O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sábado, 22 de janeiro de 2011

"De todas as coisas que fiz, numa vida comprida como a minha, a melhor foi fazer amor, [...] porque através de um corpo está todo o universo"



- Da esquerda para a direita: Délio Vargas, Artur do Cruzeiro Seixas, Paulo Borges, Alexandre Vargas e António Cândido Franco.

"De todas as coisas que fiz, numa vida comprida como a minha, a melhor foi fazer amor, fazer amor com pessoas, tocar com as mãos um corpo, porque através de um corpo está todo o universo. Isso é o mais importante, muito mais do que a pintura, a arte, os intelectuais, os livros, essas coisas todas" - Artur do Cruzeiro Seixas (citação de memória), no final de um video ontem projectado no Botequim da Graça, na apresentação do livro de António Cândido Franco, Teixeira de Pascoaes nas palavras do surrealismo em português.

Uma noite histórica, acima documentada, com a presença do próprio Cruzeiro Seixas, que será entrevistado e publicará obras suas no nº4 da Cultura ENTRE Culturas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

“O que tu és, eu sou ! / E tu, tu és o que eu sou ! / Eu sou o Céu, tu és a Terra ! / Tu és a Estrofe, eu sou a Melodia !”

(fórmula ritual do casamento védico)



Qual o sentido espiritual da união sexual? Duas dicas da Índia:

“Neste mundo, o resultado do amor é não haver mais que um só pensamento. Quando o amor deixa diferentes os pensamentos (de cada um), é como se houvesse a união de dois cadáveres” - "Centúria da Paixão Amorosa" (tratado erótico indiano);

“Quando o pensamento não é reabsorvido no acto amoroso e na concentração yógica (samadhi), de que serve o recolhimento (dhyana) ? De que serve o acto amoroso ?” - "Sarngadharapaddhati".

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

La Scène Invisible



(Jean-Honoré Fragonard, Le Verrou, 1778)

"Ce n'est pas la différence sexuelle, ce n'est pas non plus la révélation de cette différence, ce ne sont ni la dénudation ni l'excitation choquante des deux sexes - l'évasement sanglant ou trempé de l'un, l´érection bleuissante et tressautante de l'autre - qui font le secret.
La scène qui a existé et qui ne sera jamais visible fait le secret. Ce secret s'adresse à son porteur lui-même. Puisque même ce secret, voué au fantasme éternel, est inconnaissable. Il ne s'agit pas d'une âme qui cherche son père ou sa mère. C'est le corps lui-même, indépendamment de son âme, très en amont de son âme, qui cherche sa source. Il est voué à l'originaire comme à l'inconnaissable"

- Pascal Quignard, La nuit sexuelle, Paris, Flammarion, 2007, p.31.