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domingo, 6 de março de 2011
Lao Tse em versão de Agostinho da Silva
"Não é que toda a gente considera que o belo é o belo,
quando é nisto mesmo que consiste ser ele feio ?
Não é que toda a gente considera que o bem é o bem,
quando é nisto mesmo que consiste ser ele mau ?"
- Lao Tse, Tao Te King (tradução de Agostinho da Silva).
quando é nisto mesmo que consiste ser ele feio ?
Não é que toda a gente considera que o bem é o bem,
quando é nisto mesmo que consiste ser ele mau ?"
- Lao Tse, Tao Te King (tradução de Agostinho da Silva).
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Desomenagem a Agostinho da Silva, no dia em que faria 105 anos

"Acho graça às homenagens
que me prestam,
excelente sinal de ilusões
que a eles restam;
sou tão humano quanto os outros,
com qualidades e defeitos
e mais as manhas que se escondem
em seus peitos;
[...]
de nós nada mais deixamos
que vãs memórias,
só Deus é grande, só Deus é santo
e o demais histórias"
- Agostinho da Silva, Uns Poemas de Agostinho, pp.17-18.
Li este poema no início do lançamento da antologia que organizei de Dispersos, de Agostinho da Silva, em 1988, no Mosteiro dos Jerónimos, numa mesa presidida por um sonolento presidente Mário Soares e perante a ruidosa "fina flor" das elites e da sociedade portuguesa, reunida para homenagear o filósofo que nunca tinham lido e para beberem uns copos à borla. Passados uns minutos, a presidência da mesa, incomodada, estava a pedir-me que parasse de falar...
E hoje o "vagabundo anarquista, como se definiu, continua a ser repasto de todas as aves de rapina.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Primeiro passo na internacionalização do pensamento e obra de Agostinho da Silva

AGOSTINHO DA SILVA, Penseur, écrivain, éducateur, organização de Paulo Borges, José Manuel Da Costa Esteves, Idelette Muzart-Fonseca dos Santos, colecção Mondes Lusophones, Paris, L'Harmattan, 2010, 330 páginas.
Foi dado o primeiro passo para a internacionalização do pensamento e obra de Agostinho da Silva, com este volume que inclui uma antologia de textos seus (organizada por Paulo Borges e Rui Lopo) e as actas do colóquio em sua homenagem, no dia do seu aniversário, 13 de Fevereiro de 2007, no Centro Calouste Gulbenkian, em Paris.
Estão já prontas outras traduções, para italiano e alemão.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Filósofos?
"Você tenciona […] ser um filósofo, não no sentido de que exporá doutrinas alheias ou construirá uma sua doutrina e se dará satisfeito com tudo isso, mas no sentido de que tentará pôr a sua vida de acordo com a sua filosofia, à maneira de certos gregos e de quase todos os hindus"
– Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 232.
– Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 232.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Dia 28, Agostinho da Silva e Fernando Pessoa em Paris

No dia 28, às 14.30, estarei no Centro Cultural Calouste Gulbenkian, 51, Avenue d'Iéna, em Paris, para apresentar o livro "Agostinho da Silva. Penseur, écrivain, éducateur", organizado por mim, José Costa Esteves e Idelette Muzart-Fonseca dos Santos. Contém a primeira antologia de textos de Agostinho traduzidos para francês. Às 16.30 falarei sobre Portugal, Brasil, o Atlântico e a Europa em Fernando Pessoa.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Escolhas
Agostinho considera que todo o teatro grego, tragédia e comédia, provém da consciência deste conflito entre a natureza não-dual do homem e a sua orientação histórica, que marca as possibilidades e direcções opostas que coexistem no íntimo da espécie e de cada indivíduo: por um lado, o crescente desenvolvimento de uma civilização tecnocrática que dessacraliza o mundo, que o considera e aos seres vivos sua propriedade - para "usar, gozar e abusar" -, que instrumentaliza a vida para o único fim do sustento material e, privada do sentido do infinito e da totalidade, da contemplação e da adoração, da comunhão e da gratuidade, se encerra no círculo fechado do produzir para consumir e consumir para produzir; por outro lado, o impulso religioso para regressar à original inocência paradisíaca, ao sentimento da sacralidade do todo e à paz da indistinção entre "eu" e "outro", sujeito e objecto, o que Agostinho considera possível por um aprofundamento da experiência imanente do divino, culminando nessa "experiência mística" que, universal e trans-religiosamente, considera mostrar "que o auge do sentimento religioso consiste numa fusão entre objecto do culto e sujeito do culto, num transformar-se o amador na coisa amada, num aparecimento da unidade perfeita onde a dualidade existia".
