O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 1 de novembro de 2011

O mundo é como a impressão deixada pelo contador de uma história. 

6 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Será pertinente a comparação?! JCN

Cláudia M. Oliveira disse...

Provavelmente não, tem razão. Cada vez mais a ficção, representação e realidade se misturam, e não me sinto confortável com este movimento. Isto, mesmo sabendo que o real é uma percepção subjectiva e que na vida, ao contrário da arte, o eterno retorno nem sempre acontece.
Obrigada pelo comentário,
Cláudia

Fanzine Episódio Cultural disse...

Os filhos de Abraão

Os gritos ainda ecoam
Em cada canto, em cada trincheira,
Em todos os túmulos.

Restos mortais exibidos
Como souvenires
Enchem de orgulho
O primitivo estágio ariano.

O sangue do cordeiro
Continua a jorrar
No solo árido.

Até que ponto a Bestialidade
Deixará de existir em um mundo
Que se deseja mais humano!

Crente ou ateu
Incrédulo ou cético,
Auschwitz continua vivo em nossa memória:
Um pesadelo que brotou
E nunca mais se apagou.

Inocentes ali pereceram,
Sobreviventes dali morreram,
Levaram todos para o túmulo
O sacrifício dos filhos de Abraão.


*Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan

João de Castro Nunes disse...

Fora de contexto! Apanhou boleia na viatura errada!JCN

Dico da Fonseca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dico da Fonseca disse...

Gostei muito da frase. Profunda. Potente... Remete-me - por meio de entrecruzamentos indiretos - ao mito da Caverna, de Platão, e ao conceito de mundo essencial aristotélico. Uma certa sensação de mise en abyme: não somos nem a história contada (que já não é a Verdade por si só, por ser contada por alguém - sobretudo um contador, que não possui nenhum compromisso com a verdade), somos a sombra dessa história... a sombra da sombra da sombra... Quem sabe a sombra da sombra não seja a luz? Deixo aqui minhas refrações poéticas... Um abraço de terras brasileiras!