sábado, 28 de julho de 2012
Quando a árvore descansa
Da tempestade.
Meu homem sai para o mar
Salga seu corpo
floresce em mim
Na vila onde nasci, os pescadores cantavam enquanto puxavam
a rede.
No equinócio de Março, o mar dançava todos os dias. As
sereias descansavam e os homens ficavam a salvo. As esposas agradecidas,
bordavam as ondas até o sol cansar e deixar a noite tomar seu lugar.
Nas noites quentes os filhos eram semeados com amor. Do mar
vinha o peixe, do campo, o arroz a decorar o prato. Da vizinha do lado, o
sorriso e um bom dia a dar conta da vida.
Na vila onde nasci, os olhos viam na noite escura. Abrigavam
no corpo todos os corpos. Abraçavam até que o coração encontrasse o de todos e
desenhasse um sorriso no rosto.
Na vila onde nasci, um dia,
um homem perdido de dor,
incendiou-nos o corpo.
Nada restou, do lugar, onde vivi, senão a canção que a
eternizou.
Venho de longe, de um mar que desconheço
Onde o homem mata tudo que nasce
Os beijos são veneno
E os abraços faca afiada
Que febre é a tua, amor
Que não te reconheço
Venho de uma terra perdida
Morta de morte matada
Seca, sem água
Vermelha de sangue
Que febre é atua , amor
Que te perco
Os meninos vivem na rua
Abandonados,
Os homens
Sozinhos, sem casa
Morrem de frio e fome
O sangue desenha o chão
Do animal assassinado.
Venho de uma terra perdida
Que me envenenou a vida
Na vila onde nasci,
um homem perdido de dor,
incendiou a vida.
Na cidade onde vivo,
há listas negras
de pobres endividados.
Ninguém vê na noite escura.
Nem semeia o amor suado.
Nesta cidade de luto,
os homens do povo
Vagueiam perdidos na rua.
De dia e noite, reza o verbo
Do débito e do crédito
E por mais que se pague
Continuamos devendo.
De onde vens amor
Que te perco!
Quando a tempestade
Seguir caminho
E a árvore puder descansar
Vou deixar que o homem
Salgue meu corpo
Até que ele seja de novo semente
quinta-feira, 26 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
A SÉRIO MESMO
esses MACACOS ANGLÓFONOS
lembraram-se de criar uma sigla xenófoba
para designar os países endividados muito à custa
das suas (anglófonas) habilidades - filhos de pai desconhecido
a sigla, então, para os abranger a todos era. Sim, porque agora já chia mais fino
:
PIGS (Portugal; Irlanda - também podia ser Itália e Spain, de Espanha)
ora, em português, como devia ser, tudo se resumiria a uma sigla bem mais próxima da realidade, sem ofender ninguém
:
G- de Grécia
I - de Irlanda/Itália
P - de Portugal
E - de Espanha
GIPE, claro, e de BMW pra cima
não é só impingir Submarinos a economias que não têm dinheiro
para sustentar tripulações nem para meter combustível
e esquadrilhas de aviões de combate(de REFUGO) que se estatelam todos contra o chão.