- Paulo Borges, in Uma Visão Armilar do Mundo
- Paulo Borges, in Uma Visão Armilar do Mundo
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quinta-feira, 6 de maio de 2010
Viva a Vida plena!
Vimos como a religião grega era essencialmente uma religião de Alegria; os deuses amavam as festas e elas eram para o cidadão as solenidades de que toda a tristeza estava ausente; danças e cantos, grandes cortejos cheios de beleza, tempos claros e de vivo colorido, estátuas de rítmico corpo - tudo dizia o amor, a alegria de viver.
Mas viver de que modo? Apenas a vida comum, com os seus prazeres e suas dores, apenas a vida que dura umas dezenas de anos, a vida limitada e individual? De modo algum: o que dava ao grego esse sentimento extraodinário de Alegria era a compreensão de que a verdadeira vida é a Vida de toda a Natureza e de todos os indivíduos unidos nela e com ela; a Vida plena em que os homens e estrelas, planetas e deuses, terras e céus, palpitam no mesmo ritmo de Beleza e de Amor; Vida universal estendida a todas as coisas, à água das fontes que as Ninfas animam, aos fortes carvalhos que habitam as Dríades, às rochas escalvadas, domínio das Oréades; a Vida que embriagava Pã e os Sátiros e fazia que nas suas flautas reproduzissem o canto dos pinheirais - não por imitação, mas por uma íntima e profunda identidade de natureza. Era a consciência de se sentir irmão da terra e das ondas que dava ao grego a alegria jovem que sempre estava na sua alma.
- Agostinho da Silva, in A Religião Grega
Mas viver de que modo? Apenas a vida comum, com os seus prazeres e suas dores, apenas a vida que dura umas dezenas de anos, a vida limitada e individual? De modo algum: o que dava ao grego esse sentimento extraodinário de Alegria era a compreensão de que a verdadeira vida é a Vida de toda a Natureza e de todos os indivíduos unidos nela e com ela; a Vida plena em que os homens e estrelas, planetas e deuses, terras e céus, palpitam no mesmo ritmo de Beleza e de Amor; Vida universal estendida a todas as coisas, à água das fontes que as Ninfas animam, aos fortes carvalhos que habitam as Dríades, às rochas escalvadas, domínio das Oréades; a Vida que embriagava Pã e os Sátiros e fazia que nas suas flautas reproduzissem o canto dos pinheirais - não por imitação, mas por uma íntima e profunda identidade de natureza. Era a consciência de se sentir irmão da terra e das ondas que dava ao grego a alegria jovem que sempre estava na sua alma.
- Agostinho da Silva, in A Religião Grega
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terça-feira, 4 de maio de 2010
"Rio-me"
[...] rio-me do estoico que usa um manto despedaçado e uma grande barba mal cuidada e vai à nona hora espreitar as damas amáveis do Foro; rio-me do pregador que não tolera a riqueza e vive num palácio, que desdenha a política e mergulha nas intrigas de Nero, que louva a paz dos campos e prefere o tumulto de Roma. E, ao contrário, darei lugar, entre os bustos domésticos, àquele Epicuro que defendeu o prazer (se defendeu o prazer), que amou a vida e desprezou os deuses, mas tão santamente procedeu e tão nobremente morreu nos seus jardins de Atenas; [...]
