
e ambas se fazem mútuo ordenamento,
como marido e filho e feliz mãe
que, todos num, cantam de encantamento:
É canção sem palavras, vária e em
uníssono: "só não serás ninguém".
William Shakespeare, in "Sonetos (8)"
Virgílio Ferreira, in Aparição
Acendo um cigarro, fico-me a olhar o incêndio.
Lembra-me imagens da guerra, de cidades bombardeadas. Alguém deve ir pegando o fogo por sectores, estabelecendo linhas de chamas que o vento vai impelindo. O campo arde vastamente, como uma destruição universal. Quase ouço o crepitar das chamas como o fervor final de uma inundação. Sinto-me só e nu, escapando ao desastre. Mas esta nudez que eu algum dia julguei possivelmente coberta pela compreensão dos outros, esta redução extrema às minhas raízes, esta solidão inicial de quem não pode esquecer a sua pobre condição é o sinal humilde e amigo de que à vida que me deram a não repudiei, de que cuidei dela, a não perdi, a levo comigo nesta viagem breve, a aceito ao meu olhar de fraternidade e perdão... A noite avança, a minha cidade arde sempre. Vou fundar outra noutro lado. Mas não sabia eu que ela devia arder? Acaso será possivel construir uma cidade como a imagino, a cidade do Homem? Acaso não dura ela em mim, no meu sonho, apenas porque a penso sem consequências, a imagino, a não vivo, lhe não exijo responsabilidades? Não o sei, não o sei...
Mas o que sei é que o homem deve construir o seu reino, achar o seu lugar na verdade da vida, da terra, dos astros, o que sei é que a morte não deve ter razão contra a vida nem os deuses voltar a tê-la contra os homens, o que sei é que esta evidência inicial nos espera no fim de todas as conquistas para que o ciclo se feche - o ciclo, a viagem mais perfeita.
o irreparável
agamben, a comunidade que vem
saudações
Uma proposta de exercício prático
[...]
Além dos exercícios anteriores, que desenvolvem na mente a sua qualidade inata de atenção, tornando-a estável, calma e clara, para que possa permanecer no reconhecimento-fruição da sua natureza primordial, outros há que despertam e desenvolvem, como indispensável complemento dos primeiros, a qualidade inata de sensibilidade, amor e compaixão que há nessa mesma natureza primordial da mente. Um dos mais potentes e eficazes é o que passamos a descrever e que se pode chamar troca.
Verifica primeiro os sete pontos da postura física, assegurando teres a coluna bem direita. As mãos podem ficar agora sobre os joelhos, com as palmas viradas para baixo. Começa por deixar a mente livre de qualquer referência e focalização, numa abertura da consciência tão vasta como o espaço, sem outro suporte da atenção senão a própria experiência de estar consciente. Deixa-te residir na experiência primordial, sem pensares nisso. Centra agora a consciência no coração e evoca aquele ser (ou seres) que neste preciso momento mais amas e/ou pelo qual mais te compadeces. O ser cuja felicidade mais desejas e/ou cujo sofrimento mais te é insuportável. Isto de modo mais autêntico, incondicional e pleno, com menos expectativas de reconhecimento, retribuição ou recompensa, ou seja, com menos apego. Esteja vivo neste mundo ou dele haja já partido, não importa. Se sentires que és tu próprio, não há qualquer problema. É por aí que deves começar.
Pensa nesse ser e sente-o, vê-o, visualiza-o bem presente diante de ti. Ele aqui está, porque a mente, o amor e a compaixão não conhecem tempo nem espaço… Para eles nunca há limites, separação ou distância…Ele aqui está… Podes agora fechar os olhos, se preferires, para melhor o ver e sentir, bem vivo e presente diante de ti… Bem vivo e sensível. Considera e sente todo o seu sofrimento, toda a sua dor e suas causas, todas as suas ilusões, obscurecimentos e negatividade…Todos os seus tormentos e dificuldades materiais, físicos, emocionais e mentais…Os que conheces e os que desconheces, os reais, os potenciais e os possíveis, as sementes de negatividade, implantadas pelas suas acções passadas, mentais, verbais e físicas, que já, sem que ele o saiba, no seu íntimo germinam em tendências que, perante as adequadas circunstâncias externas, no futuro desabrocharão em todo o tipo de problemas… Contempla tudo o que o fez, faz e fará sofrer… Que mais não seja a ignorância do seu bem profundo, o tormento da perda do que agora o faz feliz e a dor da morte inevitável. Considera, vê e sente tudo isso e aspira do fundo do coração a libertá-lo completamente de tal !
