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domingo, 31 de janeiro de 2010
O olhar de Andrómeda - O espelho, a alma do rochedo
Perseu libertou-a, mas o rochedo ensinou a Andrómeda que não era o sacrifício a sua libertação. Só lançaria à terra o olhar azul e iluminado, quando o tempo fosse essa coluna de fogo. Não saberemos verdadeiramente porque dançam no mar duas colunas de fogo entrelaçadas. Antes disso, perderíamos a boca no abismo do silêncio que a cola ao céu de uma palavra que imobiliza.
Chegados a Argos, haveriam de formar, tempos depois, uma galáxia no azul do olhar, nas pedras preciosas dos seus cabelos negros, quando a noite vem lançar os seus prantos e os seus sossegos, na barca do desassossego.
Os dias abriam-se sobre as noites, como se nos devorassem o sentido, até que vimos que tem do nosso olhar o gesto e os cabelos são as mesmas ondas onde navegam barcos e sonhos amarados nos dedos. Fenícia de nós, em sua beleza dormiam as ninfas e a sua mãe já a tinha avisado que não se desafia o mar, esse gigante de humorosas águas!
O mar tem os seus rugidos, as suas zangas e tempestades, o mar não é só o fio azul que nos nasce no pulso e leva, coração aberto e fervente a Amores dado, o Mar é som saudoso, azul cobalto e doido. O mar do fim dos mares, trazia, no início dos tempos um olhar mais cruel, um sangue mais rápido a deslizar nas águas ancestrais. Esse animal era nosso parente e escrevia os nossos nomes sobre a pedra que a onda açoitava. Mais tarde, depois de entregue à paz do azul, viria o monstro agitar as águas desse imenso oceano.
Haveria de ser nos olhos da filha do orgulho, que morreria o monstro, ou ela desapareceria no ar: a mais bela das ninfas que o não era! Acorrentado à grande rocha, o olhar de Andrómeda era cristal que se abria como espuma. Que se partia na tristeza líquida de uma ampulheta de areias. Não tardaria a chegar o que chovia ouro sobre o corpo da que nada era, antes das eras que viriam. Perseu deixou cair no mar os cabelos de uma medusa e o rochedo chorou, dentro do olhar da acorrentada, a pedra em lume do seu amor. Foi nesse rochedo que contou à beleza de Andrómeda a história de Danae, filha de Argos. A pedra tinha sido, diziam, a cabeça do rival que hoje lança o olhar e a boca ao vasto firmamento. Ela que tinha visto o azul, enquanto esperava transformar-se em chuva de prata, olhar de lua sobre o agitado dorso do imenso mar. Ela tinha colhido o desejo de ver os cavalos a correr sobre a espuma da espera. A mesma que tinha visto o seu olhar deitar-se com o sol, na direcção do mar, na direcção da partida, da ausência. Ela que haveria de ter escrito a tinta azul e salgada, sobre a face do mistério, o nome de uma Saudade inominada. Saudade da neve sobre os rios; saudade do brilho que as coisas têm quando carregadas de oiro e divino olhar estrelado.
Andrómeda lançou de Perseu o olhar, e onde a vemos nos olha, oceano do mais alto olhar, poisar sobre nós as estrelas encantadas dos seus brilhos e das suas memórias. O que Andrómeda viu no mar, o que ela sentiu, antes de ser devorada em chamas arrefecidas na pedra do jardim líquido do grande senhor dos mares nem mesmo os poetas o saberão, ou talvez só eles.
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domingo, 11 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Da profunda deslealdade humana
A música é Fragile, do álbum All is Violent, All is Bright, da banda post-rock irlandesa God is an Astronaut.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Trans-Pátria - Da condição do interesse filosófico por uma nação
"Um espírito filosófico não pode interessar-se particularmente por uma nação senão quando ela lhe aparecer como condição do progresso da humanidade inteira"
- Schiller, Carta a Körner (1789).
- Schiller, Carta a Körner (1789).
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Earthlings (documentário)

Earthlings (Terráqueos, em português) é um documentário norte-americano de 2005, realizado, escrito, produzido e dirigido por Shaun Monson e co-produzido por Persia White. Levou 5 anos a ser realizado, pois inicialmente o projecto visava essencialmente uma campanha de consciencialização pública sobre a castração dos animais de estimação. Mas o realizador e a equipa desenvolveram o tema devido às pesquisas e situações encontradas, o que resultou na longa-metragem 'Earthlings'.
Narrado pelo actor - e activista dos direitos dos animais - Joaquin Phoenix, que também é 'vegan' e membro da PETA (a maior organização de defesa dos direitos animais do mundo). A banda sonora foi composta exclusivamente para o documentário pelo músico Moby.
