O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 13 de março de 2008

Um apelo

Acima de tudo, para além dos cumprimentos afectuosos que enviei, convido todos aqueles que lêem e comentam esta sangha para que se tornem participantes activos da mesma, sejam bons, maus, ou banais comentadores. Creio que podemos criar uma excelente sangha virtual, todos juntos!

Acima de tudo, para lá de todas as teorias e "teias conceptuais" (como uma comentadora lhes chamou), desejo que todos vivamos em paz e harmonia, uns com os outros, pelo menos, e que criemos, aqui, algo verdadeiramente bom, que nos apegue de orgulho, por fazermos, com as nossas palavras, o bem (o que é o bem?).

Muito mais, infinitamente, haveria para ser dito mas, por ora, penso que fica o essencial. Participem! Sejamos Um! Paz.

Identidade pessoal e Eterno Retorno

Sou um aglomerado de partes - pessoas? - dispersas pelo espaço e pelo tempo.

Amo-as - profundamente! (não se trata de apego ao eu, porque são outras... É amor puro... apego ao sentimento?)

Sinto-me bem com isso.

Ainda hoje sou aquela criança que brincava na praia deserta com os pais.

Eterno retorno? Tudo está sempre a acontecer. Não neste espaço, não neste tempo, mas noutros, passados ou futuros.

Assim creio, e não apenas na existência do presente, disto, nu e cru, como o vemos.

Abraços

Tenho de enviar um abraço especial ao Paulo Borges, de quem fui aluno intrépido, sempre com questões parvas, por permitir toda esta Folia e, também, ao grande Bhixma, que me tem acompanhado, com bom senso e ternura, ao longo da minha viagem blogosférica. Um grande abraço aos dois! O caminho é sempre em frente! Olha para trás: aí está o teu passado! Vamos embora com isto! Indizibilidades para ambos!

SIMgularidades

Faltou-me dizer algo no post anterior. Tenho de dizê-lo. A Serpente é constituída por inúmeras SIMgularidades, como enunciou a serpentina - um eflúvio da Serpente?, sem desprimor... com Amor (e não a conheço, mas apenas o que escreveu) - Isabel Santiago, na qual as mesmas são respeitadas, deixando-as a Serpente que se vivifiquem no seu SIMgular fluir, (para) além dos comentários positivos, negativos ou, simplesmente, banais a cada post. Gosto de estar aqui e é uma honra e, sobretudo, um prazer aqui estar. Indizibilidades para todos!

Muse - Sing For Absolution

Quero, com este post, agradecer a todos os que comentaram o post sobre o meu despedimento e que demonstraram, assim, que a Serpente é uma sangha virtual unida mas, mais que unida, compassiva. E é disso - compassividade - que são feitas as boas pessoas. Gostaria de ser tão compassivo quanto vós, mas sou, tantas vezes, demasiado comodista.... Muita paz e amor para todos! Felicidade! Concretização! Vida!

Sobre o apego e a fruição da realidade

Muito neste blogue se tem falado do apego.

Supostamente é uma coisa má.

Pergunta-se: como viver sem apego?

Respondo que não sei mas que, para que vivamos desapegados, teremos de viver desapegados da ideia do desapego, caso contrário estaremos apegados a ela e perguntaremos, a cada passo que dermos: estarei apegado?

A solução não é viver com a ideia do desapego na cabeça mas, penso, viver sem ideia alguma pré-concebida na cabeça.

Fruir o tal sabor, que é saber, da realidade que não é "realidade" mas algo indizível.

O ramo dourado do irreparável

O Diagnóstico.
Desalento e tristura. Desalento e tristura são só dois dos sentimentos possíveis dos que se sentem afectados pelo Irreparável.

O Irreparável

“O Irreparável é o facto das coisas serem como são, deste ou daquele modo, entregues sem remédio à sua maneira de ser. Irreparáveis são os estados de coisas, sejam elas como forem: tristes ou alegres, cruéis ou felizes. Como és, como é o mundo – é isto o Irreparável.
(…)
Que o mundo seja assim como é – eis a raiz de toda a alegria e de toda a dor puras. Uma dor ou uma alegria por o mundo não ser como parecia ou como queríamos que fosse são impuras e provisórias. Mas o grau extremo da sua pureza, no assim seja, dito ao mundo quando desapareceu toda a legítima causa de dúvida ou de esperança, dor e alegria não têm por objecto qualidades negativas ou positivas, mas o puro ser-assim, sem nenhum atributo.
(…)
O mundo do feliz e do infeliz, o mundo do bom e do malvado contêm os mesmos estados de coisas, são, quanto ao seu ser-assim, perfeitamente idênticos. O justo não vive num outro mundo. O eleito e o condenado têm os mesmos membros. (…) O que muda não são as coisas, mas os seus limites. É como se sobre elas estivesse agora suspensa qualquer coisa como uma auréola, uma glória.” Agamben, A Comunidade que Vem, trad. António Guerreiro, pp. 71 a 73