- Agostinho da Silva, in Glossas
- Agostinho da Silva, in Glossas
domingo, 2 de maio de 2010
"o seu bem será o bem alheio"
A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras.
Hei-de vê-lo depois despido de egoísmos, atento somente aos motivos gerais; o seu bem será o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
- Agostinho da Silva, in Considerações
Hei-de vê-lo depois despido de egoísmos, atento somente aos motivos gerais; o seu bem será o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
- Agostinho da Silva, in Considerações
domingo, 25 de abril de 2010
O Espírito
A razão voluntária essencial de me ver católico não seria a da existência de um Deus Pai ou de um Deus Filho; seria a da crença no Deus Espírito Santo. É o Espírito o que une Pai e Filho, dos quais vem tudo o resto, como criação da redenção; é o Espírito o traço comum de sujeito e objecto, por onde se estabelece todo o diálogo; é o Espírito a fonte indefinível de onde a vida pode fluir sob quaisquer formas, aquelas que eu conheço e venero ou não, e aquelas de que nem sequer posso ter uma ideia; é o Espírito que anima os que estão comigo e os meus adversários; foi o Espírito quem me trouxe o Cristo e quem a outros trouxe Buda, Maomé e Lao-Tseu; foi o Espírito quem me deu Eckhart e quem me deu a geometria analítica; nele se reconciliam Aristóteles e Platão, nele se acabam as geografias, ou políticas, que separam Ocidente de Oriente. Por ele a Igreja é, e só o será enquanto Ele o quiser; quando se canta «Veni, creator Spiritus», inicia-se a maior aventura da História: porque nunca se sabe o que Ele irá criar; e pode não criar coisa nenhuma e refluir à Unidade essencial; (...)
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quinta-feira, 22 de abril de 2010
Fábricas...
"A publicidade é uma fábrica de perfeitos fregueses, ávidos e estúpidos; a educação, que lhe é paralela, fabrica cidadãos servis e crentes"
- Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 169.
- Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 169.
sábado, 20 de março de 2010
"...só há homem, quando se faz o impossível"
"Estou a exigir muito de si? Quem lhe há-de exigir muito senão os seus amigos ? Eles receberam o encargo de o não deixar amolecer e, pela minha parte, tenha você a certeza de que o hei-de cumprir. Você há-de dar tudo o que puder, e mesmo, e sobretudo, o que não puder; porque só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem. Quando você saltar e saltar bem, eu direi sempre: agora mais alto! Que me importa que você caia. Os fracos vieram só para cair, mas os fortes vieram para esse tremendo exercício: cair e levantar-se; sorrindo"
- Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 268.
- Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 268.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Agostinho da Silva: da educação como "técnicas de fabricar adultos pelo assassínio das crianças"
"[referindo-se à revolução industrial inglesa] De então para diante em nada mais se mudou, na grande massa de educação, senão nas técnicas de fabricar adultos pelo assassínio das crianças; a humanidade de jeito ocidental pratica em grande escala o infanticídio de espírito, apenas o punindo quando é físico porque isso lhe rouba definitivamente a matéria prima do adulto. Aquelas crianças que várias vezes Fernando Pessoa apontou como a melhor coisa que há no mundo, aquele Menino eternamente criança e humano que era para Alberto Caeiro o Deus verdadeiro e supremo que faltava no universo, a essas diariamente as sacrificam as nossas escolas, diariamente as crucificam, diariamente as imolam nas aras da Eficiência”
– Agostinho da Silva, Um Fernando Pessoa [1959], in Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I, p.115.
– Agostinho da Silva, Um Fernando Pessoa [1959], in Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I, p.115.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
"O problema dos políticos é o de mudarem o governo: o meu é o de mudar o Estado"
O problema dos políticos é o de mudarem o governo: o meu é o de mudar o Estado. Contam eles com o voto ou a revolução. Conto eu com o curso da História e a minha vocação e o meu esforço de estar para além dela
– Agostinho da Silva, "Cortina 1" (inédito).
– Agostinho da Silva, "Cortina 1" (inédito).