O documentário mostra como funcionam as grandes indústrias e corporações e relata a dependência da humanidade sobre os animais, para obter desde a alimentação, vestuário e calçado até objectos diversos, incluindo a diversão, não esquecendo o abuso em experiências científicas. Mostra como a espécie humana e as suas relações de dominação, como o racismo e o sexismo, a xenofobia, etc. tem tratado com a maior falta de ética, humanidade e compaixão a natureza, os animais e a si mesmo.
http://www.earthlings.com/
(contém imagens impressionantes "não recomendadas" a pessoas sensíveis)
Narrado pelo actor - e activista dos direitos dos animais - Joaquin Phoenix, que também é 'vegan' e membro da PETA (a maior organização de defesa dos direitos animais do mundo). A banda sonora foi composta exclusivamente para o documentário pelo músico Moby.
O documentário mostra como funcionam as grandes indústrias e corporações e relata a dependência da humanidade sobre os animais, para obter desde a alimentação, vestuário e calçado até objectos diversos, incluindo a diversão, não esquecendo o abuso em experiências científicas. Mostra como a espécie humana e as suas relações de dominação, como o racismo e o sexismo, a xenofobia, etc. tem tratado com a maior falta de ética, humanidade e compaixão a natureza, os animais e a si mesmo.
http://www.earthlings.com/
(contém imagens impressionantes "não recomendadas" a pessoas sensíveis)
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sexta-feira, 5 de junho de 2009
o homem, esse animal maravilhoso
nada me move contra a ideia do paulo, mas gostava de salientar.
'todos os progressos na cultura, mediante os quais o homem faz a sua formação escolar, têm o propósito de usar esses conhecimentos(kenntnisse) e aptidões adquiridos para o uso do mundo, mas, neste mundo, o objecto mais importante a que ele os pode aplicar é o homem, pois ele é o seu próprio fim último'
immanuel kant
'todos os progressos na cultura, mediante os quais o homem faz a sua formação escolar, têm o propósito de usar esses conhecimentos(kenntnisse) e aptidões adquiridos para o uso do mundo, mas, neste mundo, o objecto mais importante a que ele os pode aplicar é o homem, pois ele é o seu próprio fim último'
immanuel kant
quarta-feira, 11 de março de 2009
Lisa Gerrard: Sanvean (I'm Your Shadow)
Um presente para a Serpente. Aconselho a ver em alta definição.
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humanidade,
música
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Intempestivos e Actuais - Mario Saa
"A humanidade é doente!
São sôfregos de perdão e coisas grátis e resmungam quando perdoam.
Pisam por gosto e insultam e rogam tolerância a todo o mundo!
A sociedade é um creme com granizos de pimenta e o homem em sociedade é um pingo de bílis numa cápsula.
Misérrima é a liberdade dos povos e a harmonia entre os homens!
Que enfadonha liberdade e que enfadonha harmonia!
Só o benfeitor é como a sola porque tem as mãos livres para aceitar quem as não tiver cheias para dar.
A humanidade não é odienta, enjoa! Ainda é mesquinha de mais para que possa ocultar o inconveniente!
Podre e viscosa gente, carregada de afeições, ódios e algemas; podre e viscosa gente bem mais putrefacta em terra de vivos que no campo dos mortos.
No entanto desesperei de achar melhor: resta-me porém a consolação de que algum dia acabará o reino dos estúpidos.
Mas quantos degraus lhes faltam para subir?"
- Mario Saa, Evangelho de S.Vito, Lisboa, Monteiro & Cª - Livraria Brasileira, 1917, pp.76-77 (ortografia actualizada).
São sôfregos de perdão e coisas grátis e resmungam quando perdoam.
Pisam por gosto e insultam e rogam tolerância a todo o mundo!
A sociedade é um creme com granizos de pimenta e o homem em sociedade é um pingo de bílis numa cápsula.
Misérrima é a liberdade dos povos e a harmonia entre os homens!
Que enfadonha liberdade e que enfadonha harmonia!
Só o benfeitor é como a sola porque tem as mãos livres para aceitar quem as não tiver cheias para dar.
A humanidade não é odienta, enjoa! Ainda é mesquinha de mais para que possa ocultar o inconveniente!
Podre e viscosa gente, carregada de afeições, ódios e algemas; podre e viscosa gente bem mais putrefacta em terra de vivos que no campo dos mortos.
No entanto desesperei de achar melhor: resta-me porém a consolação de que algum dia acabará o reino dos estúpidos.
Mas quantos degraus lhes faltam para subir?"
- Mario Saa, Evangelho de S.Vito, Lisboa, Monteiro & Cª - Livraria Brasileira, 1917, pp.76-77 (ortografia actualizada).
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