Se começas por ti próprio, desdobra-te e contempla-te diante de ti carregado de tudo isso. Do lado de cá está a tua natureza primordial, a dimensão saudável e incorruptível de ti mesmo, livre de todos esses problemas e aflições e por isso apta a fazer alguma coisa. Ama-te verdadeiramente. Cultiva realmente o amor-próprio. Não te limites à busca do prazer medíocre e fugaz. Reconhece tudo o que te atormenta e te pode vir a atormentar e deseja, do fundo do coração, veres-te livre, de uma vez por todas, de tudo isso ! Deseja a felicidade infinita !
Não consideres natural e fatal o sofrimento, nem o teu, nem o de ninguém. Revolta-te serenamente contra a indiferença, preguiça e distracção em que tens andado. Decide-te a fazer alguma coisa, a instaurar desde este preciso instante uma profunda diferença na tua vida e, assim, no universo !
Inspirando profundamente, bem concentrado no que estás a fazer, absorve então tudo isso, sob a forma de fumo negro que vem das entranhas desse ser, no mais fundo do teu coração subtil, no centro do teu peito. Aí toca e dissolve a sua carapaça e o seu cerne mais fechado e insensível, o núcleo cego e duro de ignorância, medo e auto-protecção de onde provém todo o nosso egocentrismo, todo o nosso apego à ideia de uma felicidade egoísta e a nossa rejeição do sofrimento para os outros, bem como a nossa indiferença… No caso de estares a praticar por ti, considera igualmente que esse fumo negro, ao tocar o teu coração, dissolve a sua armadura de ignorância e indiferença ao teu bem e felicidade profundos, que tantas vezes trocas pelo apego a prazeres efémeros e egoístas que só te deixam frustração, sede e dor. Toma em ti toda a ilusão e sofrimento do ser à tua frente e todo este fumo negro, toda esta negatividade, pelo amor e compaixão da tua motivação, ao tocar e dissolver esse núcleo cego e duro, converte-o e converte-se imediatamente numa luz, branca ou dourada, que ao expirar irradias agora abundantemente, banhando-o e impregnando-o de uma paz, uma saúde, um bem-estar e uma felicidade onde se dissipam todas as suas dificuldades e sofrimentos materiais, físicos, emocionais e mentais... À medida que praticas, profundamente concentrado e confiante nas tuas capacidades, contempla a transformação que ante ti e em ti se opera…Este ser que tanto amas torna-se saudável, radiante, feliz, bem-aventurado… E tu experimentas essa mesma plenitude e alegria, deixando que ela irradie num sorriso nos teus lábios.
Pratica assim durante algum tempo, embrenhando-te cada vez mais na experiência como uma oportunidade extremamente preciosa e gratificante. Não a vejas nem vivas como um sacrifício ou uma obrigação, de carácter moral ou religioso. Sente-a antes como a plena realização das tuas melhores aspirações a desenvolveres e manifestares o melhor que há em ti, como o cumprimento da mais funda saudade de plenitude que desde sempre em ti e tudo habita.
Se começaste por ti, passa então, durante uns momentos, a outro ser que ames de modo mais incondicional, considerando-o inseparável de ti. Depois, abre mais o coração, pensando em alguém conhecido, em relação ao qual tens uma atitude neutra e indiferente, não lhe querendo bem nem mal… Contemplando-o como um ser sensível que, tal como o primeiro, não deseja senão ser feliz e não sofrer, coloca-o a seu lado, considerando-os inseparáveis. Podes mesmo contemplar que no mais fundo do coração deste ser estás tu ou aquele(s) que mais amas. Pratica exactamente do mesmo modo por ambos sem perda de motivação, concentração e intensidade…Tenta mesmo aumentá-las, que mais não seja considerando que o benefício do primeiro ser e o teu próprio benefício será tanto maior quanto mais a partir dele abrires o coração a outros seres. Vive a crescente alegria, entusiasmo e calor de um coração que se abre, de uma respiração que se converte em bálsamo da dor, de uma mente que se torna mais vasta e consciente.