GIPE sim senhor
mais do que PIGS - DONKEYS são os gajos, que também não sabem ver que a rapaziada não lhes PAGA
terça-feira, 24 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Hoje eu estou feliz
um bom poema
não porque tenha
acertado nos números
do euromilhões
não porque tu tenhas
telefonado
a avisar que vinhas
não por ter reencontrado
um importante documento
de identificação
não porque as minhas plantas
prosperem lá fora
em resposta ao carinho
com que as visito todas as manhãs
hoje eu estou feliz
igual a HIGGS
quando lhe disseram
que tinha sido encontrado o seu bosão
hoje eu estou feliz
pela deliciosa sopa de beldroegas
que fiz para o almoço
de que faço
enquanto escrevo
calma e ofídica
digestão
quarta-feira, 11 de julho de 2012
- 3 POEMAS DATADOS E LOCALIZADOS
(o que é raro: 79 - ÉVORA)
1 - PEDRADA
eis o esforço
máximo do músculo
estendido ao espaço
um lenço azul no voo
de um novo
inexperiente pássaro
na relva
densa o términus da pedra
:
esforço
do percurso
- massa
do projecto
2 - PROJÉCTIL
eis fechada
em uma pequenina
limitada cápsula
sustida
tensa
nova
a dinâmica da vida
que há
potencial
na flor
da pólvora
ÉVORA - Nov 79
3 - SEM TÍTULO
ao poema em que me aqueço
lanço as achas de estar só
baixo a luz e adormeço
lama lume incenso pó
desperto nada me falta
mistura de sono e sons
grito o poema em voz alta
regresso à vida pela voz
e pronto, é assim, agora apetecia-me ficar aqui a recuperar uma séria série de palavras em risco de se perderem
e de algumas eu gosto
outro começa assim (amanhã talvez volte a esta tarefa)
:
SEGURA A TUA SOMBRA
SOBRE O MURO BRANCO
O SOL DESPIDO
À FLOR DA TUA PELE
PERDURA O TEU PERFUME
NA PÁTINA DA CAL
A TUA VOZ TRANSMIGRA
DO ECO
PELA RELVA
durmam bem - volto amanhã - SOBRE A VELHA CAMPONESA ALENTEJANA
mulheres de força e de génio
"prenhas" de sol e de fome
escancaram lestas as pernas
parem meninos já homens
mulheres de raiva e angústia
rangendo os dentes roídos
parem meninos já homens
...Ver mais
quinta-feira, 5 de julho de 2012
DUAS PORTAS PARA ORIENTE
uma - a de MIGUEL -
aberta com sorrisos claros
olhos vivos e brilhantes
dando para o espírito
para o BELO
para tudo aquilo que não morre
outra - a de Paulo -
a do negócio
da compra-e-venda
(não é por acaso que vender
e vendar são palavras tão aproximadas)
que utiliza a chave do cinismo
dando para a vileza
para o benefício do mais esperto
para o lucro
a ganância
a avareza
se a porta de MIGUEL
aparentemente fechada
ficou na realidade aberta para sempre
a de Paulo
só aparente
e temporariamente está aberta
uma - a de MIGUEL -
aberta com sorrisos claros
olhos vivos e brilhantes
dando para o espírito
para o BELO
para tudo aquilo que não morre
outra - a de Paulo -
a do negócio
da compra-e-venda
(não é por acaso que vender
e vendar são palavras tão aproximadas)
que utiliza a chave do cinismo
dando para a vileza
para o benefício do mais esperto
para o lucro
a ganância
a avareza
se a porta de MIGUEL
aparentemente fechada
ficou na realidade aberta para sempre
a de Paulo
só aparente
e temporariamente está aberta
terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
NO DIA DA NAÇÃO. AVISO AOS INCAUTOS:
Desde ontem que a polícia está na rua com os computadores e os cães. Ontem mesmo, a minha vizinha foi presa. Levaram-na para 500 km a sul. As cadeias da cidade estão cheias.
Ouvi dizer, que as pessoas são selecionadas por novos tipos de crime:
1- ala A para quem não paga as contas da EDP
2- ala B para quem não paga as contas da EPAL
3- ala C para quem não paga as contas da ZON, MEO, OPTIMUS, VODAFONE e TMN
4- ala D para quem, além de não pagar nada do acima referido, não foi às promoções do PINGO DOCE, no feriado
Para os que devem ao FISCO, no limite de 5000 euros, o governo arranjou um poço seco. Mergulha lá os prevaricadores, pois são elementos nocivos à sociedade.
Para os que devem milhões, o governo tem alguma maleabilidade e compreensão, convoca-os para uma reunião. Ninguém sabe o resultado.
Queria dar um passeio a Cascais, mas é arriscado.
Não paguei nenhuma das contas acima mencionada, não paguei o imposto automóvel, devo ao fisco porque me esqueci de informar que nada faturei no ano passado e esqueci-me que o 1º de Maio é dia obrigatório de ir ao supermercado.
Quando todo mundo estiver preso e as ruas deste país estiverem serenas e desertas, alguém em algum lugar que não cá gritará: Viva Portugal!
Desde ontem que a polícia está na rua com os computadores e os cães. Ontem mesmo, a minha vizinha foi presa. Levaram-na para 500 km a sul. As cadeias da cidade estão cheias.
