O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Janelas


Cada vez há mais janelas tristes nas cidades

20 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Quantas vezes por detrás
de uma janela fechada
vive uma alma que não faz
senão viver... para nada!

JCN

Cláudia M. Oliveira disse...

Sim.
Da janela espreita-se a passagem, não necessariamente a vida.
Clau

João de Castro Nunes disse...

Das janelas da cidade
a maior parte da gente
nada avista à sua frente
a não ser... vacuidade!

JCN

Cláudia M. Oliveira disse...

Poderá a vacuidade ser fruição?
clau

João de Castro Nunes disse...

A pergunta é descabida,
cara Senhora, porquanto
o que é vazio na vida
não possui qualquer encanto!

JCN

Isabel Metello disse...

Não há maior vacuidade do que a apócrifa e vã maldade assente em preconceitos que entopem o olhar :) se cada um se preocupasse a reconstruir as suas próprias podres estruturas não estava à janela como as coscibilheiras a palmilhar com olhos de águia quem ou aquilo que nunca poderá vislumbrar :))) i.e., há quem viva mais em janelas do que muitos que vivem como janelas que não dáo para o Mar... Isa

João de Castro Nunes disse...

Das janelas do meu prédio
ponho-me às vezes a ver
o que se passa... sem ter
para nada algum remédio!

JCN

Isabel Metello disse...

Mas gosto da foto- há ali uma decadência podre que emana algo igualmente em decomposição, o que não deixa de ser poético, não...

Isabel Metello disse...

Bem, confesso que adoro janelas, não para perscrutar a superfície, mas a estrutura- sou muito dada ao que está no backtage- do palco só me interessa apagar as luzes que nos atordoam o olhar- esse é o primeiro passo...o segundo e os seguintes não digo, cada qual que o descubra que já terá muito com que se entreter, dado que há uma clara distinção entre observar e ver :)))

João de Castro Nunes disse...

O mal da sociedade
é não ir nunca à janela
para ver, através dela,
o que vai pela cidade!

JCN

João de Castro Nunes disse...

Que entende por preconceitos,
cara Senhora, que impedem,
como opacos parapeitos,
ver as coisas que sudedem?!

JCN

João de Castro Nunes disse...

Não queira, cara Senhora,
confundir por miopia
podridão com poesia
numa visão redutora!

JCN

João de Castro Nunes disse...

Corrijo, na minha penúltima quadra, a gralha "sudedem" por "sucedem". JCN

Isabel Metello disse...

Sua Eminência, há podridões degradantes e podridões edificantes...a da foto simplesmente me lembra a do abandono de ilusões, a da decadência de sonhos, a da morte inexorável daquilo que vitalidade exalava, e essa é poética, é Elevada-lembra-me aquele filme com a Gwyneth Paltrow sobre o Great Expectations- aquela casa ao abandono junto do Mar, onde uma senhora vivia um morto sonho e com este outros amortalhava em vida, mas onde os pássaros se recolhiam como um Lar...é dessa poesia que falo- a de que a maior janela da casa ser a da ausência de tecto que dava para ver o céu estrelado e acolher com afecto o scent do Mar Salgado...abracito

Isabel Metello disse...

Accrescento :) Mar Salgado e Alado :)

Isabel Metello disse...

Aqui está uma das cenas mais comoventes :) http://www.youtube.com/watch?v=F56O9tp-iFo&feature=related

Cláudia M. Oliveira disse...

Caro João,
por vezes o vazio é criador, não necessariamente abandono. Pelo menos é assim que o sinto. Do nada surge a plenitude. Mas há verdade no que diz, o que fica vazio eternamente não possui encanto, nem vazio. Obrigada pelo comentário.
Clau

Cláudia M. Oliveira disse...

Cara Isa,
partilho consigo o fascínio por janelas, não no sentido da "coscuvilhice Vicentina" mas da metáfora.
O abandono de algumas janelas assusta-me.
Abraço
Clau

Isabel Metello disse...

Não se assuste, Clau, que se o abandono estiver escrito nada pode ser feito, nada pode ser dito, apenas a Paciência e a Humildade podem converter o sofrimento em Verdade...cada qual com a sua, como cada qual com o seu percurso haverá de encontrar várias janelas abertas ou fechadas de acordo com as portas em que resolve entrar ou negar...nada fica por explicar ou à base retornar...

Cláudia M. Oliveira disse...

Concordo consigo Isa. Obrigada.