Após algum tempo, evoca então aquele ser ou seres que mais aversão te causam, o ser ou seres que os empedernidos conceitos e juízos que estruturam a tua actual percepção classificam como teus piores inimigos ou rivais. Se isso te não for imediatamente possível, por te perturbar em excesso, pensa em alguém que te suscite a máxima aversão que fores capaz de suportar, sem prejuízo da calma e concentração necessárias à prática deste exercício. Começa por aí e um dia chegarás aos outros. Tem essa coragem e vive a profunda alegria de te libertares do ódio, da raiva e do ressentimento, de transcenderes os teus limites e de os converteres em limiares, em portais de acesso a uma dimensão maior e melhor de ti mesmo. Pensa nesse ser ou seres como inseparáveis dos anteriores. Considera mesmo que no fundo do seu coração estás tu e/ou os seres que te são mais queridos. E sente a profunda gratidão por serem eles que te permitem tomares consciência dos teus limites e superá-los, por serem eles que através deste exercício te permitem evoluir mais e mais rapidamente, libertando-te de toda a ilusão, negatividade, rancor e ressentimento que te levam a percepcionar inimigos e a sofrer terrivelmente com isso. Bem presentes diante de ti, praticas pelos três tipos de seres, sem qualquer parcialidade nem hesitação e ainda com mais empenho e entusiasmo, desenvolvendo um sentimento de profunda alegria e imparcialidade no amor e na compaixão. É por todos que igualmente inspiras negras nuvens de ilusão, negatividade e dor, expirando luz dourada, sábia e benfazeja, convertendo o teu coração no mais precioso e poderoso forno alquímico, onde pela combustão da saudade emerge a tua e universal saúde e natureza primordial.
Abre-te progressivamente mais, bem para além do que o teu acanhado ego alguma vez julgou ser possível. Descobre poderes ser ou seres desde já mais do que alguma vez imaginaste possível. Abre-te e pratica, em círculos concêntricos em constante expansão, por todos os seres vivos e sensíveis, humanos e não humanos, visíveis e invisíveis, que habitam o lugar onde estás… a casa… o bairro… a povoação ou cidade… o país… o planeta… a galáxia… e, enfim, o inteiro universo !... Abre o coração a tudo, absorve toda a dor, negatividade e treva de todos os mundos – todas as doenças, cancros e sidas, todos os medos, angústias e loucuras, todas as solidões, torturas e misérias, todas as ilusões, desgraças e mortes - , transmutando-as em luz, paz e bem-aventurança cada vez mais poderosas e irradiantes. Pratica, pelo bem relativo e absoluto de todos os seres, pela satisfação das suas necessidades básicas e imediatas e pela sua felicidade e libertação suprema, imparcialmente, sem qualquer excepção. Faz do teu coração uma festa e um festim cósmico, eterno e infinito, para o qual todos são convidados. Pratica assim e sente que por esta prática o mundo, a percepção de ti e do mundo, se revoluciona e transmuda. A mente e o coração convertem-se progressivamente na própria luz que irradiam e nada percepcionam senão luz…Uma luz infinita, subtil e viva, livre, consciente e sensível, na qual tu, todos os seres e fenómenos se dissolvem, sem qualquer conceito de eu, de outro e de prática, de sujeito, objecto e sua relação…Uma imensidão luminosa, sem centro nem periferia, sem interior nem exterior… Um infinito esplendor… Inominável.
Ao emergires desta funda absorção, faz imediatamente a dedicatória, tal como atrás descrito (II, 4), oferecendo todo o benefício do exercício, sem qualquer apego, para a paz, a felicidade e o bem, relativos e absolutos, de todos os seres. É importante fazê-lo enquanto sentes o efeito pleno da prática, antes que na mente regressem as suas habituais e sobreviventes tendências dualistas e egocêntricas, reprodutoras da percepção comum e dita normal do mundo. A melhor dedicatória, tal como a melhor prática, é acompanhada da ausência de crença na realidade efectiva do sujeito, do objecto e da própria acção, mas sem prejuízo do entusiasmo, do amor e da compaixão. Isso permite que, durante e após este exercício, não tenhamos uma visão dualista e substancialista do mundo e de nós mesmos, não caiamos na tentação de nos sentirmos especiais, não nos orgulhemos do que estamos a fazer, não tenhamos qualquer sentimento de superioridade “espiritual” ou pretensão a sermos ou tornarmo-nos justos, sábios, santos, iluminados ou mestres (o sinal mais óbvio de o não ser é ter essa pretensão). É decisivo que a prática dissolva qualquer forma de auto-conceito e auto-imagem, positivos ou negativos. Tudo é como um jogo, insubstancial e ilusório, por isso mesmo eficaz libertador de todas as ilusões. O que fica é a natureza-experiência primordial, a fundamental sanidade de todas as coisas, que não carece de se conceber como tal e não se atribui qualidade, valor ou importância alguma.