O Assim
O assim seja é a aceitação de tudo como acontece, nos acontece, a aceitação do que somos e como somos, do que são os outros e como são os outros. Esta aceitação sem limites é que pode mudar os nossos limites. E, se mudam os nossos, mudam os dos outros. Porque o ser assim e não de outro modo é que deixa ser e funda como somos, uns com os outros, limite e “deslimitação” permantes, a comunidade por vir. A comunidade que vem, vem de nós, os que sentido o Irreparável, o ser nos seus modos diversos e em nós, não o negam mas não se apropriam dele – inglória tarefa de tentar manter o que muda para outro modo, irá ser de outro modo, outro assim e outrossim, de nós apenas outro sim – mas não o querem ou desejam. Sermos singularidades sem identidades e sem estarmos cada um a pensar “sou assim” e “queria ser de outro modo”. Só há este assim como somos. Aceitar isto é também aceitarmos ser, não singularidades, mas SIMgularidades!

O SIM
Peço-o emprestado a Nietzsche que todos conhecem, mas não o peço emprestado para o explicar. Já todos o sabem, peço para o cantarmos. Assinarmos com ele o dia que já nasce, assim como nascer, cinzento ou ensolarado, assim como ele for o aceitaremos e, com ele, cada um de nós e todos, SIMgularidades que em todos os modos e de todos os modos somos a comunidade que em torno de uma Ideia, a de serpente, abraçaremos todos e cada um, como se nesta roda que é a Vida, o Irreparável, nós recebêssemos o que está suspenso em cada um e nisso viesse a bênção do Amor.

O Amor
“Ver simplesmente algo no seu ser-assim: irreparável, mas nem por isso necessário; assim, mas nem por isso contingente – é isto o Amor.” Op.cit., p. 86
Assim, só assim se faz o caminho da serpente. Com todos e com cada modo de sermos assim como somos, ainda somos. Não singularidades, mas SIMgularidades. Esperando o que está suspenso. Não vendo, relendo, revendo o que caiu, quem caiu, quem atirou ao chão. O que está suspenso deve vir do céu. Ser azul ou luz. Assim:

The Golden Bough - Joseph Mallord William Turner

Que cada um, na comunidade da serpente emplumada, sinta suspenso na sua vida o ramo dourado que Turner vislumbrou.





Só após nos amarmos olho o teu rosto: todo chamas. Antes de desaparecer, ainda ouço: "Saúde, ó santos do Último Instante, vós que a tudo consumis !"

quarta-feira, 12 de março de 2008

Beck - Lonesome Tears

Uma das minhas canções favoritas. Recorda-me o Verão em que andava perdido num descapotável pelas estradas solitárias do Sul do país em busca de praias desertas. Uma parte de mim?

«dizia-me» uma música hoje:
a minha alma caiu,
partiu-se...
como um vaso vazio...






















O Incrível e incomparável Nasrudim

Para um galego a apresentação do Mullah Nasrudim é quase inevitável. A figura do parvo-louco-sábio tem muito da nossa Galiza. De facto muitas das suas histórias já as tinha ouvido dos lábios do meu avô mas tendo como protagonista ao inefával e saudoso Pir-i-Lampo, um protótipo de ares celtas e gaitas ao vento. Quiçá a única diferença seja certo quixotismo meigo do nosso Pir, algo ensonhador demais e com certas teimas metafísicas que ele próprio se encarrega de boicotear à beira de um copo de vinho Amandi e uma lareira perdida nas montanhas do Courel. Lá, perto d’O Cebreiro (onde se diz que está escondido ainda o Santo Graal) ouvi as suas sentenças e flechas enquanto encenava para mim umas anedotas vestido à moda dos bobos da corte medievais. Mas, enfim, essa é uma história que algum dia contarei, mas é agora outra história e deve deixar-nos aqui. Vejamos algumas das iluminadas histórias do INCRÍVEL E IMCOMPARÁVEL MULLAH NASRUDIM que segundo me contaram anda pelo Brasil e de lá não quere sair. Enfim, como ele diz: “Desfruta ou tenta aprender, chatearás alguém. Não o faças e chatearás alguém”


Como Nasrudim criou a verdade

"Estas leis não tornam melhores as pessoas", disse Nasrudim ao Rei; "elas devem praticar certas coisas de forma a sintonizarem-se com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente."

