Mostrar mensagens com a etiqueta De tudo e de nada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta De tudo e de nada. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Aos Peregrinos
Já era tarde quando andei pelas ruas da cidade, vendo os templos e os monumentos do império e toda a sua vaidade, vendo as janelas se fecharem, as famílias se reunirem ao redor da mesa, os filhos calados e os pais também. Tomei o caminho para fora da cidade até o lugar onde um riacho com água fresca e uma árvore de eucalipto acompanham a alma confundida e os olhos pensativos contemplando o sol-pôr. Mas quando cheguei já me esperava um homem velho com cabelo branco e barba, deitado em baixo da árvore me chamando para falar que precisava de falar para as jovens da cidade e de todas cidades do arquipélago.
«Venha e senta ao meu lado para ver o sol-pôr e para pensar. Você é jovem, tem pernas jovens e parece que as ruas da cidade não te importam tanto, nem as lojas, nem os templos e nem os monumentos feitos de pedra. Você ainda é carne, osso e sangue e teu sangue corre tão fresco como este riacho, mas porque voltas toda noite e não segues os múltiplos caminhos da tua vida. Eu na minha vida sempre fui um peregrino, sempre andei de um templo para o outro, para os templos que não são de pedra mas sim, como você, de carne e sempre queria aprender mais do que uma língua, pois as línguas são as chaves para as almas. E sabe porque fui assim até agora e sempre serei assim se não fosse o meu corpo envelhecido? Porque a minha história é uma história de peregrinos, de marujos, de pastores saindo das montanhas e das vinhas e das igrejas e mosteiros para enfrentar o mar, para ir além do horizonte além das aldeias velhas e pequenas. E nas igrejas e mosteiros o que se aprende? Aprende se amar e estudar. E nas montanhas com o rebanho e nas vinhas, o que se aprende? Aprende se o que é a liberdade e aprende guiar, aprende ser companheiro e aprende sonhar. Isto, você vai precisar quando fores viajar e conhecer o mundo – ser livre e companheiro, saber guiar e amar, e quando um dia alguém não te agrada segue o teu caminho ou aprenderá amar ainda mais. Eu sei que também não fui perfeito, nunca fui um bom pai e nem um bom marido, pois pais e maridos não podem ser companheiros e nunca estão livres. E quando encontras uma mulher que desejas não casa com ela, mas seja um companheiro que ama tanto quanto possível e que respeita. E enfim não fala do amor que houve, do amor que tem para os que foram antes ou que vem depois, pois amor é para dar e para ter, mas nenhuma língua pode explicar o que é na verdade o amor. Então viaja pelo mundo como um peregrino e eu espero que facas muitos amigos que querem viajar também no mesmo sentido mas não no mesmo caminho e não seja nunca um guerreiro pois os guerreiros matam mas os peregrinos não. Sei que todos nos temos ou somos o nosso próprio campo de batalha, que já fizemos muitas guerras, algumas ganhado outros perdido, mas isto é com nos e não com os outros. Com os outros seja sempre alguém que dar quanto pode, sem querer receber nada de volta, nada mais do que tudo, que é o casamento da liberdade com o sonho numa esfera plena de amor…parece uma utopia, eu sei, mas como não pensar utópico enquanto homem, somente os animais e os deuses não pensam em utopias.»
«Podia dizer mais, mas o tempo está curto hoje e assim te digo três coisas para o seu futuro movimento. Primeiro: sempre ama quando possível e quando não podes amar tanto quanto queres ou deverias, toma o teu caminho e procura o próximo lugar para fazer os outros sentir e para sentir mesmo este casamento da liberdade com o sonho. Segundo: Nunca seja guerreiro e nunca tenta convencer ninguém. Se queres que alguém aprende o que você já sabe e que precisa ser multiplicado, ama simplesmente. Não mata, faça crianças em todos os sentidos e não tenha medo das doenças mentais ou corporais. Na maioria das vezes somente podem te fazer mais forte e quanto mais forte você é menos doenças vão tomar conta de você. E se um dia houver uma doença que te vai matar e você sabe que esta doença chegou com amor, não lamenta - pois somente as doenças que vem da raiva fazem chorar. Terceiro: Tenta viajar quando possível, na historia e nos sonhos, nos livros e na escritura e sempre novamente em novos caminhos. E forma um grupo de peregrinos, muitos peregrinos espreito pelo mundo, indo e voltando para fazer os outros sentir o seu novo evangelho da liberdade e do sonho, peregrinos que não precisam muito…mas que precisam seguir este velho ditado: navegar é preciso, viver não.»
