O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 6 de março de 2011

Lao Tse em versão de Agostinho da Silva

"Não é que toda a gente considera que o belo é o belo,
quando é nisto mesmo que consiste ser ele feio ?
Não é que toda a gente considera que o bem é o bem,
quando é nisto mesmo que consiste ser ele mau ?"
- Lao Tse, Tao Te King (tradução de Agostinho da Silva).

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sobressaltos - "É de crer que se contentem de soltar à nossa volta imensa gargalhada"

"O ser ou se revela um ou muitos. Em nós, ele é ao mesmo tempo uno e múltiplo, e assim como nos implicamos em cada uma das maneiras como somos, assim cada uma delas implica as outras. Assim também uma ligação íntima e substancial existe entre um homem e todos os outros, entre um ser e todos os outros seres, não sendo jamais viável a liberdade dum sem a liberdade de todos, o bem dum sem o bem de todos.
Assim vemos o filósofo digno desse nome não poder situar-se do lado do que define e determina pois a verdade está também no que indiferencia e indetermina.

O homem que se toma a si próprio como fim é considerado, em geral, como um néscio e dia virá em que ele próprio o verifique. Mas esta humanidade que se tomou a si própria como fim supõe-se sábia. Já dos longes do suposto passado se levantam não só os velhos deuses, mas os vultos fantasmáticos dos homens de outras eras. Já erguem suas frontes meditativas sobre o horizonte ainda velado para a maioria, já alguns podem ver como nos contemplam. Em breve nos julgarão. Mas é de crer que nada digam. É de crer que se contentem de soltar à nossa volta imensa gargalhada. Depois sumir-se-ão de novo, deixando esta estúpida humanidade com sua ciência pequenina e perigosa, sua arte frustrada, sua magra filosofia, cumprir o lôbrego destino para que se adianta inconsciente"

- José Marinho, Aforismos sobre o que mais importa, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994, p.215.

Sem comentários.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Se não existisse dor física

E o Inferno e o Paraíso dependem de consciências, porque todo o mal ou bem vem a sentir-se, na medida em que se não se sentisse não era nem um nem outro... mas resta saber se podem existir Mal ou Bem Absolutos em algum momento das nossas vidas, o que não sabemos Absolutamente, mas sempre acerca de nós, considerando, por exemplo, a dor física extrema o pior mal da vida. É uma perspectiva materialista? Não, é realista, na medida em que seja que for que sonho que sonhemos o sonho é este sonho, é o que está a acontecer, nada mais. Ou haverão sensações piores? Se não existisse dor física, existiria dor de espécie alguma?