O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Junqueiro, Brandão e Pacoaes

Guerra Junqueiro (1850-1923), amigo de Sampaio Bruno e do pai de Teixeira de Pascoaes. É um dos pensadores da Portucalidade e uma referência para Pascoaes. Neste autor Portugal surge associado à figura de Jesus Cristo...

Raul Brandão (1867-1930), amigo de Pascoaes, é o pensador da dor. É a dor que nos empurra para a frente. Só sofrendo se abre cada vez mais a consciência...

Teixeira de Pascoaes (1877-1952), o autor do Saudosismo, uma proposta de interpretação da Saudade. Um programa de acção para Portugal...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bucólicas


O dia estava brilhante e nítido, desses que imprimem às coisas uma realidade fotográfica que a fotografia não chega a revelar por inteiro; desses em que nos sentimos a lente e o objecto, a visão e a coisa, o corpo e a alma do mundo. Daqueles dias em que o sol se coroa rei revelador magnífico do fenómeno de uma visão espiritualizada e de um pensamento físico. Manhã magnífica, com amigos convivas do momento. Mas um redemoinho breve se levantou e o astro estranhou… e a ocasião proporcionou a visão de um grande rebanho de ovelhas que, visivelmente confundidas, voltaram mais cedo da pastagem...

Não sei por que razão e sabendo-o, lembrei-me da Anita (tal como me lembrei do Paulo Borges no post anterior) e, por razões que nos são caras, lembrei Agostinho e Pascoaes... e relembro agora a frase do aluno e as questões do tempo e da sua anulação ou eternização do instante, no tempo saudoso que conduz ao nascimento, estranhamente coincidente com a morte. E lembrei Caeiro guardador de pensamentos. E vi a sombra sair da luz e a luz da sombra. Registei o instante, viveu-mo ele...
O rebanho voltou ao pasto, desta vez com o pastor (que segura ao colo a cria mais nova). Tudo não tinha passado de uma interpretação "trocada" dos sinais do céu. O vento amainou num instante. e o convívio interrompido retomou o seu curso. Mudou de direcção o "vento" da conversa... porque era sábado, ficámos mais um pouco.