domingo, 1 de agosto de 2010
Um Homem Religioso
Um homem religioso não é um reaccionário nem um revolucionário. Um homem religioso é simplesmente solto e natural; ele não é nem a favor nem contra alguma coisa, ele é simplesmente ele mesmo. Ele não tem regras a seguir nem nenhuma regra a negar; ele simplesmente não tem regras. Um homem religioso é livre no próprio ser, não tem nenhum molde de hábitos e condicionamentos. Ele não é um ser cultivado - não que seja incivilizado e primitivo, ele é a possibilidade mais elevada de civilização e cultura, mas não é um ser cultivado. Ele cresceu na sua consciência e não precisa de regras nenhumas, ele transcendeu as regras. Ele é verdadeiro, mas não porque a regra é ser verdadeiro; ao ser solto e natural, ele é simplesmente verdadeiro, acontece ser verdadeiro. Ele tem compaixão não por seguir o preceito «tenha compaixão», não. Ao ser solto e natural, ele simplesmente sente a compaixão fluir por todo o lado. Ele não tem de fazer alguma coisa; é apenas um derivado do crescimento da sua consciência. Ele não está contra a sociedade - está simplesmente para além dela. Ele tornou-se de novo uma criança, uma criança num mundo absolutamente desconhecido, uma criança numa nova dimensão - ele renasceu.
Osho, Tantra A Compreensão Suprema, Pergaminho, p.248
Osho, Tantra A Compreensão Suprema, Pergaminho, p.248
sábado, 31 de julho de 2010
na hora oficial de ser CREMADO
"fiz tudo o que queria" - disseste um dia
só que
sabendo a vida curta
e mais - filha da puta -
não se começa contra ela
a luta
a meio
foi o que fizeste
acabas de perder ANTÓNIO
e isso
é FEIO
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Exortação
Amig@s, uma tónica deste blogue tem sido a causa dos animais ,que sofrem terrivelmente devido à ignorância e às acções dos homens. Todavia, não creio que a alternativa seja odiarmos quem quer que seja, mesmo os mais cruéis causadores do sofrimento animal, toureiros ou outros. Estou convicto que todos os seres, façam o que fizerem, têm em si um igual potencial de Despertar. Todos são, por isso, e sobretudo os mais cruéis, dignos do nosso amor e compaixão imparciais: alguém que faz sofrer não pode ser feliz. Exorto-nos a que não odiemos ninguém e façamos desta nossa passagem pela vida um serviço ao bem de todos os seres, sem preconceitos nem dualidades.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Oxalá você fosse a mulher da minha vida. 2.
Oxalá você fosse a mulher da minha vida.
E compreendesse que “Modigliani” não é um filme sobre a mais forte forma de amor.
Que “Into the Wild” não é sobre a descoberta de si.
Que “Dead Poets Society” não é sobre o despertar de quem queremos ser.
Que “Fight Club” não é sobre um clube de se verdadeiramente ser.
Oxalá, com clareza realizasse que, a verdadeira compreensão destas obras é contraditória à sua aquisição e colecção de prateleira.
Oxalá, você já tivesse visto todos estes filmes ou lido estes livros. Que o tenha feito, apenas uma vez e que, nesta altura, já esteja bem morta.
Morta de verdade.
E compreendesse que “Modigliani” não é um filme sobre a mais forte forma de amor.
Que “Into the Wild” não é sobre a descoberta de si.
Que “Dead Poets Society” não é sobre o despertar de quem queremos ser.
Que “Fight Club” não é sobre um clube de se verdadeiramente ser.
Oxalá, com clareza realizasse que, a verdadeira compreensão destas obras é contraditória à sua aquisição e colecção de prateleira.
Oxalá, você já tivesse visto todos estes filmes ou lido estes livros. Que o tenha feito, apenas uma vez e que, nesta altura, já esteja bem morta.
Morta de verdade.
Oxalá você fosse a mulher da minha vida. 1.
Oxalá você fosse a mulher da minha vida. :)
Oxalá, você visse o lance do guarda-redes espanhol Cacilhas com a sua namorada e, de comoção, chorasse.