Ouvi dizer, que as pessoas são selecionadas por novos tipos de crime:
1- ala A para quem não paga as contas da EDP
2- ala B para quem não paga as contas da EPAL
3- ala C para quem não paga as contas da ZON, MEO, OPTIMUS, VODAFONE e TMN
4- ala D para quem, além de não pagar nada do acima referido, não foi às promoções do PINGO DOCE, no feriado
Para os que devem ao FISCO, no limite de 5000 euros, o governo arranjou um poço seco. Mergulha lá os prevaricadores, pois são elementos nocivos à sociedade.
Para os que devem milhões, o governo tem alguma maleabilidade e compreensão, convoca-os para uma reunião. Ninguém sabe o resultado.
Queria dar um passeio a Cascais, mas é arriscado.
Não paguei nenhuma das contas acima mencionada, não paguei o imposto automóvel, devo ao fisco porque me esqueci de informar que nada faturei no ano passado e esqueci-me que o 1º de Maio é dia obrigatório de ir ao supermercado.
Quando todo mundo estiver preso e as ruas deste país estiverem serenas e desertas, alguém em algum lugar que não cá gritará: Viva Portugal!
sexta-feira, 8 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Esta noite, sentou-se a meu lado na sala de cinema, uma senhora de chapéu azul. Voltei-me impaciente para tentar perceber porque razão aquela personagem mostrava-se expectante entre o desejo de aplauso e a necessidade de privacidade.
Dei um toque disfarçadamente no cotovelo da minha vizinha. Olhou-me tranquila, a Rainha de Inglaterra.
Nada disto é inventado, pois foi tudo sonhado nesta noite que passou.
Antes de adormecer, ouvi o Passos Coelho dizer que estamos todos de parabéns.
A vida nesta terra, beira o cinza da passividade. A minha loucura casa-se com a noite. A rainha já vai ao cinema com a plebe.
domingo, 3 de junho de 2012
À porta do prédio, Helena espera-me, como sempre, com mais um poema.
- Vê lá, se gostas deste.. É o que ando a fazer agora. Não leias, se estás cansada, mas se queres esquecer o teu dia, embrenha-te nele. É o que ando a escrever. Não sei que horas são...
- Já passam das seis da manhã. Acho que vou ler depois de dormir...
Devolve-me um sorriso. Responde-me sempre assim. Ela é a minha vizinha do r/c. Não sei o que faz, para além dos poemas que me ofecere a cada manhã.
"Edito a vida de quem não tem vida, todos os dias", diz a caminho de sua casa.
Se Helena matasse o vizinho do segundo esquerdo, teria um editor. Seria notícia em todos jornais: “Poetisa estrangula vizinho, ao raiar da manhã...”. Em pouco tempo teria um livro publicado com todos os seus poemas. Tenho certeza que seria um best seller.
Augusto é um velho militar reformado. Toca uma corneta desafinada ao raiar de todas as manhãs. Helena está convencida que o homem terá sido galo numa vida passada.
Quando chove, a poeira vira lama. Na mesa da minha sala de jantar, amontoam-se fotografias. O passado ganha contornos de presente. Desenho com os dedos cada traço como se nesse gesto, a velhice fosse somente um breve pesadelo. Deixo que os espelhos ganhem pó e com o tempo se distraiam de mim.
Helena parece não ter idade. Enquanto envelheço a cada manhã, ela parece sempre a mesma com um sorriso que não consigo definir. Os seus poemas moram com as minhas fotos, como se fossem amantes inseparáveis.
Antes de me deitar, em vez de pedir a Deus desculpas por todos os meus pecados, leio. Os poemas de Helena são como a noite morna que aconchega meu corpo.
Dormir de dia, é como andar em contra-mão. O corpo pesa e reage descompassado.
Depois de um banho quente, sento-me a ler o poema de hoje:
“Tudo que nasce é gerado na sombra,
A morte acolhe a semente de uma nova vida”
Doce é esta dor que abraça o meu coração antes de adormecer. Um casal de grilos canta na minha janela.
- Vê lá, se gostas deste.. É o que ando a fazer agora. Não leias, se estás cansada, mas se queres esquecer o teu dia, embrenha-te nele. É o que ando a escrever. Não sei que horas são...
- Já passam das seis da manhã. Acho que vou ler depois de dormir...
