O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 2 de maio de 2012

segue a angústia o medo de me perder, porquanto mais procuro pressinto o fim. Lá onde o sol ameaça nascer, recuo em busca do eu que teimoso mostra-me não existir. Lá onde tudo e nada ocupam o mesmo espaço vazio, fronteira do meu despertar, tão perto de mim que não alcanço. Canta a dor que trago no peito, a verdade que sinto e não entendo. Bastaria um lampejo e saberia que tudo que aprendi de nada me serve se nunca o senti. Ali, onde o rio e o mar se unem, afogo-me na esperança de nada saber.

2 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Que linda que ficaria
essa prosa em poesia!

JCN

paladar da loucura disse...

se eu soubesse fazer...
Beijo
Ethel