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
"A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio"

"A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado por sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; […]
Hei-de vê-lo depois despido de egoísmos, atento somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo de aparências, tornar melhor de um sólido universo de verdades; […]
Será grato aos contrários, mesmo aos que vêm armados da calúnia e da injúria; compassivo da inferioridade que demonstram fará tudo que puder para que melhorem e se elevem; responderá à mentira com a verdade e ao ódio com o bem; tenazmente se recusará a entrar nos caminhos tortuosos; se o conseguirem abater, tocará com humildade a terra a que o lançaram, descobrirá sempre que do seu lado esteve o erro e de novo terá forças para a luta; e se o aplaudirem pense logo que houve um erro também"
- Agostinho da Silva, “Quanto aos noviços”, Considerações [1944], in Textos e Ensaios Filosóficos I, pp. 119-120.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Em homenagem a Agostinho da Silva, nascido há 104 anos

"Não me preocupa no que penso nem a originalidade nem a coerência. Quanto à primeira, tudo aquilo com que concordo passa a ser meu — ou já meu era e ainda se me não tinha revelado. A minha originalidade está só, porventura, na digestão que faço. Pelo que respeita à coerência, bem me rala; o que penso ou escrevo hoje é do eu de hoje; o de amanhã é livre de, a partir de hoje, ter sua trajectória própria e sua meta particular. Mas, se quiserem pôr-me assinatura que notário reconheça, dirão que tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso"
- Agostinho da Silva, Pensamento em Farmácia de Província, 1 [1977], in Textos e Ensaios Filosóficos II, p.319.
Parabéns, Agostinho, por haveres sido e deixado um exemplo de liberdade! O único que em ti podemos seguir sem te trair e nos trairmos. Foste sem fronteiras e só isso importa.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Dono do mundo?

(foto de Botelho)
"[...] cada vez mais o homem se tem posto e considerado [...] no mundo como o dono do mundo, com o direito de destruir os animais e as plantas, de escravizar os irmãos homens, de transformar a vida inteira nalguma coisa que não tem outro fim senão o de sustentar a sua vida material"
- Agostinho da Silva
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Da Revolução
"Igreja Católica", para Agostinho [da Silva], é sinónimo da Comunidade "Universal" e "ecuménica" de todos os que firme e autenticamente se esforçam pelo fim de todas as divisões, discriminações, antagonismos e conflitos, a todos os níveis, do espiritual ao bélico, passando pelo racial, social, económico e político. Irredutível a qualquer religião e confissão e de todas integrante, mesmo [...] do ateísmo e do agnosticismo, ela é a comunidade revolucionária metanóica de todos os homens que lutam, sem nada destruir, pela transformação radical de si e do mundo. "Revolução" que exige "estudar", "pensar", mas sobretudo "ser" o mais plenamente possível, vencendo ascética e humildemente as resistências da "natureza", do "ambiente" ou das "ambições". "Revolução" que exige, como é timbre do culminar místico de espiritualidade agostiniana, encontrar e ser "a essência que a tudo liga", o que vale mais que dizê-lo ou escrevê-lo, enquanto se ora por que os outros igualmente o façam. "Revolução" que não é, enfim, senão o pleno cumprimento da mais funda vocação existencial de cada homem, vinda do absoluto.
Paulo Borges, Tempos de Ser Deus, A Espiritualidade Ecuménica de Agostinho da Silva, Âncora Editora, 2006, pp.188-189
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O Vício de Pensar
O vício de pensar é porventura dos mais daninhos que se abateu sobre a humanidade e quanto mais felizes seríamos se pudéssemos regressar a tempos que, simbolicamente, chamaríamos de ante-pré-socráticos, quando a filosofia ainda não aparecera com a pretensão de substituir o conto de fadas, ou até antes disso, quando o conto de fadas ainda não aparecera com a presunção de substituir a vida.
Agostinho da Silva
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Pensar
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
"Não te satisfaças com o programa de um partido: inventa melhor"
- Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, Textos e Ensaios Filosóficos, II, p.153.
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