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sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 11 de junho de 2009
«Sim, não pode ser. Calma, vamos a ver isto de começo.» E começou a recapitular. «Ora, vamos lá a ver como isto principiou. Bati com as costas na tranqueta e, não obstante, segui como dantes, naquele dia e no seguinte; sentia uma dor que foi em aumento; vieram os médicos, depois o desânimo, a angústia e outra vez os médicos; e eu a resvalar cada vez mais para o abismo. Perdia forças. Fui resvalando, resvalando. E agora, cá estou no fundo; vai-se-me a luz dos olhos. É a morte e eu a pensar no intestino. Penso no modo de consertar o intestino e a morte
a bater ao ferrolho. Mas será de facto a morte?» De novo o terror se apoderou dele; a tremer inclinou-se a procurar os fósforos e empurrou a mesinha-de-cabeceira com o cotovelo. O diabo da mesa só estorvava. Furioso empurrou-a com mais força e pregou com ela no chão.
Desesperado, resfolegando a custo, deixou-se cair de costas à espera da morte que dir-se-ia andar por ali.
Leão Tolstoi, in A morte de Ivan Ilich, p.46
a bater ao ferrolho. Mas será de facto a morte?» De novo o terror se apoderou dele; a tremer inclinou-se a procurar os fósforos e empurrou a mesinha-de-cabeceira com o cotovelo. O diabo da mesa só estorvava. Furioso empurrou-a com mais força e pregou com ela no chão.
Desesperado, resfolegando a custo, deixou-se cair de costas à espera da morte que dir-se-ia andar por ali.
Leão Tolstoi, in A morte de Ivan Ilich, p.46
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