O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade – e o faria. Ele poderia faze-las praticar a autenticidade. O acesso a sua cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o Rei ordenou que fosse construída uma forca. Quando os portões foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o Capitão da Guarda estava postado à frente de um pelotão para averiguar todos os que ali entrassem. Um édito foi proclamado: "Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Se mentir, será enforcado."

Nasrudim deu um passo à frente.

"Aonde vai?"

"Estou a caminho da forca", respondeu Nasrudim calmamente.

"Não acreditamos em você!"

"Muito bem, se estiver mentindo, enforquem-me!"

"Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!"
"Isso mesmo: agora sabem o que é a verdade: a sua verdade!"


O Tolo que era Sábio

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque: mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado. Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:

Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.

O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque. Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.

"Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!"

Afastando tigres

Certo dia ele estava jogando migalhas de pão em torno de sua casa. Um vizinho que passava perguntou:
Mullah, porque você está fazendo isso?

Ah, eu faço isso para manter os tigres afastados, explicou Nasrudim.

Mas não há tigres nesta região!

Eficaz, não é? Conclui Nasrudim."


Casamento


Nasrudim estava proseando com um conhecido , que lhe indagou:

Mullah, responda-me, você nunca pensou em se casar?

Sim, claro que já. Quando eu era jovem, determinei-me a achar o meu par perfeito. Cruzei o deserto, cheguei em Damasco, e conheci uma mulher belíssima e espiritualmente muito evoluída; mas as coisas triviais, do dia a dia, a atrapalhavam.

Mudei de rumo e lá estava eu, em Isfahan; ali pude conhecer uma mulher com dom para as coisas materiais, da vida caseira, e além disso se mostrou muito espiritualizada. Porém, carecia de beleza física. Pensei: o que fazer?

E resolvi ir ao Cairo. Lá cheguei e logo fui apresentado a uma linda jovem, que também era religiosa, boa cozinheira e conhecedora dos afazeres do lar. Ali estava a minha mulher ideal.

Entretanto você não se casou com ela. Porquê?

- Ah, meu amigo. Entretanto ela buscava o seu homem ideal.




O anúncio

Nasrudim postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:

Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?

Logo juntou-se um grande número de pessoas, com todo mundo gritando:
- Queremos, queremos!

Excelente! Era só para saber. Podem confiar em mim, que lhes contarei tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim.


O sermão de Nasrudim

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudim. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita. Ele concordou. Chegado o tal dia, Nasrudim subiu ao púlpito e falou:

Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?

Não, não sabemos

Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja - disse o Mulla, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.

Desceu do púlpito e foi para casa. Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudim fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração.

Nasrudim começou a pregação com a mesma pergunta de antes. Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:

Sim, sabemos

Neste caso não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora.
E voltou para casa. Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.

Sabem ou não sabem?

A congregação estava preparada.

Alguns sabem, outros não.

Excelente - disse Nasrudim - então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem.

E foi para casa.



O barco e o homem letrado

Em dada ocasião, Nasrudim estava em um barco com um homem letrado, quando o Mullá disse algo que contrariava as regras gramaticais:

Você nunca estudou gramática? - perguntou o estudioso.

Não, nunca - respondeu Nasrudim.

Nesse caso, metade de sua vida se perdeu - retrucou outro.

Nasrudim ficou em silêncio durante algum tempo, quando finalmente falou:

Você nunca aprendeu a nadar? - disse o Mullá ao homem letrado.

Não, nunca - este respondeu.

Então, nesse caso, toda a sua vida se perdeu. Estamos afundando.







O meu cão

Olá, este é o meu cão!

O caminho da Serpente

Nada é maior do que o infinito, pois ele é amor. Mas o que é o amor?

Desculpem mandar mais um post ...

