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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Sobressaltos - "É de crer que se contentem de soltar à nossa volta imensa gargalhada"
"O ser ou se revela um ou muitos. Em nós, ele é ao mesmo tempo uno e múltiplo, e assim como nos implicamos em cada uma das maneiras como somos, assim cada uma delas implica as outras. Assim também uma ligação íntima e substancial existe entre um homem e todos os outros, entre um ser e todos os outros seres, não sendo jamais viável a liberdade dum sem a liberdade de todos, o bem dum sem o bem de todos.
Assim vemos o filósofo digno desse nome não poder situar-se do lado do que define e determina pois a verdade está também no que indiferencia e indetermina.
O homem que se toma a si próprio como fim é considerado, em geral, como um néscio e dia virá em que ele próprio o verifique. Mas esta humanidade que se tomou a si própria como fim supõe-se sábia. Já dos longes do suposto passado se levantam não só os velhos deuses, mas os vultos fantasmáticos dos homens de outras eras. Já erguem suas frontes meditativas sobre o horizonte ainda velado para a maioria, já alguns podem ver como nos contemplam. Em breve nos julgarão. Mas é de crer que nada digam. É de crer que se contentem de soltar à nossa volta imensa gargalhada. Depois sumir-se-ão de novo, deixando esta estúpida humanidade com sua ciência pequenina e perigosa, sua arte frustrada, sua magra filosofia, cumprir o lôbrego destino para que se adianta inconsciente"
- José Marinho, Aforismos sobre o que mais importa, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994, p.215.
Sem comentários.
Assim vemos o filósofo digno desse nome não poder situar-se do lado do que define e determina pois a verdade está também no que indiferencia e indetermina.
O homem que se toma a si próprio como fim é considerado, em geral, como um néscio e dia virá em que ele próprio o verifique. Mas esta humanidade que se tomou a si própria como fim supõe-se sábia. Já dos longes do suposto passado se levantam não só os velhos deuses, mas os vultos fantasmáticos dos homens de outras eras. Já erguem suas frontes meditativas sobre o horizonte ainda velado para a maioria, já alguns podem ver como nos contemplam. Em breve nos julgarão. Mas é de crer que nada digam. É de crer que se contentem de soltar à nossa volta imensa gargalhada. Depois sumir-se-ão de novo, deixando esta estúpida humanidade com sua ciência pequenina e perigosa, sua arte frustrada, sua magra filosofia, cumprir o lôbrego destino para que se adianta inconsciente"
- José Marinho, Aforismos sobre o que mais importa, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994, p.215.
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