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quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Nascer é tornar o oculto evidente
Todo o fenómeno exterior à Terra parte do seu interior, pois o primeiro é manifestação do segundo, tal como tudo o que acontece com o Filho tem origem na Mãe, pois tudo o que está fora nasce de dentro: o corpo cobre descobrindo o ín-timo.
Achar que são os fenómenos exteriores que condicionam os interiores, que é pensando ou agindo exteriormente - que sempre o é, visto a vida acontecer através da exteriorização - que as soluções nascem, é viver do avesso. O Homem não consegue intervir tão bem que não pudesse intervir melhor não fazendo nada, exceptuando por ventura quando é espontâneo.
De tudo...
De tudo fica só uma coisa
- a que nos originou:
o amor.
De tudo quanto existe
só uma coisa é certa
- a que do sono desperta:
o sonho.
Achar que são os fenómenos exteriores que condicionam os interiores, que é pensando ou agindo exteriormente - que sempre o é, visto a vida acontecer através da exteriorização - que as soluções nascem, é viver do avesso. O Homem não consegue intervir tão bem que não pudesse intervir melhor não fazendo nada, exceptuando por ventura quando é espontâneo.
De tudo...
De tudo fica só uma coisa
- a que nos originou:
o amor.
De tudo quanto existe
só uma coisa é certa
- a que do sono desperta:
o sonho.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Vera-mente
Cada vez que a mente pensa separada do corpo, não nasce, cada vez que pensa dentro do corpo, nasce efémera... ao pensar através do mais interior do corpo, o exterior, nasce eterna.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
"A metafísica é o remorso do homem da culpa de haver nascido" - Sampaio Bruno, O Brasil Mental
"Antes do primeiro olhar clarividente (que pode nunca surgir) o eu mistura-se ainda com a coisa olhada. Ao primeiro olhar crítico, abre-se a clivagem entre a consciência de quem olha e a presença do que é olhado: evidência da Coisa, e de um Eu soberano perante a Coisa. A inquietação sobrevinda compele a que se procure instaurar um conhecimento; a opacidade que se oferece ao espectador pode incitá-lo a procurar a ideia de Deus.
[...]
Sem errância e distracção profundas, cada humano estaria em sobressalto desde a manhã de cada dia até à noite, e da infância até à morte, tão grande é o abismo junto do qual caminha. A ideia de Deus, e com ela a concessão da sua existência, atributos e exorbitantes poderes, permite que decline o estranhamento do Eu perante a Coisa, e o sujeito, liberto da aflição de se saber algures, recaia no estado de indiferente coexistência com o mundo. O mesmo acontece com os mitos fundadores, no seu poder curarizante (apesar de ingénuo recorte arcaico) da angústia da existência" - António Vieira, Improvisações sobre a Ideia de Deus, Lisboa, & etc, 2005, pp.7 e 15.
Não concordo plenamente com este interessante pensador (pois não me parece que seja clarividente o olhar que separa sujeito e objecto), mas interessa-me que veja o surgimento da ideia de Deus como um exorcismo e uma pacificação do estranhamento do eu perante o estar-aí perante o mundo. Admito que se implique aí a origem da ideia de Deus, mas também constato que a palavra "Deus" designa muitas vezes o inominável que se pressente ou recorda "antes" do suposto olhar "clarividente e crítico", antes do "pecado" ou "ilusão" criadora (Pascoaes) que nos faz nascer como alguém perante algo, cindindo-nos do Abismo pré-originário. O impulso metafísico pode ser então compreendido como assunção do "sobressalto" que nos resgata da "errância e distracção profundas" da mundaneidade soporífera e entediante, como a saudade vertical que é a contrapartida positiva do "remorso" da "culpa" de (crermos) estar aqui, sujeitos à factualidade. Por ela se revela que "a cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido".
[...]
Sem errância e distracção profundas, cada humano estaria em sobressalto desde a manhã de cada dia até à noite, e da infância até à morte, tão grande é o abismo junto do qual caminha. A ideia de Deus, e com ela a concessão da sua existência, atributos e exorbitantes poderes, permite que decline o estranhamento do Eu perante a Coisa, e o sujeito, liberto da aflição de se saber algures, recaia no estado de indiferente coexistência com o mundo. O mesmo acontece com os mitos fundadores, no seu poder curarizante (apesar de ingénuo recorte arcaico) da angústia da existência" - António Vieira, Improvisações sobre a Ideia de Deus, Lisboa, & etc, 2005, pp.7 e 15.
Não concordo plenamente com este interessante pensador (pois não me parece que seja clarividente o olhar que separa sujeito e objecto), mas interessa-me que veja o surgimento da ideia de Deus como um exorcismo e uma pacificação do estranhamento do eu perante o estar-aí perante o mundo. Admito que se implique aí a origem da ideia de Deus, mas também constato que a palavra "Deus" designa muitas vezes o inominável que se pressente ou recorda "antes" do suposto olhar "clarividente e crítico", antes do "pecado" ou "ilusão" criadora (Pascoaes) que nos faz nascer como alguém perante algo, cindindo-nos do Abismo pré-originário. O impulso metafísico pode ser então compreendido como assunção do "sobressalto" que nos resgata da "errância e distracção profundas" da mundaneidade soporífera e entediante, como a saudade vertical que é a contrapartida positiva do "remorso" da "culpa" de (crermos) estar aqui, sujeitos à factualidade. Por ela se revela que "a cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido".
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