Não porque acreditasse que ali existiria um amor eterno, uma relação sólida ou até mesmo uma cumplicidade especial entre os dois mas, simplesmente, porque, naquele instante, naquele pequeno grande instante, nada mais interessou e, saíram os preconceitos, saíram as noções do espaço social onde estavam inseridos, aí, caiu o “social” o “normal” o “tem de ser” – tudo isso se relativizou, ou se realizou à sua verdadeira importância, à passagem desse grande pasmo amoroso. Dirão agora os seguidores de Schopenhauer que, nesse instante, tudo não passaria de vontade de preservação da espécie? Pura orientação biológica? Que aquele seria o fim a que se destinaria?
Como estariam enganados.
Oxalá você já tivesse lido Schopenhauer.
Oxalá, você visse o lance do guarda-redes espanhol Cacilhas com a sua namorada e, de comoção, chorasse.
Não porque acreditasse que ali existiria um amor eterno, uma relação sólida ou até mesmo uma cumplicidade especial entre os dois mas, simplesmente, porque, naquele instante, naquele pequeno grande instante, nada mais interessou e, saíram os preconceitos, saíram as noções do espaço social onde estavam inseridos, aí, caiu o “social” o “normal” o “tem de ser” – tudo isso se relativizou, ou se realizou à sua verdadeira importância, à passagem desse grande pasmo amoroso. Dirão agora os seguidores de Schopenhauer que, nesse instante, tudo não passaria de vontade de preservação da espécie? Pura orientação biológica? Que aquele seria o fim a que se destinaria?
Como estariam enganados.
Oxalá você já tivesse lido Schopenhauer.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Nick Cave e a inspiração da Saudade
"We all experience within us what the Portuguese call saudade, which translates as an inexplicable longing, an unnamed and enigmatic yearning of the soul, and it is this feeling that lives in the realms of imagination and inspiration and is the breeding ground for the sad song, for the Love Song. Saudade, or longing, is the desire to be transported from darkness into light. To be touched by the hand of that which is not of this world. The Love Song is the light of God, deep down, blasting up through our wounds"
- Nick Cave, The Secret Life of the Love Song. The Flesh Made Word. Two Lectures by Nick Cave (CD).
- Nick Cave, The Secret Life of the Love Song. The Flesh Made Word. Two Lectures by Nick Cave (CD).
terça-feira, 27 de julho de 2010
Nick Cave And No More Shall We Part Npa Live 2001
And no more shall we part: o intemporal e sempre novo sonho de uma eternidade a dois, a bela e trágica aspiração ao "foram felizes para sempre"...
segunda-feira, 26 de julho de 2010
9
PRECISO DE UMA MULHER para estar comigo entre as nove e as onze
Alguém com pronúncia pouco pronunciada
Uma espécie de Greta Garbo com Frida Kahlo
Ou Alice Vieira com Natália
A nossa Natália Correia que um dia me levou ao período Futurista!
Tem alguma ideia?
Pode ser uma mulher meia calada que eu pôr-lhe-ei palavras na boca
Uma com cheiro a pinho
Com longas tranças de escamas de peixes
Se tiver tronco de árvore não faz mal
Eu próprio lhe darei forma
As minhas mãos sempre foram invejadas
Basta entender de anéis solares
Preciso de uma mulher para coser meus pensamentos
De preferência da cor do meu telhado
Que é branco em cima de um fundo negro
Aviso já que não é fácil
Só autodidacta consegue!
Achará que eu quero violar essa mulher
Danados!
Malditos!
Tenho poemas por acabar
Tenho o sangue prestes a esgotar
A muralha da China vê-se lá do alto
Outro dia confirmei isso
Sem me levantar da cadeira
Quero essa mulher para guiar minha mão que (in)segura a caneta
Quero essa mulher em trajes que me façam entender uma bandeira!
Quero o sol e a lua na mesma embalagem!
O terror e a lucidez parados numa esquina!
Ou em banhos de espuma!
Entre as nove e as onze ardo em fosfóricas saudades
Um agrafador pisca-me o olho com naturalidade
Uma cópia de Dali denuncia que está vivo
A água da torneira a ir pela bacia abaixo
As luzes das minhas ideias com as mãos na cintura
O som
Os sons
As magníficas correntes do ar
O cesto de papéis achando a vida uma ova
A ferida que eu não curei abrigando répteis
Penso num A e sai-me um O
Ó que terras mal acamadas! Não vedes que eu desabo!
