O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 22 de março de 2010

Tauromaquia é cultura?

Estarei presente no dia 23, 3ª feira, entre as 14 e as 15.30, no programa "Sociedade Civil", da RTP 2, para debater o tema "Tauromaquia é Cultura?", na qualidade de primeiro subscritor da petição contra a criação de uma secção de tauromaquia no Centro Nacional de Cultura e de representante do Partido Pelos Animais.

A petição está quase nas 7500 assinaturaas e será entregue em breve para discussão obrigatória em Plenário da Assembleia da República.

http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=PETPPA

Assinem e divulguem. Pela cultura contra a tortura!

sobre o acontecimento


T E L E V I S Ã O
O PIRILAU DO LÍDER
NESTE FRENTE-A-FRENTE
DEVE ESTAR RESUMIDO
A UM PINGO DE GENTE

"... o sagrado instinto de não ter teorias..." - Bernardo Soares

vislumbre


O despertar do coração

A jugular do tempo

Rasgada pelo punhal dissonante da atenção

Ao rubro o sangue dos começos

Precipita-se em fios cálidos

No chão impossível da continuação

Baila em ritmos alucinantes

O que de dentro não tem exterioridade

Nem se aprisiona em masmorras egóticas

O mundo um incêndio a perdição em alada antecipação

Do que não haverá por não ter sido

E as flores serão flores

À noite as estrelas virão como sempre

Alvoradas distantes

Anunciar o presente

Na tua saudade...

http://www.youtube.com/watch?v=G_EoeeMR71o

Há muito que parti,
e o vazio da minha ausência
Preenche os teus dias.
Não me procures,
não me alcançarás nas árvores do parque.
Não me procures criança,
não estou na água do ribeiro,
nem nas pedras do teu caminho
ou na bola que jogas.
Não estou nas lágrimas salgadas de um sonho.
Estou aqui, em toda a parte!
Soprarei na tua vida,
como uma serena brisa de Primavera.
Preencherei de leveza o teu coração,
e estarei no silêncio
de uma distante canção de embalar,
há muito guardada na tua memória.
E na Luz do teu sorriso!
(in Sentir e Ser - 2008)

domingo, 21 de março de 2010

animal

“O Organismo Animal deve ser encarado com semelhança a uma comunidade bem governada. Uma vez estabelecida a ordem dentro de uma comunidade,
deixa de existir a necessidade de um monarca que presida separadamente às várias tarefas.
Cada indivíduo passa a desempenhar as que lhe competem.”

Rudolf Virchow

Novos Cursos na Associação Agostinho da Silva

(para ler, clicar sobre a imagem)

Revista Visitações


http://revistavisitacoesaear.blogspot.com/

THINK | 2010


inscrições abertas | http://think2010aear.blogspot.com/2010/03/cartaz-e-programa-think-2010.html

a Primavera só existe se acreditarmos que houve Inverno

não há primavera

nos campos eternos

na nervura do mundo

que acende nos olhos

o fogo das constelações perdidas

que mostram um céu invertido

no fundo abissal

onde a treva rebrilha ao som furtivo

das lâminas impregnadas de longe e terminação

não há retorno quando o princípio é a alada expansão

de não ter que haver depois

a exacta geometria da contemplação

vulcão de agonia mental

interrogar é sentir a ondulação do oceano sem começo

os ossos em flautas convertidos

harmonia da carne que é vegetativa anunciação do efémero

por momentos a maré vazia descobre as rochas do abandono

por momentos inamovíveis e peremptórias

nada nasce

o esquecimento dá a aparência de nascer às vidas transitórias

o eterno é instante

terrível abrupto inclemente

são as palavras ânforas no bojo dum navio naufragado

restos de viagem na impossibilidade de chegar

chega um momento em que a vida é só isso

a espera crava-se na nudez da fantasia

e fere de firmamento a capacidade de desejar

sábado, 20 de março de 2010

primavera



"Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores."

Miguel Torga

PRIMAVERA


os lírios roxos
de meados de Março
são pré-anúncio
dos jacarandás
de Junho

ENTARDECER



cai a chuva de enxurrada
sobre este final de dia
enchendo tudo de nada
- que é de onde o tudo se cria

"...só há homem, quando se faz o impossível"

"Estou a exigir muito de si? Quem lhe há-de exigir muito senão os seus amigos ? Eles receberam o encargo de o não deixar amolecer e, pela minha parte, tenha você a certeza de que o hei-de cumprir. Você há-de dar tudo o que puder, e mesmo, e sobretudo, o que não puder; porque só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem. Quando você saltar e saltar bem, eu direi sempre: agora mais alto! Que me importa que você caia. Os fracos vieram só para cair, mas os fortes vieram para esse tremendo exercício: cair e levantar-se; sorrindo"

- Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 268.

Não tenho pressa


Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde
    o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
 vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.

- Alberto Caeiro

Partir



Um dia partirei,
e quando partir
verás no meu rosto
a luz da felicidade,
espelho do meu destino.
Olha os meus olhos!
Vítreos.
Mergulha e segue-me.
Nada temas,
alcançarás as alturas.
Plana comigo
no topo do mundo,
nas profundezas do oceano Mar.
Nada me prende,
espera-me a Liberdade.
Vai…
(In Sentir e Ser - 2008)