O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

um mesmo oceano para todas as gotas

'às distribuições sedentárias da analogia opõem-se as distribuições nómadas ou as anarquias coroadas no unívoco. somente aí retinem «tudo é igual!» e «tudo retorna» mas o tudo é igual e o tudo retorna só podem ser ditos onde a extrema ponta da diferença é atingida. uma mesma voz para todo o múltiplo de mil vias, um mesmo oceano para todas as gotas.

um só clamor do ser para todos os entes.

mas à condição de ter atingido, para cada ente, para cada gota e em cada via, o estado do excesso, isto é a diferença que os desloca e os disfarça, e os faz retornar, girando sobre a sua ponta móvel'.
g. deleuze

pensando bem o fp e gd bebiam do mesmo bagaço.