Devolve-me um sorriso. Responde-me sempre assim. Ela é a minha vizinha do r/c. Não sei o que faz, para além dos poemas que me ofecere a cada manhã.
"Edito a vida de quem não tem vida, todos os dias", diz a caminho de sua casa.
Se Helena matasse o vizinho do segundo esquerdo, teria um editor. Seria notícia em todos jornais: “Poetisa estrangula vizinho, ao raiar da manhã...”. Em pouco tempo teria um livro publicado com todos os seus poemas. Tenho certeza que seria um best seller.
Augusto é um velho militar reformado. Toca uma corneta desafinada ao raiar de todas as manhãs. Helena está convencida que o homem terá sido galo numa vida passada.
Quando chove, a poeira vira lama. Na mesa da minha sala de jantar, amontoam-se fotografias. O passado ganha contornos de presente. Desenho com os dedos cada traço como se nesse gesto, a velhice fosse somente um breve pesadelo. Deixo que os espelhos ganhem pó e com o tempo se distraiam de mim.
Helena parece não ter idade. Enquanto envelheço a cada manhã, ela parece sempre a mesma com um sorriso que não consigo definir. Os seus poemas moram com as minhas fotos, como se fossem amantes inseparáveis.
Antes de me deitar, em vez de pedir a Deus desculpas por todos os meus pecados, leio. Os poemas de Helena são como a noite morna que aconchega meu corpo.
Dormir de dia, é como andar em contra-mão. O corpo pesa e reage descompassado.
Depois de um banho quente, sento-me a ler o poema de hoje:
“Tudo que nasce é gerado na sombra,
A morte acolhe a semente de uma nova vida”
Doce é esta dor que abraça o meu coração antes de adormecer. Um casal de grilos canta na minha janela.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
REQUIEM BREVE para minha amiga
pois
e agora, Heloísa,
-reformada
antes ainda dos sessenta
um filho em Londres amparado
mais algum dinheirito
e sobretudo a ocupação do tempo em explicações
como não havias de ter pressa
que o médico te desse alta, Heloisa
- não posso continuar aqui
presa a esta cama
tenho os putos à espera
vai passar a hora das explicações
e eu aqui
amarrada neste quarto
acabo de saber, Heloísa,
ligaram-me há minutos
confirmando
a satisfação do teu desejo
:
o médico deu-te alta
Heloísa
estás livre PARA SEMPRE
nada mais impede
que à hora certa
estejas com os putos
a dar-lhes
explicações
quinta-feira, 24 de maio de 2012
HOJE APETECIA TRANSGREDIR
a manhã começava quente
ainda em Maio
já parecia estarmos a cavalgar o Verão
mal acordei e esfreguei os olhos
levantei-me
calcei as meias
vesti a camisola e as cuecas do avesso
troquei os sapatos
o do pé direito no pé esquerdo
e vice-versa
talvez me apetecesse
passar o dia nesse vice-versa
hoje apetecia transgredir
em vez de manteiga nas torradas
comecei por pôr
as torradas na manteiga
fiz o habitual
chocolate com leite
e fui à rua
despejá-lo no comedouro da multidão de gatos
saí à rua
para comprar cigarros
entrei no Café
cumprimentei quem estava
com inequívoco boa-tarde
quem estava
respondeu-me
com um também inequívoco bom-dia
olharam-se entre si
e riram
chegada a hora do almoço
dei por que
me desapetecia comer
- talvez fosse - pensei -
apenas por causa da palavra Almoço
foi então que resolvi
- e resultou na perfeição -
fingir
qe em vez de almoço era jantar
fechei
todas as janelas que davam para a rua
corri um cortinado vermelho
que separa a sala-de-jantar
do meu gabinete-de-trabalho
acendi duas velas
como se jantasse
com alguém muito romântico
pus Chopin
e talvez por indução fonética
uma garrafa de vinho
que preparei como se fosse de champagne
o resto do dia
passei-o de óculos escuros
- a tarde era já noite para mim
vi as estrelas
e a lua como vírgula minúscula
uns dois palmos acima
de brilhante planeta