... Nao quero encher-vos a paciencia em demasia, mas queria chamar-vos a atencao para esta citacao de um texto desconhecido que alguem deixou na seccao de comentarios.

Desculpem se as minhas palavras tem ultimamente parecido muito amargas, mas e que estou numa fase em que questiono o valor e a utilidade dos "intelectuais" (eu incluida) e das ocupacoes ligadas a vida da mente.

Na melhor das hipoteses podemos ser bons mentores e ajudar que outros realizem os seus sonhos (ja diz aquele proverbio Americano que "quem pode, faz. Quem nao pode, ensina ou escreve."). Na pior das hipoteses, somos talvez a classe mais inutil a face da Terra.

«O saber não é um sistema de tapa-buracos. Por isso, aqueles que parecem saber tudo, ou saber muito, como quem colecciona cromos e anseia completar o álbum já pensando no próximo, nos sufocam porque são um muro sem poros - a-poros, ou seja, «sem saída» (aporia) - para os outros. Mas, olá, também são para eles. E só sobrevivem porque o seu pensamento-prótese-inteligível já está morto. E vivem com ele como companhia. Pensamento feito simulacro («phantasma» em grego) que, porque sem se dar conta disso se supõe - como puro inteligível - seu inimigo (do simulacro). Saber e pensamento frios que não respiram. Ou respiram muito mal. De tão mofos que estão. Eis o pensamento e o saber de sebenta. Não há vacinas para isto. Pode-se contrair e curar. Mas há doentes crónicos. Zombies que andam por aí. Ou cyborgs antiquados que converteram o pensamento dos "fundamentos últimos" numa prótese inteligível. Fazendo-se filhos adoptivos de Platão. Cujo saber e pensar se filiaram definitivamente no sabido e no pensado.» 
Mas quando esses funcionários taparem todos os buracos, cuidado, pois é a nós que eles - os de pensamento morto e frio - querem sufocar. 
Atiram para cima da gente um muro de pedra disfarçado de ar e um muro de ar disfarçado de pedra. Mas o problema não é o muro de pedra ou o muro de ar..."


Se pensamos por medo e agredimos a realidade com o conceito de haver ...

... nao sera muito melhor passar o resto do tempo que dura a ilusao de estarmos vivos sentados no sofa a adormecer o cerebro com "reality shows"?

Sera que ...

... nao querer morrer sem viver x, y ou z e ter pena de morrer antes de viver essas coisas, e sinal de apego?

You're fired

Hoje fui despedido do trabalho. Não estou triste. É da maneira que vou voltar para o meu querido Alentejo, para junto do meu querido cão. Encontrarei de novo, lá, o equilíbrio e dedicar-me-ei a procurar a paz que, em momentos de paz, tão fortemente almejo. Paz para todos.

Triste, mas não mortal

É com a maior das humildades que escrevo os textos que publico neste blogue. Não me julgo superior ou inferior aos outros, mas igual, enquanto ser humano e diferente, em muitos aspectos das nossas vivências. Por exemplo, considero-me mais ignorante do que a maioria das pessoas já que esqueci a maior parte dos assuntos que aprendi no liceu, desde História às Ciências.

No entanto, nunca pensei que a minha participação neste espaço pudesse ser tão polémica, ao ponto de, praticamente a cada post, receber comentários muito negativos, alguns chegando mesmo a ser insultuosos, se eu assim o quiser. Na verdade, penso não ter escrito nada que relegasse para esse tipo de reacções, já que o que escrevi foram, essencialmente, uma série de conjecturas, prontas a ser refutadas.

Se escrevi, ontem, um argumento, foi porque penso que os argumentos são uma boa forma de chegarmos à verdade, objectivamente, e porque, de certo modo, esperava que os leitores pensassem sobre o assunto e que se gerasse uma discussão saudável, prós e contras, relativamente ao que foi dito. Infelizmente, a maioria dos leitores não teve a maturidade suficiente para discutir o assunto e, quem sabe, juntos chegarmos à verdade, ou dela mais nos aproximarmos.

E isso deixa-me bastante triste, porque vejo que as pessoas não estão preparadas para discutir ideias mas, apenas, a aceitar de bom grado aquilo que vai de encontro às suas expectativas e, nesse sentido, estão muito apegadas às mesmas.

Triste, mas não mortal.

O espectro hitleriano na filosofia

Um texto interessante de Rolando Almeida, sobre a filosofia no pós-guerra.