O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Do mesmo modo que um homem abraçado pela sua amante nada mais sabe do exterior nem do interior..."

"Tal é a condição onde ultrapassou todo o desejo e rejeitou todas as formas do mal, onde não mais conhece o medo. Do mesmo modo que um homem abraçado pela sua amante nada mais sabe do exterior nem do interior, assim este indivíduo abraçado pelo atman intelectual nada mais sabe do exterior nem do interior. Tal é a condição suprema onde todos os seus desejos são realizados, onde nada mais deseja senão o Si, onde os seus desejos se desvanecem, onde não mais conhece o desgosto.... Aí um pai não mais é um pai, uma mãe não mais é uma mãe, os deuses não mais são os deuses, os Vedas não mais são os Vedas, os mundos não mais são os mundos. Aí, um ladrão não mais é um ladrão, um praticante de aborto não mais é um praticante de aborto, um Candala não mais é um Candala, um Paulkasa não mais é um Paulkasa, um asceta não mais é um asceta. Aí, as suas boas e más acções não mais o seguem, pois ele se mantém então para além de todos os sofrimentos do coração"

- Brhadaranyaka-Upanishad, IV, 3, 21-22.