que por seu brilho
e tamanho
e local
me pareceu que fosse Marte
para completar o despautério
fui à rua gritar
antes de ir para a cama
que este nosso mundo
como um relógio suiço
nunca podia avariar
hoje
apetecia mesmo transgredir
a manhã começava quente
ainda em Maio
já parecia estarmos a cavalgar o Verão
mal acordei e esfreguei os olhos
levantei-me
calcei as meias
vesti a camisola e as cuecas do avesso
troquei os sapatos
o do pé direito no pé esquerdo
e vice-versa
talvez me apetecesse
passar o dia nesse vice-versa
hoje apetecia transgredir
em vez de manteiga nas torradas
comecei por pôr
as torradas na manteiga
fiz o habitual
chocolate com leite
e fui à rua
despejá-lo no comedouro da multidão de gatos
saí à rua
para comprar cigarros
entrei no Café
cumprimentei quem estava
com inequívoco boa-tarde
quem estava
respondeu-me
com um também inequívoco bom-dia
olharam-se entre si
e riram
chegada a hora do almoço
dei por que
me desapetecia comer
- talvez fosse - pensei -
apenas por causa da palavra Almoço
foi então que resolvi
- e resultou na perfeição -
fingir
qe em vez de almoço era jantar
fechei
todas as janelas que davam para a rua
corri um cortinado vermelho
que separa a sala-de-jantar
do meu gabinete-de-trabalho
acendi duas velas
como se jantasse
com alguém muito romântico
pus Chopin
e talvez por indução fonética
uma garrafa de vinho
que preparei como se fosse de champagne
o resto do dia
passei-o de óculos escuros
- a tarde era já noite para mim
vi as estrelas
e a lua como vírgula minúscula
uns dois palmos acima
de brilhante planeta
que por seu brilho
e tamanho
e local
me pareceu que fosse Marte
para completar o despautério
fui à rua gritar
antes de ir para a cama
que este nosso mundo
como um relógio suiço
nunca podia avariar
hoje
apetecia mesmo transgredir
terça-feira, 22 de maio de 2012
AFOGAMENTO NO DANÚBIO
chamava-se Ferraz
Gonçalo Ferraz
o rapaz
que se atirou ao Danúbio
em Buda-Peste
rio voraz
nascido na Floresta Negra
morrendo no Mar Negro
de que outra coisa
seria então capaz
que não tragar
o infeliz rapaz
aventureiro
e logo em Budapest
- mais Peste do que Buda -
só os pais do rapaz
de Gonçalo Ferraz
sem se afogarem no Danúbio
afogam-se no pranto
que a sua falta traz
por mais que gritem por socorro
- não há quem lhes acuda
chamava-se Ferraz
Gonçalo Ferraz
o rapaz
que se atirou ao Danúbio
em Buda-Peste
rio voraz
nascido na Floresta Negra
morrendo no Mar Negro
de que outra coisa
seria então capaz
que não tragar
o infeliz rapaz
aventureiro
e logo em Budapest
- mais Peste do que Buda -
só os pais do rapaz
de Gonçalo Ferraz
sem se afogarem no Danúbio
afogam-se no pranto
que a sua falta traz
por mais que gritem por socorro
- não há quem lhes acuda
AFOGAMENTO NO DANÚBIO
chamava-se Ferraz
Gonçalo Ferraz
o rapaz
que se atirou ao Danúbio
em Buda-Peste
rio voraz
nascido na Floresta Negra
morrendo no Mar Negro
de que outra coisa
seria então capaz
que não tragar
o infeliz rapaz
aventureiro
e logo em Budapest
- mais Peste do que Buda -
só os pais do rapaz
de Gonçalo Ferraz
sem se afogarem no Danúbio
afogam-se no pranto
que a sua falta faz
por mais que gritem por socorro
- não há quem lhes acuda
quarta-feira, 16 de maio de 2012
As minhas sardas
Fiquei a pensar como seria a tarefa de contar as minhas sardas...
Quando era criança, morei num bairro de pescadores, em Fortaleza, onde os miúdos traziam na boca histórias fantásticas. O Vavá tinha a cabeça achatada e explicava que era assim porque a mãe quando grávida tinha caido no chão bem em cima da barriga. Recordo o meu espanto com tal explicação. Se ela tivesse caído de lado, como seria o perfil?
Um dia o Pirrita aconselhou-me a lavar a cara com o meu xixi para limpar a cara.
