O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sábado, 17 de outubro de 2009

Alexandre Magno e a Conquista da Índia


imagem: google
Alexandre pouca impressão causou ao povo indiano. Conquistou apenas algumas pequenas tribos e sua invasão nem sequer foi mencionada por alguns dos primeiros historiadores indianos. A sua proeza não foi a conquista da Índia, mas o facto de ali ter estado realmente; os dois anos em que esteve na Índia tiveram mais de expedição geográfica do que campanha militar. Alexandre parecia ser a encarnação do ethos grego. Fora criado com os mitos homéricos, inspirado pelos ideais de Atenas e educado por Aristóteles. A Grécia não participava tão plenamente na visão religiosa da Era Axial como as outras regiões. Alguns dos seus mais admiráveis feitos «axiais» haviam sido militares. A aventura de dois anos de Alexandre na Índia foi mais um desses momentos: um exército grego atingira aquilo que se considerava o fim da Terra. Tinham-se atirado contra as estremas com tanta coragem quanto os iogues haviam lutado para romperem os limites da psique humana. Enquanto os místicos haviam conqustado espaço interior, Alexandre explorara os recantos mais longínquos do mundo físico. Como muitos sábios da Era Axial, estava constantemente a «esforçar-se por mais». Queria avançar pelo interior da Índia mas adentro que os reis persas e atingir o oceano que, segundo julgava, circundava a Terra. Era o tipo de «iluminação» que sempre atrairia os exploradores ocidentais, mas muito diferente do nirvana ou moksha, caracterizados pelo apagamento do eu, da ahimsa e da compaixão que os místicos indianos procuravam.

Karen Armstrong, Grandes Tradições Religiosas, Temas e Debates, 2009, pp.346-347