O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

em nome do risco. em nome da serpente

'precisamente porque o plano de imanência é pré-filosófico, e já não opera com conceitos, implica uma espécie de experimentação tacteante, e o seu traçado recorre a meios pouco confessáveis, pouco racionais e razoáveis. são meios da ordem do sonho, dos processos patológicos, das experiências esotéricas, da embriaguez ou do excesso. corremos em direcção ao horizonte, sobre o plano de imanência; retornamos dele com os olhos vermelhos, mesmos se são os olhos do espírito.'

deleuze,guattari

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

devir revolucionário

qualquer acção humana é diferença, mas uma diferença que não nega, afirma criando diferença, abre caminho para uma ética das singularidades não restando nas diferenças construídas, mas repetindo-as, produzindo novas diferenciações, fazendo do homem um grande experimentador de modos de existência, singular operador de um devir revolucionário (único capaz de responder ao intolerável, ao molar...) e que reabre uma linhagem intempestiva, uma lógica não dialéctica do devir, em que se talham constantemente múltiplos blocos de espaça-tempo, novas subjectividades

terça-feira, 24 de novembro de 2009

agir

'a única chance dos homens está no devir-revolucionário, o único a poder conjurar a vergonha ou intolerável'
g. deleuze

é necessário responder ao acontecimento. não esperemos ordens!!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

rosto (para saudades, com alegria)

não há rosto que não envolva uma paisagem desconhecida, inexplorada, não há paisagem que não seja povoada por um rosto amado ou sonhado, que não desenvolva um rosto por vir ou já passado. que rosto não chamou as paisagens que amalgamava, o mar e a montanha,que paisagem não evocou o rosto que a teria completado, que lhe teria fornecido o complemento inesperado das suas linhas e dos seus traços?

gilles deleuze,mil planaltos- capitalismo e esquizofrenia2, ano zero- rostidade

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

potência de ser feliz

eu diria que à medida que as ideias se sucedem em nós, cada uma tendo um grau de perfeição um grau de realidade ou de perfeição intrínseca, que têm essas ideias, eu, continuo a passar de um grau de perfeição para outro. Noutros termos existe uma variação continua sob a forma de aumento-diminuição-aumento-diminuição da potência de actuar ou da força de existir de acordo com as ideias que temos.


deleuze, aula sobre espinoza (1978)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

imanência

não é a consciência que é luz, não é ela que ilumina, são as coisas que são luminosas por elas mesmas,é a luz que é consciência, uma consciência imanente à matéria.
em vez de ser a consciência-sujeito que forma imagens das coisas, são as coisas que em si são já imagens, figuras de uma matéria-luz em incessante propagação como plano de imanência da realidade.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

outros mundos (animais?)

'on voit porquoi borges invoque le philosophe chinois (ts'ui pên) plutôt que leibniz. c'est qu'il voudrait, tout comme maurice leblanc, que dieu fasse passer à l'existence tous les mondes incomposibles à la fois, au lieu d'en choisir un, le meilleur. et sans doute ce serait globalement possible, puisque l'incompossibilité est une relation originale distincte de de l'impossibilité, ou contradiction.

gilles deleuze, le pli

domingo, 2 de agosto de 2009

contra poder

será que a linguagem, mesmo a mais anárquica não serve o poder?

'há, então, índices maquínicos quando uma máquina está a ser montada, e já funciona sem que se saiba como procedem então as partes díspares que a compõem e a fazem funcionar.'
deleuze

quinta-feira, 30 de julho de 2009

máquinas

isto funciona por toda a parte: umas vezes sem parar, outras descontinuamente. isto respira, isto aquece, isto come. isto caga, isto fode. mas que asneira ter dito o isto (ça). o que há por toda a parte são mas é máquinas, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas, com as suas ligações e conexões.

gilles deleuze, félix guatarri, o anti-édipo, capitalismo e esquizofrenia1

terça-feira, 16 de junho de 2009

polir a lente

'a mons sens,voyez-vous,les artistes, les savants, les philosophes semblent trés affairés à polir des lentilles. tout cela n'est que vastes préparatifs en vue d'um évenement qui ne se produit jamais. un jour la lentille sera parfaite; et ce jour-là, nous perceverons tous clairement la stupéfiante, l'extraordinaire beauté de ce monde'
henry miller, citado em 'spinoza, philosophie pratique', gilles deleuze

tentativa,verdadeiramente tentativa, de tradução

Para mim,vejam bem, os artistas, os sábios, os filósofos aparentam estar muito ocupados a polir as lentes. fazem preparativos para algo que não se produz. um dia a lente será perfeita por si; e nesse dia apreenderemos a estonteante, a extraordinária beleza deste mundo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

agradável

e,depois,porque é agradável falar como toda a gente, e de dizer o sol está a nascer, enquanto toda a gente sabe que é uma maneira de falar.
gilles deleuze/felix guatarri