A verdade é que sempre tive complexos por ser sardenta.
Na adolescência colocava base e as sardas viam-se por baixo - teimosos sinais castanhos que não me largavam.
Para as ruivas, o cabelo é da cor da cenoura e faz todo sentido serem sardentas. Eu que sempre tive o cabelo castanho, passava por uma falsa sardenta. Com os anos fui aprendendo a gostar destesn pequenos sinais.
No rosto são mais de cem, no corpo outras tantas que invento e não encontro. Umas cresceram como se fossem sementes de uma nova gente. Outras apagaram-se tão cansadas estavam da vida acontecida. Acordam na minha pele todas as manhãs. Vivem comigo desde criança. Namoram umas com outras, casam-se e inventam filhos.
Nunca as vi morrer, senão a fundirem-se.
Até a hora do juízo final.
Quando era criança, morei num bairro de pescadores, em Fortaleza, onde os miúdos traziam na boca histórias fantásticas. O Vavá tinha a cabeça achatada e explicava que era assim porque a mãe quando grávida tinha caido no chão bem em cima da barriga. Recordo o meu espanto com tal explicação. Se ela tivesse caído de lado, como seria o perfil?
Um dia o Pirrita aconselhou-me a lavar a cara com o meu xixi para limpar a cara.
A verdade é que sempre tive complexos por ser sardenta.
Na adolescência colocava base e as sardas viam-se por baixo - teimosos sinais castanhos que não me largavam.
Para as ruivas, o cabelo é da cor da cenoura e faz todo sentido serem sardentas. Eu que sempre tive o cabelo castanho, passava por uma falsa sardenta. Com os anos fui aprendendo a gostar destesn pequenos sinais.
No rosto são mais de cem, no corpo outras tantas que invento e não encontro. Umas cresceram como se fossem sementes de uma nova gente. Outras apagaram-se tão cansadas estavam da vida acontecida. Acordam na minha pele todas as manhãs. Vivem comigo desde criança. Namoram umas com outras, casam-se e inventam filhos.
Nunca as vi morrer, senão a fundirem-se.
Até a hora do juízo final.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
SENTAR E CAMINHAR EM PAZ E SILÊNCIO POR UM MUNDO NOVO - 20 DE MAIO - 15h
Vivemos um ponto de mutação civilizacional. Participamos na extrema crise de uma civilização ignorante, insensível e violenta, pela qual somos todos responsáveis. Uma civilização filha do desconhecimento da lei fundamental da vida, a interconexão entre todos os seres, uma civilização escrava do medo, da ganância e do ódio, dominada por pensamentos, emoções e desejos doentios que se traduzem num crescente mal-estar mental, existencial e social, numa galopante opressão económica e financeira, numa democracia de fachada, dominada pelos grandes grupos económicos e pela finança internacional, na devastação do planeta, da biodiversidade e dos recursos naturais, na violência contra os homens, os animais e a Terra. Somos todos autores e vítimas de uma civilização alienada pela produção e pelo consumo, por ritmos de trabalho desumanos, pela falta de tempo para estar com os outros e apreciar a beleza do mundo, pelo sacrifício do crescimento interior e da expansão da consciência e da amizade em troca da busca ávida de riqueza, poder, fama e prazeres fugazes e fúteis. Tudo distracções impotentes para encobrir um profundo mal-estar e que nos deixam cada vez mais frustrados e insatisfeitos.
Um outro mundo é todavia possível, já antecipado por todos aqueles que, em Portugal e em todo o planeta, buscam e praticam um novo paradigma mental, ético e civilizacional e uma alternativa global, em todas as esferas, espiritual, cultural, terapêutica, pedagógica, ecológica, social, económica e política. Um outro mundo que se enraíza nas nossas mais profundas aspirações e onde florescem as melhores potencialidades do ser humano, a nossa natural vocação para a liberdade, a compreensão e o amor fraterno extensivo a todos os seres e a toda a Terra. Um mundo fruto do melhor que temos para dar, sem esperar nada em troca, sem acções nem reacções violentas, que apenas reproduzem o actual sistema e estado de coisas.