Dirão agora que mereço essa mulher
Coitado deve participar em antologias
Escolher poemas da fase da parvalheira
Jogar flippers e mostrar à garina o quanto vale
Odeio a simplicidade!
Odeio as complicações!
Entre eu o nada não existe intervalo
Sempre escutei Vinícius de Moraes antes de adormecer
É bem melhor que uma velinha acesa num copo de azeite
Os homens morrem
A arte fica
Eu hei-de morrer sem saber o que me resta!
Quem está doente
Doente morrerá
Quem está de saúde
Terá boas amantes
Quero agora essa mulher
Entre as nove e as onze
De preferência entre as nove e as onze da noite
Assim sabe melhor o salmão
Posso traduzir Dostoievski
Embora não percebendo nada de russo
Vou-me embora antes que a tabacaria encerre
São quase nove
Vêm aí nove meninas
Cada uma com nove meninas em cada mão
Qual delas saberá mudar a água aos peixes?
PRECISO DE UMA MULHER para estar comigo entre as nove e as onze
Alguém com pronúncia pouco pronunciada
Uma espécie de Greta Garbo com Frida Kahlo
Ou Alice Vieira com Natália
A nossa Natália Correia que um dia me levou ao período Futurista!
Tem alguma ideia?
Pode ser uma mulher meia calada que eu pôr-lhe-ei palavras na boca
Uma com cheiro a pinho
Com longas tranças de escamas de peixes
Se tiver tronco de árvore não faz mal
Eu próprio lhe darei forma
As minhas mãos sempre foram invejadas
Basta entender de anéis solares
Preciso de uma mulher para coser meus pensamentos
De preferência da cor do meu telhado
Que é branco em cima de um fundo negro
Aviso já que não é fácil
Só autodidacta consegue!
Achará que eu quero violar essa mulher
Danados!
Malditos!
Tenho poemas por acabar
Tenho o sangue prestes a esgotar
A muralha da China vê-se lá do alto
Outro dia confirmei isso
Sem me levantar da cadeira
Quero essa mulher para guiar minha mão que (in)segura a caneta
Quero essa mulher em trajes que me façam entender uma bandeira!
Quero o sol e a lua na mesma embalagem!
O terror e a lucidez parados numa esquina!
Ou em banhos de espuma!
Entre as nove e as onze ardo em fosfóricas saudades
Um agrafador pisca-me o olho com naturalidade
Uma cópia de Dali denuncia que está vivo
A água da torneira a ir pela bacia abaixo
As luzes das minhas ideias com as mãos na cintura
O som
Os sons
As magníficas correntes do ar
O cesto de papéis achando a vida uma ova
A ferida que eu não curei abrigando répteis
Penso num A e sai-me um O
Ó que terras mal acamadas! Não vedes que eu desabo!
Dirão agora que mereço essa mulher
Coitado deve participar em antologias
Escolher poemas da fase da parvalheira
Jogar flippers e mostrar à garina o quanto vale
Odeio a simplicidade!
Odeio as complicações!
Entre eu o nada não existe intervalo
Sempre escutei Vinícius de Moraes antes de adormecer
É bem melhor que uma velinha acesa num copo de azeite
Os homens morrem
A arte fica
Eu hei-de morrer sem saber o que me resta!
Quem está doente
Doente morrerá
Quem está de saúde
Terá boas amantes
Quero agora essa mulher
Entre as nove e as onze
De preferência entre as nove e as onze da noite
Assim sabe melhor o salmão
Posso traduzir Dostoievski
Embora não percebendo nada de russo
Vou-me embora antes que a tabacaria encerre
São quase nove
Vêm aí nove meninas
Cada uma com nove meninas em cada mão
Qual delas saberá mudar a água aos peixes?
Domingo, 15 de Agosto, vamos a Fátima protestar contra os maus tratos aos animais

Dia 15 de Agosto (Domingo), irá realizar-se em Fátima uma manifestação silenciosa entre as 08:00 e as 13:00, contra os maus tratos aos animais em Fátima. O local será na Rotunda Norte, chamada Rotunda do Peregrino, saída lado esquerdo da Auto Estrada. A quem quiser participar, pedimos que venham vestidos de branco ou de preto. Partilhem, por favor.
