O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A reflectir

Sinto, por vezes, que a minha luta é interior, uma luta comigo mesmo e, particularmente, contra as minhas emoções negativas, despertadas interior ou, por outro lado, exteriomente.

Como se o bem e o mal existissem dentro de mim e lutasse, quando contra essa negatividade luto, não contra o Demónio, entendido como uma figura exterior que, eventualmente, sobre mim age, mas contra os meus próprios demónios interiores - as emoções negativas.

Sinto, também, que é uma luta extenuante, esta do bem contra o mal, como se nela estivéssemos, corpo e mente, em constante purga, à medida que nos vamos imbuíndo daquilo que os cristãos denominam por Espírito Santo.

domingo, 18 de outubro de 2009

hipparion

A espera assume-se como forma de assentar definitivamente todos os objectivos num cadáver, que é futuro. Viver o tempo que resta com a mente focada e alinhada para essa distância, viver de acordo com a projecção sem sabermos o que daí poderá advir, viver para o futuro sem saber como lidar com o presente, viver uma tranquilidade de tempos díspares moldando-os a um só tempo, tudo isto, é esperança. Se a expectativa sobre algo físico ou imaginário é generosamente vivenciada, ultrapassando términos de tudo o que se pensa crível, começa o Homem a visionar, compondo toda a sua vida de acordo com a indicação magnética de que tudo o que daí advém será um fim, ou resultado final tangível. Deste parco realinhamento instado resulta frequentemente um afogo, gracioso desassossego noctâmbulo navegado ao dorso de uma constelação, em breves reingressos à consistência, à vivência e existência de um Eu, à queda de um cavalo.
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Imagem: photoframe
Powaqqatsi - Life in transformation

domingo, 13 de setembro de 2009

pensando




O Homem, descobre, pensando conhecer um fim? Ou alcança apenas sentindo o que existe?

Na Natureza, conhecerá a borboleta a flor aonde pousar? Ou irá apenas seguindo o seu cheiro?
E Conhecerá a flor o que chama? Ou apenas reconhece a sua própria essência?

Afinal, desbravamos caminhos, ou nos conduzimos pelo que somos?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Do tempo, e da rosa


imagem google



tudo parece ser somente tempo...sempre passado...memória....chave do nosso ser!



é no/com/pelo tempo que me reinvento pessoa, poeira, pó de estrela, grão de areia de deserto e de praia, brisa fresca que o mundo atravessa, pétala de rosa suave e perfumada que te atravessa em odor de mim...



e pergunto-me: sou tempo?
por certo, quimera e (des)ilusão, (des)construção, (des)obstrução.
sempre contemplação, por vezes reacção, potencialmente proacção.



sou o tempo do meu intento...ou talvez não?
conflito de coração e razão.
harmonia na dualidade.
aspiro...vacuidade.
ser tudo e nada em consciência universal.
meditação.silêncio.
espera.
memória.
rasgo de (in)finito que se redesenha em existência reencarnada.
respiração solta.
inspiração fluida.
intuição.



o tempo é uma rosa.
flor perfeita que adoro.
sensualidade entreaberta.
odor presente.
desejo premente.
espinho e lágrima.
(des)encanto.
ternura.
perdão.

terça-feira, 26 de maio de 2009

(In)Finito(s)



imagem google

gosto da possibilidade de recriar infinitos em mim,

como se me movimentasse em labirinto de espiral,

em busca de silêncio, quietude,

na minha eterna solidão...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dirigir o olhar


praia de carcavelos


Dirigir o olhar, é contemplar o horizonte amplo, não circunscrevendo-o, somente, na unilaterialidade da visão.

É abraçar o todo, como uno, reconhecendo a especificidade ontológica de cada criatura.

É respirar, ser e acontecer, num fazer que se quer humilde e assim, mais sábio.