O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Happiness: here and now

No âmbito do curso de Filosofia e Estudos Orientais, o Swami Suddhananda (Suddhananda Foundation for Self-knowledge) dará uma prelecção no dia 21 de Julho (quarta-feira), pelas 18h, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa. Suddhananda é mestre do Vedānta e falará sobre o tema: "Happiness: here and now".




Resumo (em português) da conferência:

No âmbito dos princípios expressos na Bhagavad Gita, Upanishads, entre outros textos, serão abordados os seguintes temas fundamentais: a natureza e os mecanismos da mente e do corpo e suas ligações intrínsecas; o eu e sua relação com os seres e mundo à sua volta; a consciência que tudo “testemunha”.
 
fonte: http://filosofialisboa.blogspot.com/2010/07/o-que-e-o-vedanta.html

terça-feira, 18 de maio de 2010

Questões

Tudo o que a humanidade tem feito, ao longo de milénios de civilização, foi para ser feliz ou para deixar de ser infeliz. Porque o não conseguiu? E porque continua a fazer o mesmo, se assim o não consegue? O que é que isso nos diz sobre quem somos e o que fazemos?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma Canção de Solidão


«Esta terra montanhosa cheia de prados e de
flores claras é um lugar alegre.
Na floresta as árvores dançam e os macacos
brincam,

pássaros dão voz a todos os tipos de belas
melodias e as abelhas esvoaçam e flutuam.

Magníficas cascatas de torrente de Verão
e Inverno,
neblinas de Outono e de Primavera rolam
em novelos,
O arco-íris cintila noite e dia.

Nesta solidão, Mila, o de vestes de algodão,
encontra a sua alegria.
Contemplo o vazio de todas as coisas e vejo
a luz clara,

Feliz quando toda a espécie de coisas aparecem
perante mim: quanto mais coisas aparecerem
mais feliz eu fico,

Dado que o meu corpo e mente estão livres
do mal.

Feliz estou enquanto as coisas redemoinham
à minha volta -

No seu ir e vir fico feliz, por estar livre
dos altos e baixos da paixão.

Feliz na transformação da dor em alegria,
feliz na força do meu corpo,

Feliz nas canções triunfantes que canto,
ao dançar a correr e a saltar,

Feliz ao transformar em palavras os sons
que murmuro

Feliz no meu poder espontâneo..."

Milarepa

domingo, 16 de agosto de 2009

Objectivos pessoais 2009/10

- Tirar a especialização em Filosofia e Estudos Orientais;
- Meditar e fazer retiros de meditação;
- Catequese e (possivelmente) Baptismo;
- Possivelmente participar num grupo de Estudos Bíblicos;
- Deixar de fumar (hoje, quando acabar este maço);
- Não consumir qualquer tipo de drogas;
- Tornar-me vegetariano;
- Comprar o mínimo possível.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Informação - Animais e Felicidade

Estarei amanhã, 6ª feira, em representação do Partido Pelos Animais, no programa "Sociedade Civil", da RTP2, entre as 14 e as 15.30, dedicado ao tema do abandono dos animais.
Estarei no mesmo programa na próxima 5ª feira, dia 16, à mesma hora, entrevistado sobre a visão da felicidade no Budismo.

Saiu uma notícia sobre o PPA na TVI online e sairá outra na "Sábado" desta semana ou da próxima.

Sejamos felizes e contagiantes, para o bem de todos os seres sensíveis! Que a felicidade entre na agenda política e que a política se abra da cidade dos homens para a Natureza, o planeta e o universo. Este é o novo paradigma.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A doença do tempo: "Nunca nos detemos no tempo presente" (Pascal)

Foto: Trey Ratcliff, Templo de Angkor Wat, Cambodja


Nunca nos detemos no tempo presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence, e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste. É que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.

Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.

Blaise Pascal
Pensamentos Escolhidos
Tradução de Esther de Lemos
Editorial Verbo,Lisboa,1972
pág.45