Comunicado sobre os bárbaros maus-tratos aos animais no Santuário de Fátima
...“Chamava irmãos a todos os animais […]”
- Tomás de Celano, Vida Segunda (de São Francisco de Assis), CXXIV, 165.
Tem sido tornado público e documentado fotograficamente o modo cruel como
são tratados os animais no Santuário de Fátima, o que já deu azo a uma reportagem
televisiva. Por ordem da Reitoria do Santuário, seguranças capturam regularmente
todos os cães que encontram, com ou sem dono, e amontoam-nos numa gaiola nas
traseiras do Santuário, onde são deixados durante dias, ao sol e à chuva, sem comer nem beber, até que a Câmara Municipal de Ourém os venha buscar para abate, dado não ter condições para os acolher e não cumprir a já antiga promessa de construir um canil/gatil municipal.
Ao serem apanhados, há cães vítimas de dolorosas agressões com foices e alguns
são envenenados e abatidos no próprio local. Por outro lado, os que são recolhidos pela Câmara vivem em condições miseráveis até à morte.
Estes actos constituem uma intolerável violação dos direitos dos animais
e dos nossos deveres para com eles, que, além de ser inaceitável numa nação que
se pretende civilizada, é tanto mais absurda e grave por ser levada a cabo por uma
instituição religiosa num lugar sagrado, destinado à elevação moral e espiritual do ser humano. Além de chocarem todo o cidadão minimamente consciente e sensível, estas
acções contradizem e ofendem a fé e o sentimento cristãos, profanando com violência,
sofrimento e morte um dos principais santuários católicos do mundo.
A Bíblia apresenta os animais como criaturas de Deus (Génesis, 1, 24), o que
se confirma no Catecismo Católico, onde se lê que os homens devem ser bondosos
para com eles, recordando o amor que lhes dedicaram São Francisco de Assis e São
Filipe Néri. No mesmo Catecismo acrescenta-se ser “contrário à dignidade humana
fazer com que os animais sofram ou morram desnecessariamente”. O Papa João Paulo
II declarou que os animais têm alma, estão “tão próximos de Deus como os homens” e
que devemos “amar e sentir solidariedade com os nossos irmãos mais pequenos”. Bento
XVI afirmou serem “criaturas que devemos respeitar como companheiros na criação”.
Perguntamos à Reitoria do Santuário de Fátima se teve acesso a outra revelação
ou autoridade divina que anule estas e, se não é o caso, como justifica a sua actuação perante os crentes e a opinião pública.
Sendo improvável uma qualquer justificação, além de exigirmos o fim imediato
de toda e qualquer forma de maltratar os animais no Santuário de Fátima, deixamos
uma proposta que nos parece uma justa e salutar forma da actual Reitoria contribuir
para se redimir das ofensas contra os animais e a consciência moral dos homens:
sendo públicos os crescentes e elevados lucros do Santuário, que em média excedem
mais de 8 milhões de euros anuais, uma pequeníssima parte desta quantia basta para
construir um canil/gatil onde os animais possam viver condignamente. Será uma forma
de estender a caridade cristã e franciscana aos nossos companheiros não-humanos, da
Reitoria corrigir o actual caminho de transgressão dos preceitos do amor evangélico e
de recuperar alguma credibilidade pública, não prejudicando mais a imagem da religião
que professa.
Caso isso lamentavelmente não aconteça, solicitamos à Câmara Municipal de
Ourém que cumpra a sua promessa aos munícipes e construa urgentemente um canil/
gatil condigno. E exortamos todos os cidadãos, em particular os crentes católicos, para que denunciem e exijam o fim imediato desta situação escandalosa.
“O que tu és, eu sou ! / E tu, tu és o que eu sou ! / Eu sou o Céu, tu és a Terra ! / Tu és a Estrofe, eu sou a Melodia !”
(fórmula ritual do casamento védico)

Qual o sentido espiritual da união sexual? Duas dicas da Índia:
“Neste mundo, o resultado do amor é não haver mais que um só pensamento. Quando o amor deixa diferentes os pensamentos (de cada um), é como se houvesse a união de dois cadáveres” - "Centúria da Paixão Amorosa" (tratado erótico indiano);
“Quando o pensamento não é reabsorvido no acto amoroso e na concentração yógica (samadhi), de que serve o recolhimento (dhyana) ? De que serve o acto amoroso ?” - "Sarngadharapaddhati".