É para nos conhecermos e dar público testemunho desse mundo que nos vamos sentar todos em paz e silêncio durante uma hora no Domingo, 20 de Maio, em várias cidades e localidades do país e onde quer que estejamos. Às 16h seguiremos, numa lenta marcha pacífica e silenciosa, para vários locais, onde realizaremos uma assembleia para partilhar experiências e ideias sobre os rumos futuros da nossa intervenção cívica.
Este evento está aberto a todos os indivíduos, associações, movimentos e entidades que se reconheçam no seu espírito não-violento e que se comprometam a respeitar o silêncio até à partilha final. Aceitamos todos os apoios que respeitem estas condições. No evento não deverão estar presentes bandeiras, cartazes ou outros símbolos partidários.
Este evento é de todos os que nele se reconhecerem e não é contra nada nem ninguém. Só uma postura afirmativa e não reactiva, sem medo nem ódio, pode mudar o mundo. O sentar e marchar em paz e silêncio são a expressão de uma nova aliança entre os homens, os animais e a Terra. Vamos sentir e mostrar a força da nossa presença pacífica e silenciosa. Vamos deixar que em nós se manifeste um Mundo Novo.
Vem, traz amigos e partilha o mais possível.
CONTACTOS E LOCAIS POR CIDADE
LISBOA
Local de encontro: Rossio
Destino da Caminhada: Terreiro do Paço
https://www.facebook.com/events/222395511201859
Paulo Borges - pauloaeborges@gmail.com ( 918113021 )
Sofia Costa – asofcosta@sapo.pt ( 917769093 )
PORTO
Local de encontro: Praça Gomes Teixeira (Praça dos Leões)
Destino da Caminhada: Praça da Liberdade
https://www.facebook.com/events/264784013615239
Alexandra Araújo - xanaaraujo@sapo.pt ( 939611744 )
Vítor Bertocchini - bertoquini@gmail.com
Carla Rocha - carlajrocha@hotmail.com
COIMBRA
Local de encontro: Parque Verde do Mondego
Destino da Caminhada: Praça 8 de Maio
https://www.facebook.com/events/335619686499666
Maurício Pereira - mauriciocgpereira@gmail.com
Francisco Guerreiro - jorgekguerreiro@gmail.com
LEIRIA
Local de encontro: Praça Rodrigues Lobo
Destino da Caminhada: Jardim de Santo Agostinho
https://www.facebook.com/events/303668206373769
Micael Inês - micaelines@gmail.com ( 965884416 )
Fernando Emídio - fernandoemidio@gmail.com ( 962683097 )
Patrícia Pereira - patricia.afp@gmail.com ( 962807817 )
SESIMBRA
Local de encontro: Praia da Califórnia
Destino da Caminhada: Avenida dos Náufragos
https://www.facebook.com/events/426407467375608
Tsomo santos & Gonçalo Oliveira - youzen.therapies@mail.com (93678397)
STA. MARIA DA FEIRA
Local de encontro: Castelo de Sta. Maria da Feira
Caminhada pela cidade, regressando ao Castelo.
http://www.facebook.com/events/246548715444314
sentarecaminharempazfeira@gmail.com
Luís Oliveira ( 965285844 )
Ana Louro ( 966588899 )
Andrea Domingos ( 913313799 )
José Porfírio ( 916329151 )
BRAGA
Local de encontro: A definir
Destino da Caminhada: Sé de Braga
https://www.facebook.com/events/296946723719275
Gabriela Cunha - gabrielacunha@gmail.com
Ana Devesa - devesaana@gmail.com
FUNCHAL
Local de encontro: Praça do Município do Funchal
Destino da Caminhada: Parque de Sta. Catarina
https://www.facebook.com/events/136485646476097
Tânia Almeida ( 913386788 )
Carla Brás ( 927089603 )
ÉVORA
Local de encontro: Praça do Giraldo
Destino da Caminhada: Praça Joaquim António de Aguiar
https://www.facebook.com/events/363806753667646
José Cortes - jomacoam@gmail.com ( 967336834 )
BEJA
Local de encontro: Praça da República
Destino da caminhada: Parque da Cidade
https://www.facebook.com/events/334261966639626
Centro Holisis - holisis.csi@gmail.com ( 962693011 )
SERPA
Local de encontro: Quiosque do Jardim Público
Destino da Caminhada: Largo da Biblioteca
https://www.facebook.com/events/366743433372820
Maria José Palma - palma.mariaze@gmail.com ( 962693011 )
Fátima Pires - mfpvenancio@hotmail.com ( 964786869 )
Francisco Cabecinha - f.cabecinha.vendas@hotmail.com (966081729)
SETÚBAL
Local de encontro: Largo de Jesus
Destino da caminhada: Parque Urbano de Albarquel
http://www.facebook.com/events/366321506749456
Bruno Ferro - brunoferro77@hotmail.com
PONTA DELGADA
Local de encontro: Parque Urbano
Destino da caminhada: Portas do Mar
http://www.facebook.com/events/411429965557447
Maria Martins - mariaportugal.artesplasticas@gmail.com
ARCOS DE VALDEVEZ e PONTE DA BARCA
Local de encontro: Alameda do Campo do Transladário
(junto ao chafaris dos cavaleiros), Arcos de Valdevez
Destino da Caminhada: Choupal do Côrro, Ponte da Barca
http://www.facebook.com/events/455731467786018
Maria Tita - maria.tita.brida@gmail.com
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Andamos moralinizados?
