O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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segunda-feira, 15 de junho de 2009

A doença do tempo: "Nunca nos detemos no tempo presente" (Pascal)

Foto: Trey Ratcliff, Templo de Angkor Wat, Cambodja


Nunca nos detemos no tempo presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence, e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste. É que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.

Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.

Blaise Pascal
Pensamentos Escolhidos
Tradução de Esther de Lemos
Editorial Verbo,Lisboa,1972
pág.45

domingo, 6 de abril de 2008



Ontem fui ao cinema. Este filme, que em português se chama «Nunca é Tarde Demais», captou a minha atenção quando vi o «trailer». E os actores eram promessa de qualidade.

O sentido da vida. Gostarias de saber antecipadamente do momento da tua morte? Quando podemos dizer: VIVI VERDADEIRAMENTE ?!?

The Bucket List é a lista de coisas que queremos fazer, antes de bater a bota. Foi um trabalho de casa que o professor de Filosofia deu à personagem interpretada por Morgan Freeman.

Não sei se este filme vai mudar a vida de alguém, mas julgo que a todos nos convoca para uma reflexão interior sobre «o que raio ando eu aqui a fazer!»

sábado, 8 de março de 2008