Qual o sentido espiritual da união sexual? Duas dicas da Índia:
“Neste mundo, o resultado do amor é não haver mais que um só pensamento. Quando o amor deixa diferentes os pensamentos (de cada um), é como se houvesse a união de dois cadáveres” - "Centúria da Paixão Amorosa" (tratado erótico indiano);
“Quando o pensamento não é reabsorvido no acto amoroso e na concentração yógica (samadhi), de que serve o recolhimento (dhyana) ? De que serve o acto amoroso ?” - "Sarngadharapaddhati".
domingo, 25 de julho de 2010
"A união da quietude e do movimento"
"Quaisquer tipos de pensamentos que surjam, sem os suprimir, reconheçam de onde emergem e onde se dissolvem; e permaneçam focados enquanto observam a sua natureza. Fazendo isto, por fim o movimento dos pensamentos cessa e há quietude... De cada vez que observarem a natureza de quaisquer pensamentos que surjam, eles desvanecer-se-ão por si mesmos e a seguir uma vacuidade aparece. Do mesmo modo, se também examinarem a mente quando ela permanece sem movimento, verão uma vacuidade não obscurecida, clara e vívida, sem qualquer diferença entre o primeiro e o último estado. Isso é bem conhecido entre os praticantes de meditação e chama-se "a união da quietude e do movimento"
- Panchen Lozang Chökyi Gyaltsen (1570-1662, Tibete).
- Panchen Lozang Chökyi Gyaltsen (1570-1662, Tibete).
sábado, 24 de julho de 2010
À beira da estrada
nascem rosas
fora de horas
Calam-se os pardais
ama a mulher
o Deus menino
como se amasse
o esposo
fosse o tempo
vivido a contento
cantariam os pardais
amaria a mulher
o homem
em devido tempo
Pede o anjo ajuda
ao arcanjo
que o tempo
seja sem tempo
nascem rosas
sem hora
cantam os pardais
sem parar
dia e noite
noite e dia
e o tempo
é sempre o mesmo
nascem rosas
fora de horas
Calam-se os pardais
ama a mulher
o Deus menino
como se amasse
o esposo
fosse o tempo
vivido a contento
cantariam os pardais
amaria a mulher
o homem
em devido tempo
Pede o anjo ajuda
ao arcanjo
que o tempo
seja sem tempo
nascem rosas
sem hora
cantam os pardais
sem parar
dia e noite
noite e dia
e o tempo
é sempre o mesmo
DATADO
um poema da REFORMA AGRÁRIA
(la tierra tuya es mia
todos los pies la pisan
nadie la tiene, NADIE)
Nicolas Guillén
diz-me, camponês, diz-me
que domínios sonhas - Alentejo -
quantas terras, fincas,
herdades queres?
que sem-limites mapas
esboças
farms, quintas
machambas, roças?
que países, continentes,
ilhas, Brasis,
Áfricas, territórios
cobiças
para a desmedida força
dos teus braços?
calma, camponês, calma,
força e calma,
que não demora a TERRA
será pelas tuas mãos
nosso Jardim e seara
Quem somos quando nada fazemos mas estamos presentes?
"Em termos do sentimento individual de quem somos, a maioria de nós identifica-se fortemente com os papéis que desempenhamos na vida quotidiana, por exemplo, pais, esposos, filhos, estudantes ou pessoas numa certa profissão. Tais papéis são importantes e eles definem-nos nas nossas inter-relações sociais. Mas, tirando as nossas relações específicas com outras pessoas e os tipos de actividades em que nos envolvemos regularmente, o que fica? Quem somos nós quando nos sentamos calmamente nos nossos quartos, nada fazendo mas estando presentes?"
- B. Alan Wallace, Mind in the Balance. Meditation in Science, Buddhism and Christianity, Columbia University Press, 2009.
- B. Alan Wallace, Mind in the Balance. Meditation in Science, Buddhism and Christianity, Columbia University Press, 2009.
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