quem quer corrigir agradeço: dirk.hennrichATgmx.ch
«Venha e senta ao meu lado para ver o sol-pôr e para pensar. Você é jovem, tem pernas jovens e parece que as ruas da cidade não te importam tanto, nem as lojas, nem os templos e nem os monumentos feitos de pedra. Você ainda é carne, osso e sangue e teu sangue corre tão fresco como este riacho, mas porque voltas toda noite e não segues os múltiplos caminhos da tua vida. Eu na minha vida sempre fui um peregrino, sempre andei de um templo para o outro, para os templos que não são de pedra mas sim, como você, de carne e sempre queria aprender mais do que uma língua, pois as línguas são as chaves para as almas. E sabe porque fui assim até agora e sempre serei assim se não fosse o meu corpo envelhecido? Porque a minha história é uma história de peregrinos, de marujos, de pastores saindo das montanhas e das vinhas e das igrejas e mosteiros para enfrentar o mar, para ir além do horizonte além das aldeias velhas e pequenas. E nas igrejas e mosteiros o que se aprende? Aprende se amar e estudar. E nas montanhas com o rebanho e nas vinhas, o que se aprende? Aprende se o que é a liberdade e aprende guiar, aprende ser companheiro e aprende sonhar. Isto, você vai precisar quando fores viajar e conhecer o mundo – ser livre e companheiro, saber guiar e amar, e quando um dia alguém não te agrada segue o teu caminho ou aprenderá amar ainda mais. Eu sei que também não fui perfeito, nunca fui um bom pai e nem um bom marido, pois pais e maridos não podem ser companheiros e nunca estão livres. E quando encontras uma mulher que desejas não casa com ela, mas seja um companheiro que ama tanto quanto possível e que respeita. E enfim não fala do amor que houve, do amor que tem para os que foram antes ou que vem depois, pois amor é para dar e para ter, mas nenhuma língua pode explicar o que é na verdade o amor. Então viaja pelo mundo como um peregrino e eu espero que facas muitos amigos que querem viajar também no mesmo sentido mas não no mesmo caminho e não seja nunca um guerreiro pois os guerreiros matam mas os peregrinos não. Sei que todos nos temos ou somos o nosso próprio campo de batalha, que já fizemos muitas guerras, algumas ganhado outros perdido, mas isto é com nos e não com os outros. Com os outros seja sempre alguém que dar quanto pode, sem querer receber nada de volta, nada mais do que tudo, que é o casamento da liberdade com o sonho numa esfera plena de amor…parece uma utopia, eu sei, mas como não pensar utópico enquanto homem, somente os animais e os deuses não pensam em utopias.»
«Podia dizer mais, mas o tempo está curto hoje e assim te digo três coisas para o seu futuro movimento. Primeiro: sempre ama quando possível e quando não podes amar tanto quanto queres ou deverias, toma o teu caminho e procura o próximo lugar para fazer os outros sentir e para sentir mesmo este casamento da liberdade com o sonho. Segundo: Nunca seja guerreiro e nunca tenta convencer ninguém. Se queres que alguém aprende o que você já sabe e que precisa ser multiplicado, ama simplesmente. Não mata, faça crianças em todos os sentidos e não tenha medo das doenças mentais ou corporais. Na maioria das vezes somente podem te fazer mais forte e quanto mais forte você é menos doenças vão tomar conta de você. E se um dia houver uma doença que te vai matar e você sabe que esta doença chegou com amor, não lamenta - pois somente as doenças que vem da raiva fazem chorar. Terceiro: Tenta viajar quando possível, na historia e nos sonhos, nos livros e na escritura e sempre novamente em novos caminhos. E forma um grupo de peregrinos, muitos peregrinos espreito pelo mundo, indo e voltando para fazer os outros sentir o seu novo evangelho da liberdade e do sonho, peregrinos que não precisam muito…mas que precisam seguir este velho ditado: navegar é preciso, viver não.»
quem quer corrigir agradeço: dirk.hennrichATgmx.ch
sábado, 1 de novembro de 2008
A centopeia era feliz, completamente.
Até que, de brincadeira, lhe perguntou um sapo:
"Qual é a perna que primeiro moves ?"
Tanto se atrapalhou a sua mente que não mais conseguiu andar ...
Etiquetas:
De tudo e de nada,
koans,
perguntar,
ser e mais nada
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
De Tudo e de Nada - Desisto
Vou por uma pedra sobre o assunto. Uma pedra qualquer, arredondada, para não me magoar mais. Vou deixar o mar levar de volta. Para longe daqui, para onde tudo começou e onde tudo há-de acabar. Assim, onda atrás de onda. Lua cheia, Lua Nova. Era após Era. Tudo depois de nada.
Vou entregar os pontos. Fechar a porta, apagar a luz, puxar o lençol e tapar-me.
Vou dormir sem sonhar. Vou parar de gritar em silêncio. Vou deixar de ouvir o grito,
de sentir o aperto, de chutar no vazio.
Hoje não se pode repetir dentro de mim. E eu sei que nunca se repete, mas aos meus olhos a repetição é infinita. Sou eu que não quero ver mais do que isto. Sou eu que não quero ver mais e melhor. Como se fosse possível. Eu digo a mim mesma: não posso mais. E respondo a mim mesma: desiste.
Desisto. Sou fraca demais para continuar. Quero parar aqui, saltar em andamento para fora de onde estou. Não me nego a mim mesma, não consigo negar-me. Nem quero. Apenas reconhecer que errei, que erro. Sempre, em cada onda que me rebenta nos pés.
Cumprir o destino. Esse destino que não compreendia, esse destino que não aceitava.
Cumpri-lo. Só isso. Sem contestar, sem imaginar como seria diferente. Nasci para isto que sou. Nasci para ser assim, estava escrito desde o princípio dos tempos.
Teimei, não quis ler o que o destino me escreveu. Lutei sem saber que antes de nascer já tinha perdido o que julguei poder ter como certo. A vida deu-me sinais que eu sempre identifiquei, mas o sonho e a esperança não me deixavam aceitar. É evidente demais. Dói demais pensar nessa evidencia. Não me quero lamentar. Não tenho essa vontade, nem esse direito.
Estou farta de procurar. Lembro-me de ditados antigos, valho-me deles. Lembro de palavras amigas, valho-me delas. Lembro-me do pensamento positivo. Mas, chega. Não me contento mais com este chão que me suporta o corpo. Preciso de um outro chão ou de um outro céu que me suporte a alma. A alma tem ficado lá atrás. A alma que tenho e já não sei onde deixei. Eu sei que tenho. Eu sei. Mas não ouço a sua voz faz tempo.
E é essa voz que quero ouvir agora. Aqui e agora. Já!
Chega. Não quero mais. Não quero mais esperar-te, pensar-te, sonhar-te, imaginar-te.
És-me impossível. És o meu nunca.
Subscrever:
Mensagens (Atom)