O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quarta-feira, 12 de março de 2008

Triste, mas não mortal

É com a maior das humildades que escrevo os textos que publico neste blogue. Não me julgo superior ou inferior aos outros, mas igual, enquanto ser humano e diferente, em muitos aspectos das nossas vivências. Por exemplo, considero-me mais ignorante do que a maioria das pessoas já que esqueci a maior parte dos assuntos que aprendi no liceu, desde História às Ciências.

No entanto, nunca pensei que a minha participação neste espaço pudesse ser tão polémica, ao ponto de, praticamente a cada post, receber comentários muito negativos, alguns chegando mesmo a ser insultuosos, se eu assim o quiser. Na verdade, penso não ter escrito nada que relegasse para esse tipo de reacções, já que o que escrevi foram, essencialmente, uma série de conjecturas, prontas a ser refutadas.

Se escrevi, ontem, um argumento, foi porque penso que os argumentos são uma boa forma de chegarmos à verdade, objectivamente, e porque, de certo modo, esperava que os leitores pensassem sobre o assunto e que se gerasse uma discussão saudável, prós e contras, relativamente ao que foi dito. Infelizmente, a maioria dos leitores não teve a maturidade suficiente para discutir o assunto e, quem sabe, juntos chegarmos à verdade, ou dela mais nos aproximarmos.

E isso deixa-me bastante triste, porque vejo que as pessoas não estão preparadas para discutir ideias mas, apenas, a aceitar de bom grado aquilo que vai de encontro às suas expectativas e, nesse sentido, estão muito apegadas às mesmas.

Triste, mas não mortal.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A minha escrita

A minha escrita, neste blogue, tem sido apelidada, nos últimos dias, de soporífera, ingénua, ou de ser capaz de criar náuseas, devido aos temas que trato quase obsessivamente e devido à forma como os trato. Trato-os da forma que quero, e não para agradar a este ou àquele leitor, não sem não querer agradar a algum leitor, como é óbvio. Porém, devo dizer que considero o querer agradar aos outros um defeito de carácter que, de resto, já afirmei ter e do qual, portanto, me quero libertar. Não vou alterar a minha escrita ou os temas que trato devido a imposições do leitor. Se lhe causa náuseas tem uma solução: não ler. De resto, continuarei a escrever neste blogue, porquanto me for permitido, na medida em que o considero um projecto atraente; juntar diferentes sensibilidades num único espaço e esticar a corda aos limites, contem comigo! Para mais, aviso desde já que em muito me agradam as críticas negativas ao meu trabalho, visto serem estas as que me permitem ver o que em mim não vejo e passar para outros patamares. Por isso, agradeço todas as críticas, boas ou más, não sem antes desejar um fim de semana cheio de paz a todos os leitores. Paz.