O Bom Senso, senhor Antunes, é o metal amarelo do seu metro, a correcção das suas barbas aparadas, o sorriso estampado nos seus beiços, o preto da sua gravata que reponta com o rubro das suas bochechas democráticas...
O Bom Senso é o seu estômago, senhor Antunes, impecável como o seu relógio americano e o seu olho ainda guicho atirado às saias da criada e principalmente aquele seu dedo que pesa na Balança... aquele Dedo, com letra enorme sobre o Vale de Josafat...
O Bom Senso é a sua pessoa, senhor Antunes, vestindo as aparências convenientes ao Lucro e à Moral - dois esposos que atropelam os miseráveis quando passeiam de automóvel...
E a Loucura, senhor Antunes, é o pobre Silvino que passou, lá fora, na rua, ao vento pluvioso deste inverno, esfarrapado e enlameado, a cantar, em voz alta, o advento dum novo Deus...
A Loucura é o Silvino e a substância ígnea do mundo - a lava interior.
E o Bom Senso, senhor Antunes dos Negócios, é uma crosta ligeira e artificial que principia a quebrar por todos os lados... Já anda fumo no ar...
- Teixeira de Pascoaes, O Bailado, Assírio e Alvim, pág.109
O Bom Senso é o seu estômago, senhor Antunes, impecável como o seu relógio americano e o seu olho ainda guicho atirado às saias da criada e principalmente aquele seu dedo que pesa na Balança... aquele Dedo, com letra enorme sobre o Vale de Josafat...
O Bom Senso é a sua pessoa, senhor Antunes, vestindo as aparências convenientes ao Lucro e à Moral - dois esposos que atropelam os miseráveis quando passeiam de automóvel...
E a Loucura, senhor Antunes, é o pobre Silvino que passou, lá fora, na rua, ao vento pluvioso deste inverno, esfarrapado e enlameado, a cantar, em voz alta, o advento dum novo Deus...
A Loucura é o Silvino e a substância ígnea do mundo - a lava interior.
E o Bom Senso, senhor Antunes dos Negócios, é uma crosta ligeira e artificial que principia a quebrar por todos os lados... Já anda fumo no ar...
- Teixeira de Pascoaes, O Bailado, Assírio e Alvim, pág.109
quinta-feira, 10 de maio de 2012
O
mundo sabia de cor, a cor da dor de quem nunca teve a sorte de nascer
imperador. O peixe era doce e cru. A beterraba avinagrada. A vontade de
ser feliz era tanta como a tua agora que acabas de nascer. O jejum era
dos pobres que o faziam dia após dia.
Vizinhos da vida viajaram sem regresso com um sorriso que não esqueço.
O homem mata o homem e nunca sabe porquê. Bendita a memória que me assombra neste dia que nasce outra vez.
Se ficar por aqui mais um instante| chorarei a ausência que permanece |
memória que me assiste| quando me perco | falta que invade meu corpo |
bem no meio do coração | um sorriso como se fosse outro abraço | desligo
a luz | invento o infinito | que nunca teve início nem fim | por dentro
de mim| um beijo que não encontra pouso
quarta-feira, 9 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
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