O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 8 de junho de 2008

A proliferação golémica

"O rio de Heraclito, em cujas águas também corre a História, transporta dejectos em prooporções crescentes. Do grande caudal faz também parte a proliferação golémica: homúnculos incontáveis espalham o seu discurso miserando e impõem como espaço de saciedade o conjunto de todos os espaços cosmizáveis" - António Vieira, Ensaio sobre o termo da história. Trezentos e cinquenta e três aforismos contra o Incaracterístico, 105, Lisboa, Hiena, 1994, pp.42-43.