O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 12 de outubro de 2008

Vincent

"Starry, starry night.
Paint your palette blue and grey,
Look out on a summer's day,
With eyes that know the darkness in my soul.
Shadows on the hills,
Sketch the trees and the daffodils,
Catch the breeze and the winter chills,
In colors on the snowy linen land.

Now I understand what you tried to say to me,
How you suffered for your sanity,
How you tried to set them free.
They would not listen, they did not know how.
Perhaps they'll listen now.

Starry, starry night.
Flaming flowers that brightly blaze,
Swirling clouds in violet haze,
Reflect in Vincent's eyes of china blue.
Colors changing hue, morning field of amber grain,
Weathered faces lined in pain,
Are soothed beneath the artist's loving hand.

Now I understand what you tried to say to me,
How you suffered for your sanity,
How you tried to set them free.
They would not listen, they did not know how.
Perhaps they'll listen now.

For they could not love you,
But still your love was true.
And when no hope was left in sight
On that starry, starry night,
You took your life, as lovers often do.
But I could have told you, Vincent,
This world was never meant for one
As beautiful as you.

Starry, starry night.
Portraits hung in empty halls,
Frameless head on nameless walls,
With eyes that watch the world and can't forget.
Like the strangers that you've met,
The ragged men in the ragged clothes,
The silver thorn of bloody rose,
Lie crushed and broken on the virgin snow.

Now I think I know what you tried to say to me,
How you suffered for your sanity,
How you tried to set them free.
They would not listen, they're not listening still.
Perhaps they never will... "
Don McLean

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Criemos uma nova religião

O que quer que venha, o amor que sentimos por seja o que for é a coisa mais importante do mundo. Não há nada para lá daquilo que sentimos, imaginamos, lembramos, sentimentalizamos... nada para lá daquilo que sabemos que há. O mundo, o mundo é como um grande sonho, chamemos-lhe de Vixnu ou de outro qualquer, os deuses são criações humanas. Mas se Deus existe? Sim, existe uma razão, por descobrir, para que tudo isto exista. Se formos suficientemente burros para a descobrir, que vivamos vidas de pura contemplação sensorial das belezas e sublimidades de um mundo que não é o adversário, como alguns querem fazer crer. Paz e amor para todos e, sobretudo, para a Ana Margarida Esteves, que não conheço pessoalmente, mas que tem escrito uns belos e emocionados posts neste espaço, que me fazem lembrar que o amor é, de facto e sem ser piegas, o mais importante que há neste mundo repleto de amor e sofrimento.

Criemos uma nova religião, todos juntos, a partir daqui, a religião do futuro e última, com o único e livre ritual da contemplação estética da magnificência de um Cosmos que se dá a cada momento, belo e sublime, para lá de todo o sofrimento. Sem meditação, sem oração, ou com meditação e oração, como quiserdes, à maneira de cada um, mas criemos a religião que é isso mesmo, a de cada um, vivida com pleno sentido por cada um, sem rituais estranhos e exteriores a cada um, e implementemo-la, cada vez mais, até que engula todas as outras, para que a Humanidade passe para o estádio seguinte de evolução, o da paz entre humanos e contemplação das belezas e sublimidades do Cosmos.

Paz e amor para todos.

P.S. Ana Margarida Esteves: não irias querer conhecer-me, porque a minha persona é estúpida e arrogante, ao contrário do que os meus escritos, que me vêm da alma, que não é minha mas de todos aqueles com que algures me cruzei, podem fazer crer. Paz.