terça-feira, 23 de março de 2010
Debate "A Tauromaquia é cultura?"
http://ww1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=23283&e_id=&c_id=1&dif=tv
segunda-feira, 22 de março de 2010
Tauromaquia é cultura?
A petição está quase nas 7500 assinaturaas e será entregue em breve para discussão obrigatória em Plenário da Assembleia da República.
http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=PETPPA
Assinem e divulguem. Pela cultura contra a tortura!
sobre o acontecimento
vislumbre

O despertar do coração
A jugular do tempo
Rasgada pelo punhal dissonante da atenção
Ao rubro o sangue dos começos
Precipita-se em fios cálidos
No chão impossível da continuação
Baila em ritmos alucinantes
O que de dentro não tem exterioridade
Nem se aprisiona em masmorras egóticas
O mundo um incêndio a perdição em alada antecipação
Do que não haverá por não ter sido
E as flores serão flores
À noite as estrelas virão como sempre
Alvoradas distantes
Anunciar o presente
Na tua saudade...
Há muito que parti,
e o vazio da minha ausência
Preenche os teus dias.
Não me procures,
não me alcançarás nas árvores do parque.
Não me procures criança,
não estou na água do ribeiro,
nem nas pedras do teu caminho
ou na bola que jogas.
Não estou nas lágrimas salgadas de um sonho.
Estou aqui, em toda a parte!
Soprarei na tua vida,
como uma serena brisa de Primavera.
Preencherei de leveza o teu coração,
e estarei no silêncio
de uma distante canção de embalar,
há muito guardada na tua memória.
E na Luz do teu sorriso!
(in Sentir e Ser - 2008)
domingo, 21 de março de 2010
animal
deixa de existir a necessidade de um monarca que presida separadamente às várias tarefas.
Cada indivíduo passa a desempenhar as que lhe competem.”
Rudolf Virchow
a Primavera só existe se acreditarmos que houve Inverno
não há primavera
nos campos eternos
na nervura do mundo
que acende nos olhos
o fogo das constelações perdidas
que mostram um céu invertido
no fundo abissal
onde a treva rebrilha ao som furtivo
das lâminas impregnadas de longe e terminação
não há retorno quando o princípio é a alada expansão
de não ter que haver depois
a exacta geometria da contemplação
vulcão de agonia mental
interrogar é sentir a ondulação do oceano sem começo
os ossos em flautas convertidos
harmonia da carne que é vegetativa anunciação do efémero
por momentos a maré vazia descobre as rochas do abandono
por momentos inamovíveis e peremptórias
nada nasce
o esquecimento dá a aparência de nascer às vidas transitórias
o eterno é instante
terrível abrupto inclemente
são as palavras ânforas no bojo dum navio naufragado
restos de viagem na impossibilidade de chegar
chega um momento em que a vida é só isso
a espera crava-se na nudez da fantasia
e fere de firmamento a capacidade de desejar
sábado, 20 de março de 2010
primavera
ENTARDECER
"...só há homem, quando se faz o impossível"
- Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 268.
Não tenho pressa
Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde
o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.
- Alberto Caeiro




